sábado, outubro 17th, 2009
Está claro, e os blogueiros de aluguel já insistem na estupidez, que o PT tentará caracterizar José Serra como antinordestino. E a imprensa brasileira vai dizer se vai colaborar ou não com o partido na tática da difamação — que em nada fica a dever a qualquer pregação preconceituosa. Explico-me: o mesmo mecanismo que leva alguém a fazer propaganda contra nordestinos (ou contra mulheres, negros, gays, gordos, sei lá eu…) — e isso seria digno de repúdio — leva a acusar o “outro” de ser contra nordestinos (ou mulheres, negros etc) quando sabe que isso é, obviamente, falso.
Se faço tal acusação contra um adversário meu na esperança de que isso possa prejudicá-lo, espero que eventuais desigualdades sociais ou disparidades regionais sejam usadas como mecanismo de retaliação. Ora, ninguém aciona esse botão para resolver o problema; isso é feito na esperança de que surja um “sentimento coletivo dos discriminados” contra alguém, que é só a força contrária do “sentimento de alguém” contra os “discriminados”. A acusação, entendo, é um crime similar ao do preconceito ele-mesmo. E se trata, é óbvio, de uma vigarice.
Como bem indagou a leitora Yara Chiara, eram os nordestinos que Lula defendia quando emprestou seu apoio a Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor? Ele estava mesmo pensando na emancipação do povo, no fim da indústria da seca e dos desmandos?Mas não é só isso.
Eis uma briga que Serra deveria comprar. Será mesmo que os “nordestinos pobres de Lula” vivem melhor do que os “nordestinos pobres de Serra”? Será mesmo que Lula deu mais assistência aos nordestinos do Nordeste do que dá São Paulo aos que vivem e trabalham no Estado? Será que os nordestinos de baixa renda do Nordeste, que Lula parece tomar como o fundo do seu quintal, dispõem dos mesmos programas sociais de que dispõem os de baixa renda da cidade de São Paulo?
Pois eu lhes digo — e pouco me importa a popularidade de Lula na região: se o critério for este, então quem não gosta de nordestino é Lula. São Paulo gosta. E ele próprio é o melhor exemplo do que estou dizendo. Há mais programas sociais e escolas na antiga favela de Heliópolis — onde há grande contingente de nordestinos — do que em qualquer cidade pobre daquela região. Mas não só lá.
Nordestinos de todas as faixas de renda se espalham em todos os bairros a cidade de São Paulo e dispõem, cada vez mais, de aparelhos públicos com os quais as áreas miseráveis do Nordeste nem podem sonhar. A razão é simples: em vez de pirotecnia, discurso demagógico e megalomania, tem-se assistência social crescente, como hospitais e postos de saúde. Eu desafio Lula a provar que o nordestino pobre do Nordeste, que ele toma como propriedade sua, dispõe de serviços melhores do que o nordestino pobre de São Paulo.
“Ah, você está comparando coisas diferentes! Então os governos dos Estados é que deveriam estar sendo cotejados”. Não estou, não! A ilação vigarista sobre Serra não gostar de nordestinos é de Lula e do PT. Se ele, em vez de torrar bilhões na obra megalômana do São Francisco, tivesse se dedicado à simples construção de cisternas, muitas pessoas que hoje ainda bebem água barrenta estariam bebendo água potável. Muita morte por desidratação teria sido evitada.
Se é assim, o negócio é ir aos números.
(Do blog de Reinaldo Azevedo)
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segunda-feira, outubro 12th, 2009
1. No Brasil, o eleitor vota no número dos partidos. Sempre que um partido tem um candidato majoritário competitivo, seu número ganha destaque. Quando a eleição é para presidente e governador, se isso ocorre nos dois níveis, há algum efeito acumulador. O importante é que o efeito da memorização do número é maior no candidato a governador. O tempo do governador é o mesmo do presidente e a visibilidade da publicidade do número do governador é bem maior. Sendo competitivo, ainda mais.
2. Em geral, os partidos fortes e com candidatos a governador competitivos ganham duplamente o voto de legenda para seus deputados. Num dia entram primeiro na TV os deputados federais, no outro os deputados estaduais. Com um número de maior força para governador, os votos de legenda crescem. Isso se verifica claramente acompanhando os votos de legenda dos partidos fortes e competitivos em cada estado.
3. Mas há outro fenômeno. Uma parte do eleitorado quando chega para votar, tem o número do majoritário na cabeça. Quando abre a tela, ele marca esse número e confirma. E então aparece o voto para governador ou presidente, e ele marca outra vez o mesmo número. Ou seja, uma parte do voto de legenda é na verdade um voto equivocado na tela que seria para votar em deputado. O eleitor queria votar no governador.
4. Um dos subprodutos disso é a perda de votos dos partidos de menor força, competitividade e visibilidade. Seus deputados dobram com deputados de um partido mais forte coligado que podem apoiar suas campanhas. E destacam o candidato majoritário, que, para isso, ajuda com panfletos e placas. Na hora de votar, parte do eleitorado vota para deputado no número do majoritário, e, assim, na legenda do partido coligado e não do partido menor. O partido pequeno nunca coliga na proporcional com partido grande, o que poderia ser uma saída. E por isso quase sempre perde legendas.
5. Isso ocorre também no caso de um partido forte que apoia o candidato a governador/presidente de outro partido forte. Aí são duas situações. Quando coliga para deputado, o efeito legenda equivocada é neutralizado. Mas quando coliga na majoritária e não na proporcional, seus deputados fazendo campanha para o governador de outro número, terminam dando legenda a este outro partido, ajudando a eleger deputados do partido coligado pelo número da majoritária (e não do seu na proporcional). Portanto, a lógica da coligação -só na majoritária- tira legenda de deputado de um partido coligado. A menos que também se coliguem em “cima e embaixo”.
(Do ex-blog de César Maia, ex-prefeito do Rio)
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segunda-feira, outubro 12th, 2009
Sob esse título a revista Algomais, edição nº43, publicou a entrevista do político e advogado Egídio Ferreira Lima, quando ele completou em 2009 os 80 anos de idade. Experiência não lhe falta para dizer o que disse a este repórter. Aproveite!.
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Mandatos | A eleição de 2010 é arriscada para Jarbas porque já se estabeleceu no País a consciência de que o político no Executivo deve manter-se por dois mandatos
Antonio Magalhães
O advogado e ex-deputado constituinte de 88 Egídio Ferreira Lima completou 80 anos em agosto deste ano. Conhece tudo em política: foi vereador de Timbaúba, deputado estadual, deputado federal constituinte em 1988, e, cassado por 10 anos pelo governo militar, aproveitou o recesso forçado para conspirar contra a ditadura. Reunia em seu apartamento lideranças da Oposição para pensar o futuro pós-ditadura. Das formulações discutidas, muita coisa permanece e alguns nomes da época ainda estão na política, como o senador Jarbas Vasconcelos, um dos ouvintes atentos dos conselhos de Egídio nos anos 70 e 80.
Hoje, Egídio não se furta a uma conversa política, tanto para contar episódios passados como para fazer prognósticos. Uma das previsões mais solicitadas é sobre a disputa do governo de Pernambuco, em 2010, possivelmente entre o governador Eduardo Campo e o senador Jarbas Vasconcelos.
Para Egídio, Jarbas é o único com chance de derrotar Eduardo. “Um político não pode dizer que não concorrerá porque pode perder a eleição. Esse não é um comportamento correto. Na derrota ou na vitória ele continua político. A história está repleta de derrotados em eleições que não perderam sua força”, enfatiza o advogado na sua entrevista à Algomais.
Algomais | Como foi sua iniciação política?
Egídio Ferreira Lima | Comecei na política estudantil ainda em Nazaré da Mata, por incentivo do Padre Mota, grande professor de Filosofia do Ginásio São José, que via grande potencial naquele menino com pólio. Quando vinha para o tratamento da doença no Recife ficava na casa de meus tios, donos de extensas bibliotecas, que me davam acesso ao mundo dos livros e da política. Quando chegou a hora de vir para o Recife para concluir o ginásio e entrar no curso Clássico (hoje 2º Grau), meu pai decidiu comprar uma casa na Rua da Amizade e trazer toda a família. Chegando à Capital, entrei no Colégio Osvaldo Cruz, uma verdadeira universidade pela qualidade dos professores
AM | Continuou na política estudantil?
EFL | Sim. Estava até mais articulado a ponto de participar de congressos nacionais da união de estudantes. Quando entrei na Faculdade de Direito do Recife, em quinto lugar no vestibular, participei do diretório estudantil.
AM | Nessa mesma época o senhor foi vereador de Timbaúba?
EFL | Antonio Galvão Cavalcanti, candidato a prefeito de Timbaúba, fez força para que eu me candidatasse a vereador. Todos na cidade conheciam minha atuação política. Cavalcanti foi eleito prefeito e eu vereador. Tomei posse em 1951. Contudo, as sessões eram só às sextas-feiras, o que me permitia estudar no Recife e ser vereador em Timbaúba.
AM | Já havia naquela época uma definição ideológica do jovem Egídio?
EFL | Não tinha preocupação a respeito disso naquela época. Transitava bem em todas as correntes ideológicas da nossa faculdade. Dava-me bem com a Esquerda, com a Juventude Comunista, com Roberto Freire, Marcos Freire, Fernando Coelho, e com a Direita, com Roberto Magalhães. Só vim a me situar ideologicamente mais tarde, no fim do curso, como um social-democrata, equilibrado entre a Direita e a Esquerda, que visava combater as diferenças sociais.
AM | Via futuro na carreira parlamentar a partir da Câmara Municipal de Timbaúba?
EFL | Não. Ser vereador da cidade foi um acidente. Foi o atendimento a um apelo dos amigos e da família. Mas logo vi que para fazer carreira na política tinha que ser num nível maior. Tinha que buscar o voto de opinião do Estado. Terminei a faculdade em 1955 e sem perspectivas políticas imediatas fiz concurso para a Magistratura, assumindo em 1956 a comarca de Parnamirim, depois a de Buíque e a de Vicência. Um período em que suspendi as atividades políticas.
AM | Como o senhor foi como juiz?
EFL | Se atuasse hoje da mesma forma como atuei naquela época já estaria morto. Contrariei interesses. O juiz era visto com muito mais respeito do que hoje.
AM | Por que deixou a magistratura?
EFL | Com a morte de meu pai, tive que dedicar mais tempo à família. E também por conta de Hélio Mariano e João Ferreira Lima Filho, meu primo Joãozito, engajados em secretarias do governo de Miguel Arraes, que me convocaram para a política. O apelo foi forte. Em 1963 desisti do cargo de juiz pela política.
AM | Hoje um juiz não desistiria da carreira pela política?
EFL | Acho que não. Mas também isso não era comum naqueles anos. A ponto do governador Miguel Arraes não querer assinar minha exoneração por achar que eu estava agindo emocionalmente. Mas foi um caso pensado.
AM | Onde foi trabalhar? No Governo?
EFL | De certa forma, sim. Mas como assessor jurídico da Coperbo e depois da Supra, superintendência que cuidava da reforma agrária no Estado.
AM | Mas de olho num mandato parlamentar?
EFL | Certo. Esperava pela eleição de 1966 para me candidatar a deputado estadual.
AM | Mas o golpe militar veio antes, em 1964? O senhor tinha boas relações com o então governador Arraes?
EFL | Sim. No dia do golpe estive com o governador no Palácio do Campo das Princesas. O trabalho com a Ação Católica me dava acesso a Arraes. Ele estava só no seu gabinete e me perguntou sobre a situação do campo naquele momento. Respondi que os camponeses estavam desestruturados para qualquer reação ao golpe. E que Francisco Julião, que tinha estado no mesmo palanque durante a eleição, só queria mesmo era brigar com a Igreja.
AM | Qual era o clima do Palácio do Campo das Princesas?
EFL | Passei parte da noite no Palácio com outros arraesistas. Por volta de três da madrugada fui para casa. Estava comigo Fernando Coelho, depois deputado federal. Na altura do Cais de Santa Rita cruzamos com um tanque de guerra. Vi um mau sinal. Ás seis horas estava de volta ao Palácio. Aí o clima começou a pesar. Durante o dia vieram militares para uma conversa com o governador. Trancaram-se na sala com Arraes e exigiram que ele entregasse o comando da área de segurança do Governo Estadual para continuar no cargo. Arraes disse que aquilo era uma indignidade e que os militares estavam cometendo uma ilegalidade. Eles saíram e deram ordem para todos deixassem o Palácio. Cortaram a comunicação com o exterior e começaram a posicionar tropas na Praça da República. Arraes pediu para que todos deixassem o Palácio, embora muitos quisessem ficar. Eu e Saulo Nascimento - comunista, que insistiu, em lágrimas, para ficar - saímos de automóvel. Fomos revistados nos portões do Palácio, de novo quando deixávamos a praça e na Rua da Aurora. Meu nervosismo era tal que cheguei a atropelar um guarda de trânsito na Rua do Hospício, que me dispensou porque se julgou culpado pelo acidente. De lá fomos encontrar com o pessoal da Ação Católica para ver o que se ia fazer.
AM | Começaram as prisões?
EFL | Bem, dentro ainda de alguns limites. Mas a coisa foi se agravando. O meu irmão Geraldo, prefeito de Timbaúba e tabelião, foi preso por agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social da Polícia Civil), comandado por Álvaro Costa Lima, e desapareceu. Minha irmã foi encontrar Geraldo num grupo escolar, usado como cadeia, vizinho a quartel do Exército, em Olinda. Depois ele foi levado para a Casa de Detenção (hoje Casa da Cultura). Assumi sua defesa em meio às maiores dificuldades. No fim do processo começaram os rumores de que eu seria preso. Caso isso acontecesse, eu seria processado e encerraria as minhas chances de uma candidatura em 1966. Resolvi fugir para o Rio, onde passei seis meses. Quando as coisas se acalmaram voltei e fui advogar até a eleição.
AM | Como foi a eleição de 1966?
EFL | Foi importante para o MDB. Elegemos 12 deputados para a Assembléia Legislativa. Fui o segundo mais votado do MDB. Mas o papel da Oposição era muito limitado. Era uma ação mais política. Pelópidas Silveira profetizou que eu estaria cassado em dois anos. Como de fato aconteceu. Em abril de 1970, meses depois do AI-5, foram tirados meus direitos políticos pelos militares.
AM | O que fez?
EFL | Voltei à advocacia. E passei a conspirar com grande intensidade. Reunia oposicionistas em meu apartamento, Jarbas, Marcos Freire, Fernando Lyra, Fernando Coelho, Armando Monteiro Filho, para discutir a situação do País. Foi o núcleo formador do que viria a ser o grupo Autêntico do MDB que resistiu com grande bravura à ditadura militar.
AM | Durante o período de cassação, o senhor conspirou, como diz, viu a Oposição crescer, participou da vitória de Marcos Freire para o Senado em 1974 e viu Jarbas ser derrotado pelas sublegendas da Arena em 1978. O que faltava acontecer?
EFL | A anistia política para cassados, exilados e oposicionistas. Ela já estava madura para acontecer em 1978, mas os militares temiam as eleições daquele ano. Em 1979, ela finalmente aconteceu.
AM | Volta de Miguel Arraes causou problemas com os oposicionistas do MDB?
EFL | Sim. Arraes encontrou a candidatura de Marcos Freire posta para o Governo do Estado em 1982. Ele ficou com receio que as lideranças surgidas durante a ditadura ocupassem seu espaço político, o que não aconteceu. Mas a desconfiança era grande. Arraes vetou meu nome em 1985 para a presidência estadual da Oposição. Na eleição de 1986 foi cogitada uma das vagas do Senado para mim. Arraes vetou. Preferiu Antonio Farias e Mansueto de Lavor. Mas nunca rompemos formalmente. Fui incisivo e duro com ele, mas nunca briguei pessoalmente com Arraes
AM | Por que Arraes agiu dessa forma?
EFL | Ele só foi para o PMDB, porque não tinha jeito. Sentia-se na companhia de onças, coisa só da mente dele, e deu o troco quando pôde: foi para o PSB. E, em 1990, elegeu-se deputado federal com uma votação enorme, levando gente com dois mil votos. Enquanto favorecia a minha derrota para a Câmara Federal, de Fernando Lyra e de Cristina Tavares.
AM | Deixou sequela o gesto de Arraes?
EFL | Não. Acho que Arraes tinha direito a fazer o fez. Foi um round na luta do marginalizado do passado contra as lideranças emergentes.
AM | O senhor vê o governador Eduardo Campos como o sucessor de Arraes?
EFL | Eduardo conseguiu unir as duas coisas: a herança política de Arraes e sua ação política. Teve o problema dos precatórios, mas parece ter superado. Revelou-se mais descontraído, com uma visão liberal da política, o que o favorece, no futuro, a uma proximidade maior com a social-democracia, pensando na redução das diferenças sociais e no desenvolvimento econômico. Já acho que Eduardo está nesse caminho, embora ele não tenha consciência.
AM | Há uma disputa pessoal entre o governador Eduardo Campos e o senador Jarbas Vasconcelos?
EFL | Jarbas fez uma campanha forte contra Eduardo na questão dos precatórios. Ali, as diferenças foram acirradas. Não sei a profundidade daquela coisa dos precatórios. Não ficou muito claro. Acho que Eduardo, por sua prática política, não tem conteúdo para passadas largas no futuro, uma presidência da República. Talvez só tenha pernas para a Câmara Federal ou Senado.
AM | Como será a disputa para o governo do Estado em 2010 entre Eduardo Campos e Jarbas Vasconcelos?
EFL | É cedo para analisar isso. Jarbas é o candidato certo para ser lançado contra Eduardo. Mas não será fácil para o senador ganhar. É uma eleição de risco porque já se estabeleceu no País a consciência de que o político no Executivo deve manter-se por dois mandatos, como ocorre nos Estados Unidos.
AM | Só Jarbas tem condição de enfrentar Eduardo?
EFL | É o único com chance de vitória. Um político não pode dizer que não concorrerá porque pode perder a eleição. Esse não é um comportamento correto. Na derrota ou na vitória ele continua político. A história está repleta de derrotados em eleições que não perderam sua força, Getúlio Vargas, Lula e o próprio Arraes.
AM | Aos 80 anos, o que senhor espera ver mais em política?
EFL | Não faço adivinhação. O que o País está passando não me escandaliza mais. Sarney foi assim a vida inteira assim, só que ele se protegia. O Congresso está num período difícil. Vivemos um processo de quedas e sobressaltos da evolução política. Mas o brasileiro tem que levar em conta que, apesar de todos os problemas, não ocorre qualquer transtorno institucional. A Constituição Federal de 1988 deu um ambiente de segurança para a prática política. O presidente Lula, que fala sobre tudo e às vezes é bem cínico, disse que a Carta Magna, que ele não assinou, é a melhor que o País já teve.
AM | Saímos dessa crise moral?
EFL | Claro. Mas vamos ainda vivenciar esse processo. A Teoria de Darwin não é só para dizer que Deus não existe, mas para mostrar também que o Homem é fruto da evolução das espécies. A tendência é ser sempre melhorar, materialmente e humanamente.
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