Posts de outubro, 2008
sexta-feira, outubro 31st, 2008
Mídia, interatividade e internet: a experiência no portal JC OnLine. Esse foi o tema da palestra realizada na quinta (30), no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A exibição fez parte do II Seminário Marketing na Internet, promovido pelo Centro de Estudos em Marketing e Pessoas, do programa de pós-graduação em administração da universidade. O diretor de novas mídias do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), Gustavo Theodozio, e o gerente de marketing do JC OnLine, Felipe Menezes, foram os palestrantes.
Theodozio explicou que uma das maiores inovações do portal é a interatividade com os usuários. A preocupação com esse item foi o que fez nascer o meujc.com, site com conteúdo exclusivamente produzido pelos internautas. “Nós acreditamos que não existem mais meros espectadores”, afirmou.
Em seguida, ele falou sobre a integração de conteúdo em prol do mercado publicitário. “Hoje, os investimentos publicitários em mídia online representam 3,4% do total do mercado no Brasil. As empresas brasileiras ainda não acordaram para as possibilidades do veículo”, ressaltou. “A internet já é um veículo de massa. A prova disso é que ocupa o segundo lugar, ficando atrás apenas da televisão. Quem acha que a internet é uma mídia que ainda vai acontecer, está enganado. Ela já está acontecendo”, completou Theodozio.
Para os gestores, quatro itens são fundamentais quando se fala em marketing e internet. O primeiro é a integração entre a rede e os demais veículos, como rádio, televisão e jornal. Em segundo lugar, a interatividade, que permite que os usuários produzam conteúdo, e, em terceiro, a característica multimídia, que une texto, vídeo e áudio. “A inovação também é essencial. Na internet, não há barreiras para a criação. O importante é criar algo inovador que possa ser absorvido pelo mercado”, concluiu o diretor.
(Do Jornal do Commercio)
Postado em Imprensa | Nenhum Comentário »
quinta-feira, outubro 30th, 2008
Pedro Obama BBBial se superou. O repórter da Rede Globo enviado aos Estados Unidos para puxar o saco - a concorrência é grande - do candidato democrata à presidência dos EUA fez a narração, com a picardia e a babosidade que lhe é peculiar, de uma reportagem da TV do Wall Street Journal sobre uma família McCain, que não é parente do candidato republicano John McCain.
Trata-se de uma família negra, descendente de escravos na terra do republicano que adotou o sobrenome do bisavô do candidato depois da libertação dos cativos. BBBial ressaltou que os escravos pertenciam ao antepassado de McCain. Que não devia ser tão ruim assim, já que os recém libertos adotaram seu sobrenome.
E tem mais. Além de induzir a qualificação de racista a McCain, BBBial disse que esses McCain negros são eleitores de Obama. É ruim?
Com todo o apoio da mídia americana ( e de seus clones internacionais) Obama ainda está em empate técnico com McCain. Esqueceram de levar João Paulo para lá.
E ainda tem outra história: a imprensa americana está soprando que a candidatura de Obama pode ser vítima do racismo silencioso da população americana. Bradam a vitória, mas buscam justificativa para uma possível derrota. Eita candidato fraco.
Postado em Internacional | Nenhum Comentário »
quinta-feira, outubro 30th, 2008
Já que está na moda entrevistas nos blogs com o cientista político e marquereiro Antonio Lavareda em busca de explicações sobre a última eleição municipal do Recife que elegeu João da Costa para o cargo do seu compadre, prefeito João Paulo, a revista Algomais antecipou a sua, publicando o texto abaixo antes do pleito. Saiu na edição de setembro de 2008.
A história dessa entrevista é curiosa. Depois de pronta e editada, o juiz eleitoral do TRE decidiu pela cassação da candidatura de João da Costa, acusado de crime eleitoral, o que causaria um sério problema editorial e industrial. Mas, felizmente, não determinou sua suspensão imediata. A decisão final do TRE está marcada para 18 de dezembro.
————————————————
Economia alavanca candidatura de João da Costa
Antonio Magalhães
Aliança | Para retomar o poder, a União por Pernambuco precisa embaralhar as cartas e distribuí-las de outra forma. Com as mesmas cartas de 2006 ficará difícil ganhar eleição
Gênio ou vilão do marketing político, o cientista político pernambucano Antonio Lavareda, está pela segunda vez, desde 1985, quando iniciou sua caminhada como marqueiro, fora de uma campanha eleitoral em Pernambuco. Mas por vontade própria e não por qualquer veto, como desejariam os adversários. Dois dos candidatos à Prefeitura do Recife, Mendonça e Raul Henry, são seus amigos. Não teria condições de atacar um ou outro.
Presidindo a MCI – Estratégia , Lavareda, mestre em Sociologia e doutor em Ciência Política, atuou como o principal analista de comunicação institucional de Fernando Henrique Cardoso. E hoje atende a clientes políticos e governantes em vários pontos do País. Autor de cinco livros sobre política e eleições, ele é um observador privilegiado, o que lhe permite entender a subida rápida dos índices de João da Costa, candidato de João Paulo à prefeitura, e vislumbrar os desdobramentos dessa eleição no próximo pleito de 2010.
Agora, a entrevista de Antonio Lavareda à Algomais :
Algomais | Por que João da Costa cresceu tão rápido nas pesquisas?
Antonio Lavareda | Nesta eleição o efeito da televisão é muito maior do que foi na eleição de 2006, na qual o tempo tinha que ser dividido entre os candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal e estadual. Cada candidato agora tem um tempo maior, principalmente na propaganda distribuída pela programação das TVs, em forma de comerciais. Isso explica o movimento abrupto nas curvas de intenção de voto. Além do mais a população do Recife ficou conhecendo o candidato do prefeito João Paulo, também apoiado pelo presidente e pelo governador, favorecendo o seu crescimento rápido. E os adversários ainda cometeram equívocos na campanha.
AM | Quais foram os equívocos?
AL | O candidato Mendonça começou a campanha com um posicionamento equivocado. O slogan “Fazer mais e melhor” pareceu mais como o discurso da continuidade. No decorrer do processo assumiu um tom mais agressivo mas não se caracterizou de imediato como o candidato da mudança. E foi caindo. Mendonça tinha um capital de popularidade ainda de 2006, quando teve 43% da votação do Recife, mas a boa imagem para esta campanha, com índice acima dos 30% das preferências, foi consumida com os erros da campanha.
AM | E Cadoca?
AL | O candidato Cadoca, que inicialmente esteve bem próximo dos índices de Mendonça, capitalizava ainda os índices da campanha de 2004, quando concorreu à prefeitura do Recife. Mas cometeu um deslize de marketing político que lhe custou caro: tentou se apresentar como candidato do governador e do presidente Lula. Passando uma falsa idéia de que era o preferido dos dois. E que poderia contar com eles mais adiante. Mas isso é muito diferente de ser o candidato real de Lula e Eduardo Campos, no caso o João da Costa, fato conhecido pela população. Cadoca começou a disputar uma eleição como uma segunda alternativa. E novamente João da Costa se beneficiou do equívoco do candidato do PSC.
AM | E Raul Henry?
AL | O candidato Raul que tem como slogan “Novo Recife”, desperdiçou seus primeiros dias de campanha na TV sem dizer o que pensava sobre a mudança que promoveria na cidade. Também não posicionou sua campanha criticamente em relação a João Paulo. O “Novo Recife” ficou parecendo recurso de ordem retórica. Então João da Costa começou a crescer por conta do mau posicionamento, dos equívocos, dos adversários. E adicionou um bom desempenho pessoal nos momentos em que esteve exposto à avaliação das pessoas: João da Costa mostrou que estava longe de ser um poste apenas, como seus adversários apregoavam.
AM | Quer dizer que a Oposição não se caracterizou como tal?
AL | A Oposição fez a leitura da força de João Paulo (índice de aprovação de 63%) e se esquivou de combater diretamente sua administração e seu candidato desde o primeiro dia. É óbvio que é uma eleição muito difícil para a Oposição. Mas ela poderia ter marcado melhor o seu espaço, sobretudo, numa cidade como o Recife que tem inúmeros problemas . E além disso a gestão petista, que já chega perto dos 10 anos, sobre vários aspectos, não ofereceu respostas mais efetivas às demandas da população.
AM | É notório que o candidato João da Costa se aproveita da popularidade do prefeito João Paulo. Mas em 2006, Jarbas Vasconcelos também tinha uma excelente popularidade quando deixou o Governo do Estado. E esse índice não ajudou Mendonça Filho. O que diferencia os dois momentos?
AL | Em primeiro lugar há uma diferença grande entre esta eleição para prefeito e a de 2006 para governador. Agora há o secretário que é candidato e não o prefeito. Em 2006, Mendonça era o governador. Podia ser cobrado diretamente pelo público a respeito das ações da sua administração. Na campanha, Mendonça se apresentava como candidato e como governador. E as promessas que fazia como postulante ao cargo ficavam prejudicadas porque ele estava sentado na cadeira de governador. E lembre-se também que a popularidade de Mendonça era bem menor do que a de Jarbas. O eleitorado terminou homenageando Jarbas com a votação expressiva para o Senado.
AM | Mas teve também a força eleitoral do candidato Lula?
AL | Claro. Foi um fator decisivo em 2006. Lula teve em Pernambuco quatro quintos dos votos dos pernambucanos. As pessoas tinham duas opções: votar num candidato que tinha participado de um bom governo, o Mendonça, ou votar num candidato que tinha pela frente a perspectiva de contar com o apoio entusiasmado de Lula para levar adiante os novos projetos. Esse raciocínio foi feito também na Bahia e no Ceará. Nesses estados, os governadores que tentavam a reeleição estavam muito bem avaliados pela população, mas foram derrotados pela onda petista de Lula. O fato de Mendonça ainda levar a eleição para segundo turno, portanto, pode ser considerado um feito notável naquela conjuntura.
AM | A visão de futuro, de olho na administração Lula, vale também para esta eleição municipal?
AL | Acredito que não. O papel de Lula na eleição de 2006 foi bem maior. O presidente cumpre agora um papel menos importante, uma vez que não é candidato e só tem mais dois anos de governo. O que realmente está impulsionando os candidatos de Lula é a economia, os bons resultados econômicos. O decisivo tem sido a performance dos atuais prefeitos. Não que exista uma safra excepcional de governantes municipais, mas do mesmo modo que a economia alavanca a popularidade de Lula, ela ajuda os prefeitos. Melhora o humor da população, permite o aumento do consumo e acresce recursos aos municípios para novas obras que geram popularidade.
AM | Qual o peso da bolsa-família nessa eleição?
AL | Bem menor do que em 2006. Ela ajuda os candidatos de Lula, mas sofre um decréscimo de influência no voto. E em 2010 influenciará muito menos. É natural esse movimento.
AM | Há possibilidade do prefeito João Paulo, no caso de uma vitória retumbante de João da Costa, vir a ser candidato a governador em 2010 se o PSB apresentar Ciro Gomes como postulante presidencial?
AL | A análise política dos últimos meses favorece a suposição de que esse bloco (PT e PSB) venha a estar unido em torno da reeleição de Eduardo Campos. O PSB parece ter abandonado a hipótese de uma candidatura própria, o que o coloca como aliado do projeto presidencial do presidente Lula. E hoje os socialistas têm uma dimensão importante na política brasileira, somando mais tempo no guia eleitoral da TV para o candidato de Lula. É natural, portanto, que peçam uma contrapartida, que será o apoio de Lula a Eduardo Campos, o presidente nacional do PSB. A possibilidade para João Paulo é se Eduardo Campos estiver com baixo índice de aprovação nas pesquisas. Aí o prefeito surge como a melhor opção para este bloco político.
AM | Diante da perspectiva de continuidade na Prefeitura do Recife e no Governo do Estado do grupo político PSB/PT e aliados, há ainda alguma chance de retomada do poder por parte da aliança União por Pernambuco – PMDB, PSDB e Democratas – que governou o Recife e Pernambuco por quase dez anos?
AL | Acredito que as mudanças passam sempre por rearranjos políticos. Antes mesmo da eleição de 2006 houve um sinal importante apontando problemas à frente. Um bloco de deputados federais deixou a aliança UP para inicialmente montar uma terceira via, mas depois se associaram ao bloco que hoje governa Pernambuco. A votação desses parlamentares somava algo em torno de 600 mil votos. A dissidência atingiu num determinado momento 40% da bancada federal pernambucana. E a ausência desses votos foi fundamental para a derrota de Mendonça. Para a retomada da aliança União por Pernambuco, num outro formato, serão precisos novos arranjos políticos em busca de uma vitória em 2010. Há que se procurar novos aliados e perseguir um novo quadro político. É preciso embaralhar as cartas e distribuí-las de outra forma. Com as mesmas cartas de 2006 ficará difícil retomar o poder.
AM | Isso quer dizer que não existe grupo hegemônico em Pernambuco. O PT ou o PSB não podem atuar só no Estado?
AL | Essa é hoje uma característica da política pernambucana . Não há uma só liderança ou partido que isoladamente possa dar as cartas do jogo. Qualquer força política para se sagrar vitoriosa em 2010 dependerá inteiramente das alianças que tem hoje ou que vai montar na Oposição.
AM | Essa é a primeira eleição que você não participa diretamente em Pernambuco?
AL | Não, estive fora da eleição de 1994. Estava totalmente envolvido na primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso. Em relação à campanha de 2008, desde o ano passado tive alguns convites, mas tomei a decisão de não participar da eleição porque sou ligado a dois candidatos Mendonça e Raul. O que está sendo muito bom na medida em que é um exercício intelectual, permite uma visão mais distanciada do processo. É uma experiência enriquecedora intelectualmente.
AM | A decisão é um sinal de que não mais participará de campanhas em Pernambuco?
AL | Olha, eu estou gostando tanto disso. Talvez seja difícil voltar a atuar aqui no Estado.
AM | Alguns o classificam no marketing político como gênio e outros como um grande vilão. Quem é você?
AL | Eu prefiro responder a isso com números. A MCI coordenou 13 campanhas em Pernambuco. Dessas, 10 foram vitoriosas. Participamos da derrota de três. São 80% de aproveitamento. Em qualquer lugar do mundo essa é uma marca excelente.
AM | E o vilão?
AL | Isso tem uma explicação. Às vezes um candidato derrotado precisa colocar a responsabilidade em alguém. Não é um bom comportamento. Imagine um candidato que perde uma eleição e pretende que a comunicação seja a responsável por sua derrota. Jamais a comunicação será responsável pela vitoria ou pela derrota. Por isso digo que participei de vitorias e não que ganhei a eleição. Em segundo lugar, é bom lembrar que se a gente ganhasse 100% das campanhas isso ia me deixar numa posição arrogante achando quem deveria ser o candidato era eu.
Postado em Algomais Entrevistas | 1 Comentário »
quarta-feira, outubro 29th, 2008
O Náutico conseguiu um ponto em Porto Alegre ao empatar, nesta quarta (29), por 1×1 com o Internacional. E entrou com ele na zona de rebaixamento. Cumpre seu destino. Depois dessa os alvirrubros não têm mais o direito de morrer na praia. Já não há mais praia.
Postado em Esporte | Nenhum Comentário »
domingo, outubro 26th, 2008
Depois de conviver anos com ruídos e sons do estádio dos Aflitos em dias de jogos de futebol- moro num prédio vizinho - me decidi a ver uma partida do Naútico, exatamente a deste sábado (25) contra a Portuguesa de Desportos pelo Campeonato Brasileiro. Com ingresso oferecido à minha porta por R$ 10,00, da campanha Todos com a Nota, não pude fugir da curiosidade e do dever de alvirrubro de ir pelo menos uma vez por ano ao campo, mais ou menos como os muçulmanos são obrigados a ir pelo menos uma vez na vida à Meca, a cidade sagrada deles.
E preferi ir só. Permite melhor observação dos fatos e feitos. Munido dos apetrechos do torcedor - radinho de pilha e ingresso - me vi num mar vermelho e branco. O meu bermuda verde e a camisa azul me fizeram um completo outsider na arquibancada. Tive até receio de ser confundido com um torcedor adversário. Nos novos gritos de guerra, silenciei por desconhecimento. Mais risco para mim. Só o N-A-U-T-I-C-O faz parte do meu passado de torcedor do Hexa, há 40 anos. Até aí, tudo bem.
Tudo no estádio tende a desagradar para quem gosta do futebol na TV: boa cadeira, boa visão do estádio, replay, cozinha e banheiro próximos. O assento é de cimento áspero e quente. A passagem contínua de vendedores de cerveja e refrigerantes diante da gente é de enlouquecer. No meio do jogo, a torcida se levanta e até o final fica assim. A visão fica prejudicada e ver um gol do outro lado do campo só de binóculo, como bem fez um torcedor vizinho.
Antes do jogo, o blá-blá-blá dos locutores da CBN, que decidiram agora a crucificar o técnico do Náutico, Roberto Fernandes, pelos mistérios do treinamento e pelos maus resultados. Na verdade, não é só culpa dele. O time alvirrubro tem uma defesa decepcionante, que parece cochilar em campo ou lhe falta futebol. O meio de campo, mais esperto, é pouco hábil. Já o ataque, com Felipe, tem mais mobilidade mas não pode, só, fazer muita coisa. A insistência da torcida em Kuki é lamentável. Faria mais em campo o mascote do Náutico, um timbu fantasiado.
Ver o Náutico jogar é vergonhoso. Milhares de masoquistas sofrem semanalmente esse desgosto. Os sádicos da diretoria não se tocam. Se o time ficar na segunda divisão é de bom tamanho para o seu futebol. O empate da Portuguesa aos 44 minutos do segundo tempo, em que o Náutico acovardou-se, foi a pá da cal na sepultura alvirrubra.
Este foi um momento alvirrubro. Mas que momento!
Postado em Esporte | Nenhum Comentário »
sábado, outubro 25th, 2008
“No exílio ele foi o mais hospitaleiro dos brasileiros. No Chile, na França, e depois em Portugal, seus ouvidos, sua porta e sua mesa sempre estiveram abertos aos perseguidos de todas as facções.” David Lerer
Outubro. Daqui a pouco vou pegar o ônibus de São Sebastião para o Rio de Janeiro no ponto em frente à Petrobrás.
Neste mesmo mês de Outubro, há 40 anos, em 1968, chegava ao Brasil Sua Majestade a rainha Elisabeth II da Inglaterra; seu marido, o príncipe Phillip, que chegou em carro separado na visita ao Congresso Nacional em Brasília, foi barrado e sacudido pela segurança. No Iate Clube do Rio de Janeiro, uma senhora que tentou falar com a rainha foi esbofeteada pela polícia. Tempos difíceis.
O grande assunto em Brasília, porém, não era a rainha da Inglaterra e sim o pedido de cassação do deputado e jornalista Marcio Moreira Alves. O clima político fervia. Ainda em Outubro, 720 estudantes eram presos no 30º. Congresso da União Nacional dos Estudantes na pequena cidade de Ibiúna, interior de São Paulo.
O carioca Marcio, Marcito para os íntimos, mais o mineiro Edgar da Matta Machado, o catarinense Doin Vieira e o paulista David Lerer, eu mesmo, quatro deputados federais do velho MDB, vivíamos juntos numa “republica” no então deserto Lago Sul de Brasília. Uma casa boa num vasto terreno. Pagávamos o aluguel de nosso bolso, e não da Câmara. Em pouco tempo a imprensa carimbou-a como a “republica socialista do Lago”. Um de nossos hóspedes ilustres foi o poeta chileno Pablo Neruda.
Em 13 de Dezembro veio o AI-5, e fomos todos cassados, entre eles o professor Fernando Henrique Cardoso, da USP. Mas isso não vem ao caso.
Estou falando do Marcio. No exílio ele foi o mais hospitaleiro dos brasileiros. No Chile, na França, e depois em Portugal, seus ouvidos, sua porta e sua mesa sempre estiveram abertos aos perseguidos de todas as facções. Uma paciência infinita.
Quando voltei de Angola, em 1977, saído da prisão depois de um golpe militar, com mulher e uma filhinha de meses, foi em sua casa que fui me alojar.
Grande jornalista. Premio Esso por uma reportagem de 1957 transmitida por telefone, com uma bala na perna, da Assembléia Legislativa de Alagoas.
O interessante é que, poucos meses após ter retornado do exílio o Marcito, sem desanimar, estava já escrevendo um livro reportagem chamado “A Força do Povo, democracia participativa em Lages, Santa Catarina”. Publicado em 1980, teve 8 reedições. Um sucesso.
Nos anos 90 foi comentarista político do Globo e do Estadão em Brasília. Mas, para fazer o contraponto do baixo astral da política diária, inventou os “sábados azuis”, onde descrevia de maneira otimista o gênio e a força do povo brasileiro.
Mesmo doente ia para os cantos mais escondidos de nosso vasto país para descrever uma situação positiva, uma boa ação, um brasileirinho ou brasileirinha, de olhos brilhantes, dispostos a ajudar o próximo.
O Marcio jornalista fez escola. Escrevia bem, depressa e com facilidade. Muita cultura, muitas viagens. Publicou vários livros.
Sem duvida é um dos maiores jornalistas brasileiros. Pela coragem, creio que é o maior dos contemporâneos.
É por causa dele que estou pegando o ônibus para o Rio. O Marcio está hospitalizado no Hospital Samaritano em Botafogo, no Centro de Tratamentos Intensivos, e não está bem.
É um dos últimos da geração de combate dos anos 60.
Rezem por ele.
__________________________________________________________________
*David Lerer é médico e ex-deputado federal
Postado em Política | Nenhum Comentário »
quarta-feira, outubro 22nd, 2008
O procurador regional eleitoral Fernando José Araújo Ferreira, que representa o Ministério Público Federal (MPF), divulgou nesta terça (22) parecer em que se posiciona contra a cassação e a inelegibilidade do prefeito eleito João da Costa (PT), acusado de abuso de poder político e econômico por uso da máquina para fins eleitorais.
Costa, da coligação Frente do Recife (PCdoB-PDT-PMN-PTB-PRP-PTdoB-PT-PSDC-PR-PSB-PTN-PRB-PRTB-PSL-PHS) disputou a eleição "sub judice" e ganhou no primeiro turno.
João da Costa foi cassado em primeira instância pelo juiz das Investigações Judiciais, Nilson Nery, no dia 23 de setembro, a partir de ação do Ministério Público Estadual (MPE), que também pediu a cassação do prefeito João Paulo (PT), negada pelo juiz.
Apesar do parecer, o procurador defende a aplicação de multa no valor de 70 mil Unidades Fiscais de Referência (UFIRs) - cerca de R$ 70 mil - para Costa e de igual valor para o atual prefeito João Paulo (PT).
João da Costa foi cassado em primeira instância pelo juiz das Investigações Judiciais, Nilson Nery, no dia 23 de setembro, a partir de ação do Ministério Público Estadual (MPE), que também pediu a cassação do prefeito João Paulo, negada pelo juiz. Costa, da "Frente do Recife", disputou e ganhou as eleições no primeiro turno, sub judice.
O parecer do procurador segue agora para a relatora do processo, desembargadora Margarida Cantarelli, que poderá proferir sua sentença - confirmando a cassação em primeira instância ou absolvendo o prefeito eleito - baseando-se de forma total, parcial ou recusando todos os argumentos do parecer do procurador. A sentença da relatora será julgada pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), em data ainda não definida.
O procurador argumentou em seu parecer que a vontade popular deve ser preservada, tendo em vista que os fatos apurados não impediram João da Costa de ser eleito.
Ele também observou que a punição deve ser proporcional às irregularidades cometidas - a troca de e-mails entre servidores públicos da Secretaria municipal de Educação em beneficio da campanha de João da Costa, e a sua promoção pessoal por meio da revista do Orçamento Participativo.
A edição foi lançada em março, quando João da Costa era secretário municipal do Planejamento e Orçamento Participativo e preferido do prefeito para disputar sua sucessão. As multas, juntas, equivalem ao gasto da revista do Orçamento Participativo, que custou R$ 145.540,00 aos cofres municipais.
(Da Agência Estado)
Comento
É difícil acreditar que um representante do Ministério Público Federal argumente de forma tão irresponsável para livrar o prefeito eleito do Recife, João da Costa, das penas da lei. Disse Fernando José Araújo Ferreira: a vontade popular deve ser preservada, tendo em vista que os fatos apurados não impediram João da Costa de ser eleito.
Em alguns municípios do País candidatos a prefeito e a vereador estão bem mais enroscados com a lei do que João da Costa e foram eleitos. Isso não quer dizer que os votos os inocentaram. Pior para a Democracia é quando a suposta vontade popular passa por cima das leis que dão o verdadeiro respaldo ao regime democrático.
Postado em Política | Nenhum Comentário »
quarta-feira, outubro 22nd, 2008
Barack Obama suspendeu a campanha eleitoral à presidência dos Estados Unidos para visitar a avó que se encontra adoentada, dizem as agências de notícias. Há quem acredite que, com este gesto, ele esteja querendo conquistar o voto dos idosos. Mostrar-se respeitoso e atencioso com os mais velhos.
Difícil de crer. Se Obama respeitasse os idosos deixava o "velhinho" McCain ganhar as eleições.
Postado em Internacional | Nenhum Comentário »
quinta-feira, outubro 16th, 2008
A Especializa Treinamentos, do Recife, abre neste final de semana o seu mais exdrúxulo e inoportuno curso: como atuar na bolsa de valores para aproveitar "o melhor momento dos últimos anos para investir na bolsa de valores". Diz ainda no seu folder eletrônico, distribuído na quarta (14) por email para muitas pessoas: "Aprenda a investir com segurança com as técnicas ensinadas no curso e descubra qual ação comprar. Quando comprar? Quando vender?"
Talvez a empresa fizesse melhor negócio transferindo seu curso para Nova Iorque. Aqui, no Brasil, o movimento da bolsa é de alto risco. Ninguém quer comprar e todos querem vender.
Postado em Comportamento | 2 Comentários »
quinta-feira, outubro 16th, 2008
Passei a ser produtor mineral já algum tempo. Em duas décadas produzi cálculos renais de oxalato de cálcio, resgatados com ajuda da tecnologia médica. Da última vez, por conta dos procedimentos - pouca alimentação e muito soro - e de uma dieta rigorosa a posteriori perdi em torno de seis quilos. Pela diferença de peso, Zezé me perguntou se os seis quilos teria sido o tamanho da pedra.
Pela conta do hospital, teria que produzir ouro para pagá-la. Mas o seguro saúde me salvou.
Outro incômodo foi a Uveite, a inflamação da Úvea. Para quem não sabe é a inflamação da membrana que cobre a parte de trás do globo ocular. E uma coisa puxa outra. Ao fazer o exame laboratorial para descobrir a causa da Uveite - terminou não sendo identificada claramente - foi descoberta uma fina camada de gordura no fígado, a esteatose, e a presença de porosidade no fêmur direito. Resultado mais remédios e dietas.
O que me faz lembrar a máxima de Millôr Fernandes sobre os médicos: "Não deixe abrir o capô". Como em todas as oficinas se o capô do carro é aberto o mecânico certamente vai descobrir defeitos (ou doenças, no caso). Porém tudo isso valeu como um aviso para eu me cuidar mais.
A novidade, voltando ao reino mineral, é que estou produzindo agora, ao lado dos cálculos renais, Ferro em excesso no sangue, a Ferratina. Nada de comunicar o fato a siderúrgica CSN. Essa Ferratina é perigosa quando não tratada. Mas de fácil combate se vista a tempo.
Já estou antecipando as recomendações depois dos exames: nova dieta alimentar, tirando alimentos ricos em ferro, exercícios físicos, como fosse fácil para um jornalista adepto de uma poltrona e leitura, e o fim da fumaça produzida por mim.
Parodiando o filósofo espanhol Ortega y Gasset: "soy yo y mis limitaciones".
Postado em Saúde | Nenhum Comentário »