Posts de agosto, 2009
quinta-feira, agosto 20th, 2009
O casal pernambucano Merval Jurema e Aninha Perruci mora em Angola. Os dois foram passar suas férias em Bostwana, ao lado da África do Sul e Moçambique. Participaram de um safari a cavalo no delta do rio Okavango. Merval é empresário da área de Educação em Tecnologia da Informação (Iteci), com negócios em Luanda, e Aninha é professora e trabalha para uma Ong internacional. Abaixo, o relato de Merval sobre o “descanso”:
Acabo de chegar de uma semana de férias em Botswana – país que tem como vizinhos, ao sul a`África do Sul, a oeste a Namíbia, a leste Moçambique, e ao norte o Zimbabwe, Tanzânia, Zâmbia e Angola.
Fui para um safari a cavalo, no delta do rio Okavango. Uma região que lembra o Pantanal – alguns meses alagados e outros de seca. Agora em Agosto a região estava alagada e passávamos de uma “ilha” para a outra, com a água no meio da canela dos cavalos, ou no máximo na barriga. Apenas duas vezes os cavalos tiveram de nadar e íamos boiando em cima deles.
Para chegar lá, foram 3 horas de voo, de Luanda para Johannesburg (maior cidade da África do Sul), e mais uma hora para Gaborone – capital de Botswana. De Gaborone fizemos 900km de carro, até Maun, cidade com cerca de 100.000 habitantes. De lá, pegamos uma avioneta (5 lugares) caquética e voamos cerca de 25 minutos, em direção ao centro do delta do Okavango, depois pegamos um helicóptero e voamos mais 10 minutos, até chegar ao nosso “acampamento”.
Na chegada foram reunidos todos os clientes (3 casais), explicaram a programação e nos deram um papel para assinar, onde nos informaram os dados do nosso “seguro de vida” e que conhecíamos os riscos que estávamos correndo e que em nenhuma hipótese iríamos processá-los, por qualquer coisa que nos acontecesse…
Nossa programação era de 5 a 6 horas de cavalgada, por dia, às vezes um passeio de barco, de caminhonete, ou a pé. Íamos sempre os 6 clientes, seguindo um guia e seguidos por mais outras pessoas (2 a 4 seguranças), todos em fila indiana e em silêncio total, para não chamar a atenção dos animais. O guia sempre estava armado de rifle e com um dispositivo que atirava balas de festim, ambos para situações de emergência.
Geralmente a nossa distância dos animais era de 100 a 50 metros. Quando atingíamos essa faixa, haviam os animais que fugiam (Zebras, Girafas, Gnus, antílopes em geral e aves), e aqueles que nos faziam fugir (Leões, Elefantes, Hipopótamos e Búfalos). Com esse segundo grupo de animais, tivemos dois encontros especiais: tínhamos atravessado de uma ilha para outra, já estávamos chegando, com agua no meio das canelas dos cavalos, quando nos deparamos com uns 8 elefantes, pastando. Eles pararam o que faziam, nos encararam por alguns minutos e, de repente, um deles deu aquele grito, balançou a cabeça e fez menção de atacar! Todos os cavalos tremeram e nós tentamos escapar devagarinho e sem dar as costas, conforme manda a regra em situações desse tipo. Nosso medo foi enorme, mas bem disfarçado, o susto e o medo dos cavalos, aparentemente foi muito maior do que o nosso.
Contudo, no dia seguinte, estávamos na nossa marcha, devagar e silenciosamente quando aparece, a cerca de 50 metros, uma família de leões! Os filhotes afastaram-se correndo e os adultos espalharam-se lateralmente, movimentos típicos que antecedem o ataque! Foi um cagaço generalizado, os cavalos ficaram incontroláveis, o guia disparou o tiro de festim e foi quase um salve-se quem puder! Quase meia hora depois ainda estávamos tensos e a cavalgar lentamente, sem saber se estávamos sendo seguidos, ou não…
Para completar, depois do jantar estávamos todos conversando, em redor de uma fogueira, quando ouvimos o barulho de um hipopótamo, bem próximo. Vale ressaltar que, depois do mosquito da malária, é ele o animal que mais mata em toda a África! A chefe do nosso grupo pegou uma lanterna e ficou “varrendo” as margens da lagoa, para afastá-lo. E ele sumiu. Mas quando fomos dormir, bastou eu e Aninha entrarmos na tenda e começamos a ouvir o bicho passeando e pastando em frente à nossa tenda!!!
Enfim, foram umas férias excelentes, almoço e jantar da melhor qualidade e regados a bons vinhos. Para quem gosta de cavalgar e de adrenalina, eis uma opção para as próximas férias, não percam!
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domingo, agosto 9th, 2009
O advogado Sílvio Amorim, ex-vereador do Recife, juntamente com dois amigos, se dispôs a a cruzar a Rodovia Transmazônica do Oeste ao Leste, começando a viagem de moto em Labrea, no Amazonas, até Cabedelo, na Paraíba. Ele quer abrir uma rota de viajantes adeptos de aventuras. Mas um acidente abreviou sua viagem. Veja seu relato para este blog, por email.
Depois de cumprir 750km dos 4.800km previstos, fui abatido pelas circustâncias impostas pelo caminho. Chegamos a Labrea-AM, última cidade da Transamazônica, às margens do rio Purus, onde passamos o dia fazendo o registro de uma cidade que não é o fim do mundo, mas com certeza é no fim do Brasil. Depois é só selva.
Para minha surpresa, uma cidade pequena, mas com um povo muito vigoroso. Cruzava nas ruas e principalmente no porto com indios comunicando-se em suas línguas. Após três dias de estrada, dentro dos 12 previstos, um acidente me tirou da expedição. Os incidentes e quedas eram constantes. Todos nós, Carlois, Darlan e eu, já tínhamos caído algumas vezes. Infelizmente, ou felizmente, pois podia ter sido pior, na minha última queda fraturei o pé direito, o que impossibilita a continuação, pois se precisa dos dois pés para segurar a motocicleta nas derrapagens.
O acidente foi por volta das 17:00hs. Ainda fiquei uma hora na estrada com os companheiros fazendo os primeiros socorros, o que foi importante para evitar uma infecção. Retornei a Humaita-AM, com o apoio de um caminhoneiro “Anjo da Guarda” (Antonio Pereira dos Reis). Fui bem atendido no hospital local às duas da madrugada.
Todo o registro de imagens vai continuar com Carlois e Darlan, até porque o principal de tudo isso são os registros sobre o povo às margens da Transamazônica e as condições fisicas da estrada. Já estou embarcando no avião para Recife, onde chego às 23:45hs deste sábado (08), mas os propósitos da expedição continuam com Carlois e Darlan que trarão um bom material de viagem.
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domingo, agosto 9th, 2009
Dois músicos pernambucanos, estabelecidos na Espanha, passam alguns dias no Recife. Os violinistas Israel de França e seu irmão João de França atuam na Orquestra da Cidade de Granada, Andalucia, onde vivem há alguns anos. Na tarde deste sábado, 08, pude comprovar a musicalidade e competência dos dois, num sarau no apartamento do advogado Gilberto Marques. Sem partituras, Israel, no violino, João, na Viola, e Diego, um jovem pianista do Recife, tocaram clássicos eruditos e sucessos populares de bom gosto.
Israel e João nasceram na periferia de Olinda. Israel já foi condecorado com uma medalha da Câmara Municipal de Olinda. Mas ambos merecem muito mais reconhecimento.
Completando a overdose de boa música, apareceu na casa de Gilberto integrantes da orquestra de Jaboatão Sol Maior. Jovens de 16 a 18 anos tocaram música clássica e arranjos do maestro Ricardo Diniz de clássicos nordestinos. Também merecem reconhecimento do público.
Que tarde!
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domingo, agosto 9th, 2009
Entrevista ao Estado de SP, 27/07, de Ben Self (Blue State Digital), peça importante na equipe que criou a campanha Obama na internet. Começou com Howard Dean em 2004 (referência que acompanhamos em 2004, para aprimorarmos (nosso site e rede de e-mails, e lançarmos o Ex-Blog em 2005). Começamos em 1997 com internet. Trechos da entrevista.
1. Não diria que a internet pode fazer ou derrubar o candidato. Obviamente, é muito importante e traz muitas vantagens, mas não foi só a internet que fez o senador Obama presidente, foi uma série de fatores conjuntos. Acho que a grande diferença na forma como a campanha de Obama usou a internet, em relação ao que os outros fizeram no passado, é que ela entendeu como usar a rede para ajudar a conectar voluntários dando a eles ações, que realmente fizeram a diferença na campanha. Então essa foi a grande mudança. Sempre haverá candidatos que se recusarão a abraçar a novas tecnologias. Essa é uma ferramenta importante para falar com eleitores e também para motivá-los. Qualquer candidato que vire as costas para isso está perdendo uma oportunidade-chave e uma grande vantagem.
2. (Qual ferramenta indispensável que uma campanha online deve ter?) Um website dinâmico e interessante que traga pessoas para a campanha e permita que elas façam parte dela. E tem de ter um mailing poderoso, que contenha milhares, milhões de pessoas nele. É provavelmente a peça mais importante de qualquer campanha online. É mais importante, de certa forma, que um bom website. Os sites de relacionamento não são mais importantes que o website, nem que o e-mail, de jeito nenhum. É muito difícil ganhar a eleição “twittando”. Você precisa motivar as pessoas, isso ajuda a ganhar eleição. Isso significa falar com os eleitores, amigos, doar dinheiro. Se você tem um website que fala de você e no qual os seus apoiadores opinam, mas que não motiva seus eleitores para nenhuma ação, você não vai a lugar nenhum.
(Do Ex-Blog de César Maia)
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sexta-feira, agosto 7th, 2009
PESQUISA IPESPE NACIONAL DIAS 22 e 23 de JULHO (telefônica - mil entrevistas)
Conhece ou ouviu falar do sistema de Cotas Sociais?
Conhece-Ouviu falar 37% \ Não conhece 63%.
Pelo sistema de Cotas Raciais, um percentual das vagas nas universidades federais é reservado para estudantes negros, pardos e índios.
Você é: A Favor 53% \ Contra 44%.
Pelo sistema de Cotas só Sociais, um percentual das vagas nas universidades federais é reservado para estudantes saídos das escolas públicas, independente de raça.
Você é: A Favor 84% \ Contra 14%.
Qual destes dois sistemas de cotas para universidades federais, você acha melhor?
Cotas Sociais para estudantes pobres saídos das escolas públicas 75% \ Cotas raciais para estudantes negros, pardos e índios 11%.
No Senado foi apresentada proposta substituindo o sistema de cotas por raça, pelo sistema de cotas para estudantes pobres saídos de escolas públicas independente de raça. Você aprovaria essa substituição?
Sim, a favor 79%. Não, contra 13%.
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sexta-feira, agosto 7th, 2009
No centenário de nascimento do paisagista Roberto Burle Marx, conhecido por seu vanguardismo na montagem de praças e jardins urbanos com a flora nacional, vale contar algumas histórias sobre sua vida, passada em parte no Recife. Burle Marx, falecido em 1994, criou a Praça de Casa Forte, a praça do Clube Internacional - o primeiro jardim temático do paisagismo mundial - e os jardins do Palácio do Campo das Princesas.
Burle Marx, filho de mãe pernambucana e pai alemão, cursou paisagismo em Berlim, antes da aventura hitlerista. Depois de formado, nos anos 30, foi convidado pelo governador pernambucano da época, Carlos de Lima Cavalcanti, para atuar na área de praças e parques. Bem realizou sua obra por aqui, começou a ser perseguido sob a alegação que era comunista - como de fato era -. Em 1937, em plena histeria do Estado Novo varguista, Burle Marx perdeu o emprego no Recife por intrigas do chefe de polícia e de um jornalista e foi para o Rio de Janeiro, onde construiu uma brilhante carreira.
Nos anos 50, ele foi convidado por Juscelino Kubistchek para, juntamente com Oscar Niemeyer, construir o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte. Juscelino, prefeito de BH, contratou Niemeyer para as obras de arquitetura e Burle Marx para o paisagismo. No final da obra faltou verba. Burle Marx ficou sem receber o pagamento mas Niemeyer recebeu. O que gerou uma rusga entre os dois. Juscelino nunca pagou a dívida com o paisagista.
Era uma dupla que não daria certo em Brasília. Para Niemeyer, uma árvore numa praça é uma heresia. Tira a beleza do concreto, como disse em entrevista à imprensa. É o caso do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, no Recife. Já Burle Marx era um amigo do verde. Por sua causa, a bromélia tornou-se doméstica e comum nas decorações. Ele trouxe para o espaço urbano a flora nacional, para o dia-a-dia dos pernambucanos e brasileiros.
Que os adeptos de Burle Marx continuem espalhando o verde num mundo em que o concreto stalinista de Niemeyer prevalece.
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