Posts da Categoria ’Comportamento’
domingo, 09-08-2009 |
O advogado Sílvio Amorim, ex-vereador do Recife, juntamente com dois amigos, se dispôs a a cruzar a Rodovia Transmazônica do Oeste ao Leste, começando a viagem de moto em Labrea, no Amazonas, até Cabedelo, na Paraíba. Ele quer abrir uma rota de viajantes adeptos de aventuras. Mas um acidente abreviou sua viagem. Veja seu relato para este blog, por email.
Depois de cumprir 750km dos 4.800km previstos, fui abatido pelas circustâncias impostas pelo caminho. Chegamos a Labrea-AM, última cidade da Transamazônica, às margens do rio Purus, onde passamos o dia fazendo o registro de uma cidade que não é o fim do mundo, mas com certeza é no fim do Brasil. Depois é só selva.
Para minha surpresa, uma cidade pequena, mas com um povo muito vigoroso. Cruzava nas ruas e principalmente no porto com indios comunicando-se em suas línguas. Após três dias de estrada, dentro dos 12 previstos, um acidente me tirou da expedição. Os incidentes e quedas eram constantes. Todos nós, Carlois, Darlan e eu, já tínhamos caído algumas vezes. Infelizmente, ou felizmente, pois podia ter sido pior, na minha última queda fraturei o pé direito, o que impossibilita a continuação, pois se precisa dos dois pés para segurar a motocicleta nas derrapagens.
O acidente foi por volta das 17:00hs. Ainda fiquei uma hora na estrada com os companheiros fazendo os primeiros socorros, o que foi importante para evitar uma infecção. Retornei a Humaita-AM, com o apoio de um caminhoneiro “Anjo da Guarda” (Antonio Pereira dos Reis). Fui bem atendido no hospital local às duas da madrugada.
Todo o registro de imagens vai continuar com Carlois e Darlan, até porque o principal de tudo isso são os registros sobre o povo às margens da Transamazônica e as condições fisicas da estrada. Já estou embarcando no avião para Recife, onde chego às 23:45hs deste sábado (08), mas os propósitos da expedição continuam com Carlois e Darlan que trarão um bom material de viagem.
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sexta-feira, 07-08-2009 |
PESQUISA IPESPE NACIONAL DIAS 22 e 23 de JULHO (telefônica - mil entrevistas)
Conhece ou ouviu falar do sistema de Cotas Sociais?
Conhece-Ouviu falar 37% \ Não conhece 63%.
Pelo sistema de Cotas Raciais, um percentual das vagas nas universidades federais é reservado para estudantes negros, pardos e índios.
Você é: A Favor 53% \ Contra 44%.
Pelo sistema de Cotas só Sociais, um percentual das vagas nas universidades federais é reservado para estudantes saídos das escolas públicas, independente de raça.
Você é: A Favor 84% \ Contra 14%.
Qual destes dois sistemas de cotas para universidades federais, você acha melhor?
Cotas Sociais para estudantes pobres saídos das escolas públicas 75% \ Cotas raciais para estudantes negros, pardos e índios 11%.
No Senado foi apresentada proposta substituindo o sistema de cotas por raça, pelo sistema de cotas para estudantes pobres saídos de escolas públicas independente de raça. Você aprovaria essa substituição?
Sim, a favor 79%. Não, contra 13%.
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quarta-feira, 08-07-2009 |
Coisas do mundo pop americano. Um show milionário, nesta terça, 07, para 20 mil pessoas diante de um caixão funerário supostamente banhado em ouro, que poderia ou não estar abrigando o falecido Michael Jackson. Caso fosse comprovada a presença do corpo do cantor haveria o risco da multidão avançar sobre a urna para retirar lembranças. Não é por nada que Los Angeles é tida como o paraíso dos freaks.
Todos os irmãos de Michael Jackson usavam apenas uma luva brilhante, ternos escuros, gravatas amarelas e flor amarela na lapela. Não se sabe se depois dessa figuração será possível reverter o testamento do morto que não deixa nada para a irmandade. E que irmandade!
E, por fim, a filha do Jackson, de 11 anos, vista sempre de máscara para não ser exposta à mídia, falou da dor pela ausência do pai. Emocionada, viu os tios e tias empurrarem o microfone na sua boca para continuar a lamentação. Cruel.
A capa da revista Piauí estava certa quando alertou que em seu último número não tinha uma linha sobre Michael Jackson. Ninguém aguenta mais!
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terça-feira, 23-06-2009 |
É típico do jornalista. Ele gosta de trabalhar em dias feriados. Nem mesmo a dificuldade para conseguir uma informação substanciosa tira o prazer de estar numa redação esvaziada. Paira nele um sentimento de onipotência. Enquanto todos se divertem ou descansam ele está ali atento ao mundo, tomando conta da humanidade.
E pronto para ser acionado a qualquer momento para o centro dos acontecimentos. À espera de algo que justifique sua presença na redação, como os soldados do forte do “Deserto dos Tártaros”, livro do italiano Dino Buzatti, que expressa esse sentimento por meio dos militares preparados para o inimigo. Buzatti, jornalista, baseou-se em plantões de redação para escrever o livro.
Em homenagem aos plantonistas começo a postar meu blog hoje, dia de São João, feriadão em Pernambuco. O mundo pode descansar: haverá sempre um jornalista de plantão na redação.
Há um ano, com este post, comecei o meu blog. O espaço foi bem aproveitado e, espero, bem entendido pelos leitores. Tem sido um local de debates, uma praça pública na qual, de vez em quando, é preciso botar ordem para manter a civilidade das discordâncias.
Este blog continuará na defesa da Democracia e reafirma, um ano depois, seu objetivo de informar, opinar e propor discussões sobre temas que mexem com a sociedade pernambucana e brasileira.
Parabéns para mim!
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terça-feira, 23-06-2009 |
A proposta do senador Gilvan Borges (PMDB-AP) de acabar com o exame da ordem dos Advogados do Brasil (OAB), indispensável para o exercício da profissão de advogado, gerou muitos comentários de internautas no blog.
Na sua proposta - sintetizada no post de 19 de setembro de 2008 -, Borges diz que “a um simples exame não se pode atribuir a propriedade de avaliar devidamente o candidato, fazendo-o, dessa forma, equivaler a um sem-número de exames aplicados durante todos os anos de curso de graduação, até porque, por se tratar de avaliação única, de caráter eliminatório, sujeita o candidato à situação de estresse e, não raro, a problemas temporários de saúde”, justifica o senador.
Os comentários a favor do exame OAB lembram a qualidade duvidosa das inúmeras faculdades de Direito espalhadas pelo País. Já os que defendem o fim do exame alegam a formação de uma reserva de mercado, de corporativismo, acenam até, os descontentes, com a inconstitucionalidade do exame.
É uma discussão oportuna, no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo fim da exigência do diploma de Jornalismo para exercício da profissão. Há muito do que se falar sobre a Advocacia. O debate é válido e não deve ficar restrito apenas aos advogados.
Leia o post “Senador pode acabar com exame da OAB”
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segunda-feira, 08-06-2009 |
Postei na seção de enquetes, à direita da página inicial deste blog, uma pesquisa a respeito do jeito de ser dos recifenses e dos pernambucanos, com base no post abaixo : “O Recife falando para o Recife”.
Quero saber se somos Cavalcanti ou Cavalgados? Ou isso é uma besteirada maior?
Colaborem.
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sábado, 06-06-2009 |
“O detalhe crucial, revelador do ethos do Recife, é o fato de a crítica mais acerba a esses arroubos é feita… pelos próprios recifenses, sendo incomum, por aí afora, essa percepção crítica do próprio ufanismo.
“Porque o ethos do recifense é de um cara crítico e autocrítico ao extremo, beirando a auto-ironia e o sarcasmo. Some-se a isso um radicalismo que creio ter origem na formação histórico-econômica do Estado, processada sob a égide da cana-de-açúcar, uma monocultura latifundiária que abre um fosso social terrível cujas conseqüências alcançam até os dias atuais. Daí, a célebre “boutade” de Jerônimo Vilela, já no século 19: “Aqui, quem não é Cavalcanti é Cavalgado.”
“Esse radicalismo, bem visível na política, estende-se ao campo cultural: de um lado, os defensores extremados e o seu tanto xenófobos do bumba-meu-boi e do maracatu, da cultura popular, enfim, e de outro, os adeptos de todo o tipo de influência estrangeira, a ironizarem com a expressão “bumba-meu-ovo”. Movimento Armorial x Mangue Beat, dilema nacional escancarado desde a época do Tropicalismo, mas particularmente agudo nessas plagas”.
(Trecho da palestra do jornalista Homero Fonseca, que vive no Recife há 40 anos, no Sarau Plural. O texto completo está no blog Homero Fonseca)
Comento
A percepção de Homero - bom amigo e jornalista maior - é a de muita gente do Recife. Mas há também pessoas que pensam diferente, que não aceitam este paradigma que aprisiona a mentalidade do recifense nesse conceito retrógrado. A repetição repetidamente repetida (perdoe, é só uma ênfase) termina ganhando ares de verdade absoluta. E se fosse enfatizado daqui para frente que é possível ser crítico sem ser destrutivo, que opiniões divergentes são benéficas aos debates e que a convivência dos contrários faz bem à saúde, talvez se mudasse a história dos Cavalcanti e Cavalgados.
Vamos quebrar esse paradigma do dualismo recifense. Ficar preso nessa teia passadista não leva a canto algum.
PS - Nasci no Recife e nunca me senti Cavalcanti ou Cavalgado, nem corda de caranguejo numa lata.
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segunda-feira, 04-05-2009 |
A morte de diretor teatral Augusto Boal, aos 78 anos, me fez lembrar um episódio aqui no Recife que o tirou do sério. Ao trazer para a cidade, nos anos 80, o seu Teatro do Oprimido, no qual o público era transformado em autor, Boal teve que enfrentar uma situação muito difícil. Incompreensível para quem o tinha como um artista sujeito a situações inusitadas.
Apresentando seu espetáculo com a participação da platéia na Igreja do Carmo, em Olinda, Boal sugeriu que todos ficassem à vontade para assumir os papéis que mais se aproximassem do seu Eu. O fotógrafo Xirumba, legenda em Olinda e nos meios alternativos, radicalizou a proposta de Boal: tirou toda a roupa e circulou nu pela igreja.
Boal chamou a atenção de Xirumba, talvez com receio dos donos da casa – os padres carmelitas de Olinda. E a partir da contestação abusada de Xirumba ao pedido de Boal, começou uma discussão na platéia sobre liberdades individuais, repressão, essas coisas que encantam os alternativos.
O diretor saiu chateado do evento. Xirumba foi o herói da noite. Foi o homem que perturbou Boal, coisa que nem a ditadura militar conseguiu fazer.
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terça-feira, 28-04-2009 |
O porco não tem sorte no Brasil. A Peste Suína Africana escapou da Península Ibérica, onde se mantinha confinada por várias décadas e atingiu, em maio de 1978, uma criação de cerca de 1.200 suínos, no Rio de Janeiro, que era alimentada com restos de refeições, desviadas, clandestinamente, de aeronaves procedentes de Portugal.
O Brasil, à época, era o 4º exportador mundial de carne suína, e esse episódio serviu para comprovar a fragilidade da defesa sanitária animal, registra o professor Francisco Cecílio Viana, autor de um livro sobre o período da peste suína no País.
O País quase enlouqueceu na época. A peste serviu para mascarar muita coisa, inclusive para quase exterminar o rebanho suíno em benefício dos pecuaristas do boi. O consumo de carne de porco chegou próximo do zero. De 1978 a 1986, prevaleceu só o Espírito de Porco.
Os criadores de suínos só começaram a recuperar-se nos anos 90, lançando campanhas publicitárias para incentivar o consumo da carne de porco. E provando a qualidade do produto e sua extrema higienização. Até antes da Gripe Suína, estava bem consolidada a posição desse tipo carne no mercado nacional.
Não adianta dizer na TV que comer carne suína não contamina qualquer pessoa com a gripe. O fato é que as pessoas misturam os fatos e já começam a impor restrições ao consumo da carne de porco.
O porco brasileiro volta à lama.
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sexta-feira, 17-04-2009 |
As brasileiras lideram as preferências dos homens espanhóis entre as estrangeiras na hora de casar, segundo pesquisa divulgada na quinta,16, pelo Instituto de Política Familiar da Espanha, informa a BBC Brasil.
Só em 2007 (dados mais recentes sobre os índices de uniões civis na Espanha), 14,2% de todos os casamentos civis aconteceram entre homens espanhóis e mulheres brasileiras.
A certa altura do relatório aparece superficialmente uma explicação para o fato dos espanhóis procurarem mulheres estrangeiras. Acham que as nativas são brutas e frias.
Claro que há uma generalização nesse conceito, mas ele é verdadeiro, pelo menos, em parte. Eu vivi em Madri, já casado com uma pernambucana, e vi o tratamento que algumas mulheres espanholas davam a seus maridos, namorados, ficantes e filhos. Atemorizador, às vezes.
Esse tratamento pode, talvez, explicar muita coisa da cultura espanhola, como por exemplo as touradas. O homem para provar que é macho – dentro de casa é humilhado – enfrenta com todos os riscos uma fera de meia tonelada treinada para matar. Ao vencer o desafio, matando o touro, eleva sua auto-estima entre os pares masculinos, ajudando-o a suportar os dissabores domésticos.
O mesmo raciocínio pode se aplicar ao terrorismo basco. Superada a fase ditatorial de Franco, quando havia uma razão ideológica para a luta contra a opressão, os bascos buscaram outras motivações para continuar a luta como subterfúgio da razão verdadeira: fugir da opressão feminina no dia-a-dia. Os bascos são mais vítimas ainda de suas mulheres, do que os espanhóis castelhanos, por conta da cultura peculiar e fechada em que vivem. Os atentados, a clandestinidade, os liberam da convivência brutal com sexo feminino opressor.
Por isso pode-se afirmar que é mais fácil enfrentar um touro Miúra de 500 quilos ou plantar uma bomba do que enfrentar uma mulher espanhola.
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