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sexta-feira, 13-08-2010 |
A bomba que mudou o mundo
Heitor Scalambrini Costa
Professor Associado da UFPE
Com a famosa frase “meu Deus, o que foi que nós fizemos”, pronunciada por
um dos tripulantes do avião que conduziu o artefato nuclear sobre
território japonês, o mundo relembra os 65 anos do lançamento das bombas
atômicas durante a Segunda Guerra Mundial, ambas pelos Estados Unidos
contra o Japão, detonadas nas cidades de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e
Nagasaki (9 de agosto de 1945). O poder de destruição das bombas foi
imenso, ao menos 200 mil morreram em Hiroshima e 100 mil em Nagasaki,
iniciando, assim, a chamada era nuclear. Esses acontecimentos devem ser
lembrados sempre por sua brutalidade e impunidade.
O Japão, único país a ter sido bombardeado em duas ocasiões com armas
nucleares reclama há anos a abolição das armas de destruição em massa. A
detonação de uma bomba nuclear provoca danos imensos. O grau de destruição
dependerá da distância de onde o centro da bomba é detonado, chamado de
marco zero (podendo chegar nesse local a temperatura de até 300 milhões de
graus Celsius). Quanto mais próximo alguém estiver deste local, maior será
a gravidade dos danos. Eles são causados por diversos aspectos: uma onda
de calor intensa de uma explosão, pressão da onda de choque criada pela
detonação e precipitação de material radioativo. As partículas radioativas
que chegam ao solo penetram no manancial d’água e são inaladas e ingeridas
por pessoas a uma distância considerável do local de detonação da bomba.
Alguns dos problemas de saúde ocasionados pelo material radioativo
incluem: náusea, vômitos e diarréia; catarata; perda de cabelo; perda de
células sanguíneas. Estes problemas freqüentemente aumentam o risco de
ocorrência de leucemia, câncer, infertilidade, deficiências congênitas,
dentre outros males.
O Tratado de Não Proliferação Nuclear, adotado em 1967, teve o objetivo de
“congelar” a posse de armas nucleares às cinco potências nucleares da
época: Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra, França e China. Na
prática, o que se verificou foi o inverso, com os esforços de vários
países, dentre eles a Índia, o Paquistão e Israel, de produzir armas
nucleares, agravando os problemas de proliferação nuclear e criando sérios
transtornos no cenário internacional. Lembremos do caso do Iraque acusado
de produzir armas nucleares, justificativa usada como uma das causas da
sua invasão. Outros países também tiveram a iniciativa de produzir
armamentos nucleares, como a África do Sul, Líbia, Irã e Coréia do Norte.
Até o Brasil e a Argentina desenvolveram atividades nessa direção durante
o período militar.
Mesmo não havendo provas definitivas de que o nosso país esteja
construindo armas nucleares, eventos e pronunciamentos em passado recente
levam-nos a crer que o Brasil “recomeçou a flertar” com a idéia de
produzir uma bomba atômica, após tentativas anteriores mal sucedidas
durante o regime militar.
Nos últimos anos diversas autoridades, como o vice-presidente da República
José Alencar e o ex-ministro de Ciências e Tecnologia Roberto Amaral
(quando no cargo), declararam a necessidade do país dispor de armamento
nuclear para defesa preventiva e de suas riquezas, como fator de dissuasão
e para impor mais respeitabilidade.
Também o documento sobre a Estratégia Nacional de Defesa lançada em 2008, afirma a “Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos
estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa como para o desenvolvimento”. Embora a Constituição diga que toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos,
o assunto está longe de ser considerado um tabu. A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas núcleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas
engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se espera entrar
definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter
a bomba atômica.
O Brasil pela exuberância e diversidade de fontes energéticas renováveis
disponíveis em seu território, não precisa da energia nuclear para atender
a demanda de energia elétrica, e assim, pode adotar opções mais atraentes
do ponto de vista econômico, social e ambiental.
Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o
perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da
energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como
militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não
devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer,
responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o
Brasil, em 1953: “Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e
outra para a guerra, está mentindo”.
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domingo, 05-07-2009 |
A troca da chefia da Igreja Católica em Olinda e Recife, com a saída de Dom José Cardoso e a chegada de Dom Fernando Saborido, lembra o fim do mandato de George Bush e o começo da Era Obama. A identificação está mais do que clara: Dom José/Bush e Dom Fernando/Obama.
A mudança reacendeu a esquerda católica do Recife, órfãos de Dom Hélder. Muito barulho está sendo feito em torno do novo arcebispo - a esperança está de volta, a retomada da opção pelos desvalidos helderiana e outras suposições. Mas os tempos são outros. Dom Hélder teve seu tempo, brilhante na resistência à ditadura.
Dom Saborido, ex-auxiliar de Dom José, irá cuidar das coisas da Igreja. Hoje ela tem bem menos influência do que tinha há 30 anos. A sociedade está mais distante do catolicismo. Há a concorrência dos evangélicos pelos corpos, carteiras e almas dos mais carentes. A expectativa gerada pela vinda do novo arcebispo é, portanto, grande demais para as possibilidades reais do religioso.
De qualquer modo a sua presença na Arquidiocese de Olinda e Recife é uma boa notícia depois dos anos de mando do ranzinza Dom José. Que (Camocim de) São Félix aguente o ex-arcebispo.
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domingo, 30-11-2008 |
Cresce a cotação do bispo de Maceió, Dom Antonio Muniz Fernandes, para suceder Dom José Cardoso Sobrinho na Arquidiocede de Olinda Recife. Os dois se dão muito bem. E neste domingo, 30, estiveram concelebrando uma missa em Igarassu. Dom Antonio começa a se enfronhar com os assuntos da arquidiocese.
Dom Antonio é da ordem carmelita e formado pela Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma em teologia bíblica. Bispo desde 1998, é presidente da regional Nordeste II da Conferência Episcopal Brasileira e se encarrega da pastoral para os presos.
Outro cotado para o cargo é Dom Aldo Pagotto, bispo metropolitano de João Pessoa. É um religioso que tem gosto pela política e tem o perfil de celebridade. Não está bem ao gosto de Dom José, embora Pagotto tenha bom relacionamento com o Vaticano.
Dom Fernando Saborido, bispo de Sobral (CE), que já foi bispo auxiliar de Olinda e Recife, também está no páreo.
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domingo, 30-11-2008 |
A TV Brasil, emissora estatal federal, que faz um ano esta semana, planeja instalar, a partir de 2009, 39 repetidoras, para espalhar pelo País seu sinal aberto, que atualmente só chega a Rio, Maranhão e Brasília, e entra em São Paulo a partir de terça-feira só por recepção digital. As retransmissoras anunciadas pela presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), jornalista Tereza Cruvinel, se somarão a uma rede de 24 televisões públicas que compartilhará um mínimo de 10 horas de programação diária.
Elas podem engrossar a lista de polêmicas que cercaram a "TV Lula" - como o PSDB e o DEM a batizaram, acusando-a de oficialismo - e envolveram a saída de diretores por divergências, um editor denunciando suposta censura e até uma greve de funcionários.
"Há localidades do Brasil aonde a rede pública não chega", diz Tereza. "Nesses lugares, estamos requisitando canais analógicos de retransmissão. É só um transmissor, e aí você faz um acordo com alguém que tenha uma torre ou um prédio elevado, instala e retransmite a programação naquela área." Ela estima em R$ 800 mil o custo de cada retransmissora.
O orçamento da empresa é de R$ 350 milhões, valor que deverá ser mantido em 2009. Somado aos cerca de R$ 20 milhões de patrocínios e prováveis R$ 80 milhões da Contribuição para a Comunicação Social, a ser deduzida do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e ainda a ser regulamentada, deverá garantir recursos para a empresa tocar seus planos, mesmo em tempos de crise econômica. No total, a EBC está investindo R$ 100 milhões em equipamentos. Tem 1.440 funcionários, dos quais 250 na TV Brasil.
Atualmente, a TV Brasil só atinge a maior parte do território nacional por antena parabólica. Seu sinal aberto chega a menos de 1% das cidades: apenas 52 dos 5.564 municípios brasileiros. O público potencial é de pouco mais de 26 milhões de telespectadores, mas a audiência só supera o traço em alguns programas especiais.
Criada pela fusão da estatal Radiobrás (criada pela ditadura militar para reunir emissoras oficiais de rádio e um canal de TV em Brasília) com a TV Educativa, que tinha canais no Rio e no Maranhão, a nova emissora começou transmitindo para essas praças em VHF, UHF e emissoras a cabo. Levou um ano para montar uma estrutura que lhe permitisse colocar no ar seu canal aberto em São Paulo.
(Do jornal O Estado de S.Paulo )
Comento
A TV Brasil passará a ser representada em Pernambuco pela TV Universitária, canal 11. Por conta da sua programação nacional, os espaços locais terão seus horários alterados e até diminuídos. O que é um contrasenso: os assuntos locais levados ao ar pela TV U têm muito mais audiência do que os enxertados pela TV Brasil.
As notícias do Santa, Sport e Náutico interessam mais do que as informações dos clubes de futebol de fora. A mesma coisa se dar no programa Samir Abou Hana: ele tem a maior audiência - não medida pelo Ibope, claro, já que não é uma TV comercial - do que outros programas locais no mesmo horário. E o noticiário da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal do Recife despertam mais atenção do telespectador do Estado do que o que se passa no Congresso.
Enfim, o pernambucano vai ter que engulir enlatados terceiro-mundistas ao invés de sintonizar-se com sua comunidade. As emissoras comerciais de Pernambuco agradecem a esta iniciativa da TV U / TV Brasil.
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quinta-feira, 07-08-2008 |
O novo desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Eduardo Sertório, 57 anos, escolhido pelo Quinto Constitucional via eleição da OAB, tem uma excelente formação profissional e bem diversificada dentro do Direito. Graduado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (SP), uma das mais tradicionais do País, fez pós-graduação em Direito Internacional e Comparado na Sorbonne de Paris. Estagiou na França nos departamentos jurídicos de empresas de petróleo e energia nuclear.
Passou por importantes escritórios de advocacia do Recife, atuou como advogado público da Prefeitura do Recife e se dedicou a qualificação profissional de advogados na Escola Ruy Antunes, mantida pela OAB-PE, além de ensinar no curso de Direito da FIR.
Pelo currículo do novo magistrado, que pode ser visto no Google (basta teclar Eduardo Sertório), ele tem uma formação variada e abrangente, o que deve facilitar seu trabalho no TJPE.
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