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Alex: de olho na sociedade pernambucana

4 de janeiro de 2013 – 11:29

Em setembro de 2006, a revista Algomais publicou esta entrevista que fiz com Alex, José de Souza Alencar, cronista, membro da Academia Pernambucana de Letras e o mais conhecido colunista social de Pernambuco. É uma homenagem a quem acompanhou por muitos anos as transformações do jornalismo e da nossa sociedade festeira no Jornal do Commercio e nos anos recentes na Folha de Pernambuco. Hoje ele está bem doente.

Antonio Magalhães

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“O pior da velhice é que queremos fazer coisas pensando que somos jovens”. A frase do escritor francês Jean Cocteau serve ao mais conhecido colunista e cronista social de Pernambuco, José de Souza Alencar, Alex, como um lema de vida na altura dos seus 80 anos, completado no dia 5 de agosto passado, a ponto de trazê-la manuscrita para evitar que fosse esquecida durante a entrevista. Há 52 anos publicando na imprensa pernambucana – primeiro no Diário de Pernambuco e depois no Jornal do Commercio – comentários sobre cinema, literatura e acontecimentos sociais, desde festas, batizados, casamentos e até grandes eventos, Alex se sente com energia para continuar a fazer uma coluna diária no Jornal do Commercio, em um quarto de página no Caderno C, sobre a movimentação da sociedade pernambucana. Não fala em parar. Mesmo porque como “imortal” da Academia Pernambucana de Letras (três livros publicados) vislumbra uma eternidade pela frente.

Indiretamente e diretamente sempre esteve ligado a fatos da chamada alta sociedade, a high society. Na pequena Água Branca, em Alagoas, onde nasceu, o imperador Pedro II pernoitou no casarão da família Torres, residência do Barão de Água Branca, a caminho da cachoeira de Paulo Afonso. Antes de chegar com a mãe ao Recife, o então Zito (apelido de José) passou por Maceió até abrigar-se no sobrado da Rua Dom Bosco, no bairro da Boa Vista, aos 16 anos de idade. Começou a estudar Direito, conseguiu com Miguel Arraes, então secretário da Fazenda de Barbosa Lima Sobrinho, um emprego na Prefeitura do Recife para garantir o sustento da família e mergulhou no mundo da mídia: começou fazendo comentários sobre cinema no Diário de Pernambuco como José de Souza Alencar, passou para o JC para escrever diariamente sobre o mesmo tema como Ralf e terminou produzindo uma coluna social, inspirada na modernidade de Ibrahim Sued, no mesmo JC, como Alex.

O sobrado da Rua Dom Bosco ou a “Casa de Sinhá”, como informa uma placa de cerâmica na entrada, é onde vive e trabalha Alex. As paredes internas não cabem mais quadros de pintores conhecidos e desconhecidos nem obras de arte e antiguidades herdadas e compradas. No seu escritório, uma papelada sem fim, típica de quem escreve, e na mesa uma velha máquina Olivetti, que substitui o computador pessoal ao qual Alex jamais se adaptou. Diariamente um motoqueiro passa, recolhe a coluna e ela é digitada na redação do JC. Cabe-lhe apenas a revisão na tela.

Nesta entrevista a Algomais, Alex conta a sua trajetória pessoal e profissional nesse mais de meio século acompanhando os fatos de parte da sociedade pernambucana.

Algomais | Como foi sua vida em Alagoas?

Alex | Nasci em Água Branca, cidade próxima a Mata Grande e a Iapi, terra de Rosane ex-Collor, feudo dos Maltas. Minha mãe, Filomena ou Sinhá casou com Joaquim Alencar, próspero comerciante de Mata Grande. Por conta da doença da minha avó, mamãe voltou para Água Branca. Meu pai se sentiu abandonado e disse que não daria qualquer ajuda financeira a ela, que passou a depender do meu avô, homem de cultura que me ensinou história, português e passou para mim o gosto pela música e pelas artes. Não tive, por isso nenhuma convivência com meu pai. Só vim a conhecê-lo depois de grande, num encontro muito rápido. Quando minha avó morreu, fomos para Maceió em busca de melhores condições de vida. Um primo que tinha vindo para o Recife conseguiu um bom emprego e chamou nossa família para vir a esta cidade.

Am | E sua chegada ao Recife?

Alex | Cheguei aos 16 anos, pronto para entrar na faculdade. Pensei primeiro em fazer Medicina, mas quando vi os cadáveres no laboratório de Anatomia passei mal e desisti. O curso de Direito veio com a melhor opção de chegar ao jornalismo que já me encantava na época. Com uma carta da família Palmeira, de Alagoas, fui até ao diretor de redação do Diário de Pernambuco, Mauro Mota. Ele perguntou o que eu queria fazer. Disse que poderia escrever sobre cinema, mas o Diário já tinha o crítico Luiz Ayala, então foi me dado um espaço aos domingos. Para escrever gratuitamente em troca de um passe permanente para os cinemas da cidade. Assistia a todos os filmes. O cinema foi uma paixão iniciada ainda na infância, na cabine de um operador de cinema em Maceió. O filme Cinema Paradiso me fez rever o passado.

Am | E como foi para o Jornal do Commercio?

Alex | Falei com Esmaragdo Marroquim, diretor do JC, também a partir de contatos de Alagoas, para escrever uma coluna diária sobre cinema, o grande foco de entretenimento da época. Ele topou. Mas não podia escrever como José de Souza Alencar, que continuava a colaboração no Diário. Então escolhi o pseudônimo Ralf, em homenagem ao ator americano Ralf Belamy. No JC, tive contato com a coluna social de Ibrahim Sued, do jornal O Globo, do Rio. Ele trazia aspectos inovadores no colunismo social, além de festas falava de assuntos gerais, política, economia, esportes, e soltava gracinhas, como sobre a misteriosa Dama de Negro, ou anunciava que cavalo não desce escadas, para alertar inconvenientes, e a caravana passa e os cães ladram, para assegurar sua força no jornal.

Am | Ibrahim Sued então foi o seu modelo?

Alex | Exato. Mas o dono do Jornal do Commercio, doutor F. Pessoa de Queiroz, não era simpático a colunas sociais e não quis fazer de imediato. Para seguir o modelo, criei, com o então radialista Luiz Geraldo, hoje publicitário, um programa de rádio no qual um garçom comentava com o freguês assuntos da sociedade. Depois do sucesso do programa Night Club, doutor Pessoa me deixou fazer a coluna social. Mas recomendou que ela fosse séria e sóbria e que tivesse também notas sobre artes. A coluna começou a circular em 1954. Como já tinha escrito como José de Souza Alencar e Ralf, pensei num novo pseudônimo. A partir do Alencar usei as três primeiras letras e acrescentei um “x”. Surgiu o Alex.

Am | Mais de 50 anos fazendo esse trabalho lhe dá condições de analisar as transformações da chamada alta sociedade?

Alex | Os colunáveis eram em menor número. E as festas se concentravam nos palacetes desses ricos tradicionais. A vida social nos clubes era bem intensa. As mudanças econômicas trouxeram muito mais gente para as colunas. Por obrigação leio as colunas sociais dos três jornais do Recife. E posso dizer que 70% das pessoas citadas são desconhecidas para mim. As grandes festas agora são em bufês, que padronizaram a decoração e a comida, insuportável para paladares refinados. Dos bairros nobres do centro, os ricos foram para Boa Viagem, viram que hoje não é esse paraíso e começaram a veranear em Porto de Galinhas e passar o inverno em Gravatá. Até os cinemas perderam seu glamour. Estão hoje nos shoppings, com salas apertadas e insalubres.

Am | Você inovou, na década de 60, fazendo o hoje chamado colunismo social eletrônico? Muito tempo antes de Amaury Júnior na TV.

Alex | A coluna no JC me abriu portas para ir para a televisão Jornal do Commercio fazer o programa Hora do Coquetel, comentando fatos da cidade e entrevistando celebridades locais e nacionais. Foi onde ganhei um dinheirinho como jornalista, conseguindo anunciantes de peso para o programa. Passava aos domingos, de 17 às 18 horas, ao vivo.

Am | Então você tornou-se uma celebridade local?

Alex | Isso tem um preço. Vi nas ruas do Recife, durante o trote de estudantes calouros da Universidade Federal cartazes me degradando. Diziam que Alex era como uma borboleta dos ônibus da CTU: passava todo mundo. Ou que eu iria visitar a terra de Garrincha: Pau Grande. E ainda que Alex levou uma queda e quebrou a titela. Isso me chocou. Corri ao JC e disse a Esmaragdo Marroquim que não ira mais fazer a coluna social. Ele respondeu que doutor Pessoa também era satirizado pelos estudantes e continuava a trabalhar. Passe à máquina, enfatizou.

Am | Isso foi bem menos do que ser preso durante a ditadura militar?

Alex | De fato. Conhecia o general Castelo Branco (primeiro presidente do período militar de 64 a 84) e sua esposa Argentina do Recife. Sempre tive uma boa relação com a família. Quando ela morreu fiz uma crônica que emocionou o general. Quando ele assumiu a Presidência da República disse que visitaria o Recife em primeiro lugar. Noticiei que depois de anos de viuvez Castelo Branco estava se interessando por uma professora da Universidade Federal. Nota pequena e natural que não ofendia a dignidade do general. Mas o coronel Ibiapina entendeu de averiguar a fonte da notícia e me prendeu. Passei uma noite no quartel e fui liberado com o compromisso de prestar outro depoimento.

Am | E como foi esse segundo depoimento?

Alex | Constrangedor. Ibiapina preparou um documento que me envolvia com soldados das Forças Armadas. Saí do quartel de Casa Forte pensando em morrer. Iria acabar com minha imagem pública. Mas vi minha mãe sofrendo com o caso e amigos meus advogados aconselharam a não se preocupar. Afirmaram que a divulgação de tal documento seria prejudicial aos militares. E fiquei mais calmo.

Am | Chegou a haver algum pedido de desculpas?

Alex | Não diretamente. Mas o general Castelo Branco ligou para minha casa – minha mãe pensou até em outra prisão – se dizendo muito honrado com a minha amizade. E que qualquer coisa que precisasse fosse até Brasília que seria atendido imediatamente. No almoço que homenageava Castelo Branco no Recife encontrei o coronel Ibiapina e disse para ele: fui acordado por um telefonema muito gentil do presidente que se pôs à minha disposição. O coronel ficou sério e eu dei o caso por encerrado.

Am | Riscos do colunismo social?

Alex | Há muito preconceito contra os colunistas sociais. Dizem que somos capachos de ricos, que recebemos dinheiro para colocar notas nos jornais, que todos são gays. Nunca pedi dinheiro a ninguém. Moro na mesma casa há mais de 50 anos, tenho um carro com 9 anos de uso. Tudo que ganhei foi na TV, em Hora do Coquetel, fazendo algumas corretagens de anúncios que me deram uns imóveis para ajudar na minha velhice. Ao contrário, cheguei mesmo a emprestar dinheiro ao Jornal do Commercio, no período de pré-falência com Paulo Pessoa de Queiroz, para pagar o salário semanal da gráfica.

Am | Como foi esse episódio?

Alex | Alguém soube no jornal que eu tinha uma poupança que hoje equivaleria a uns R$ 10 mil. Paulo Pessoa de Queiroz me chamou e propôs trocar o dinheiro da minha poupança pela captação de anúncios para a coluna até que cobrisse com juros o valor emprestado. Isso era para pagar o pessoal de oficina em greve. Topei. Mas foi difícil vender esses anúncios. O jornal quase falido, com circulação baixa, mesmo assim um ano depois a quantia foi reposta.

Am | Na nova fase do Jornal do Commercio, conduzida por João Carlos Paes Mendonça, você pediu para deixar a coluna social de uma página diária?

Alex | Pedi porque não tinha condições físicas de produzir o noticiário. Estava doente, com um câncer na próstata. João Carlos entendeu meu motivo e me propôs um quarto de página.

Am | Oitenta anos ainda no batente do jornalismo. O que é isso?

Alex | É uma graça de Deus chegar a essa idade e continuar escrevendo em jornal. Enquanto tiver forças vou continuar. Hoje não quero muita coisa. Até sexo para mim há muito virou uma coisa virtual. Só olho para as pessoas que interessam e admiro, depois digo comigo mesmo “sai para trás, Satanás. Leva seu veneno”. Estou confiante que nada vai me faltar daqui para frente. Vivo com pessoas de confiança aqui em casa e muito bem.

Carminha e a seca no Nordeste

23 de outubro de 2012 – 12:45

Por Heitor Scalambrini Costa - UFPE

É reconhecido não só no país a qualidade das telenovelas brasileiras que tem grande aceitação em várias partes do mundo como produto de entretenimento.

A novela “Avenida Brasil”, que teve em seus últimos capítulos recorde de público (em torno de 80 milhões de pessoas), foi recentemente a grande sensação nacional. Estima-se que de cada 3 televisores ligados, 2 estavam sintonizados na novela. Nos dias que antecederam o término do folhetim o assunto da grande mídia foi à abordagem diária com relação ao destino dos personagens. O horário de exibição das 21 às 22 horas, era sagrado, e tudo parou no país. O mais importante era saber quem matou Max? O que acontecerá com Carminha? E Tufão?  Obviamente este interesse maciço da população trouxe enormes benefícios financeiros para a rede de televisão que transmitiu a novela. Fala-se que ao longo dos meses de apresentação dos capítulos (março a outubro), mais de 1 bilhão de reais foram arrecadados com os anúncios feitos no horário nobre.

Mas o que tem haver este interesse midiático pela telenovela com a seca no nordeste brasileiro que é noticiada desde os tempos do Império, e que traz tantas desgraças aos brasileiros e brasileiras da região?

A atual seca que atinge pouco mais de 15% do território brasileiro não é comum, é a pior no Nordeste das últimas três décadas. De acordo com especialistas, é mais intensa e acontece de 30 em 30 anos, em média. Assim como a seca deste ano, outras também marcaram a história do povo nordestino. As mais famosas foram as de 1983/84, 1935 e 1887, que provocaram a morte de quase 500 mil nordestinos. Segundo números do Ministério da Integração Nacional, 525 municípios da região estão em situação de emergência, e outros 221 sofrem efeitos da estiagem e aguardam avaliação da Secretaria Nacional de Defesa Civil.

Todavia a seca se repete ano a ano e tem causa natural. Daí não se pode combatê-la e sim conviver com ela. A carência de chuvas é típica de regiões semi-áridas, e tem se intensificado pelos danos ambientais e a total desproteção do rio São Francisco e de sua nascente, além do descontrole no uso da água na irrigação. São outras partes dessa equação desastrosa que traz tanto sofrimento e morte para as populações mais pobres.

A indústria da seca e o coronelismo ainda resistem à custa de tantas vidas perdidas. Sob novos nomes e novos programas, o que vemos é a continuação de um processo histórico com a perpetuação do sofrimento  e da miséria a favor do lucro de alguns.

Em particular, neste contexto, vejamos o caso de Pernambuco. O Estado que tem se destacado pelos elevados índices de crescimento econômico, e pela propaganda exacerbada mostrando uma administração estadual moderna, com uma gestão eficiente e diferenciada de seus governantes; esconde a incompetência e a falta de interesse e compromisso político para dar inicio ao fim do flagelo que atinge hoje 121 municípios (dos 185 existentes) que estão em situação de emergência. Segundo a assessoria de Comunicação Social da Casa Militar, existem 1.184.824 pernambucanos e pernambucanas (população total próxima a 8 milhões) afetadas pela estiagem. Dos 121 municípios atingidos, 59 são do Agreste, 56 do Sertão e 6 da Zona da Mata.

As medidas tomadas pelo governo federal são as mesmas de outros anos, liberação de recursos (anunciou da liberação de 2,7 bilhões de reais pelo Ministério de Integração Nacional, que nunca chega no destino final), distribuição de cestas básicas, carros pipas, etc, etc,… Quanto ao governo estadual foram anunciadas medidas paliativas, populistas, verdadeiras “esmolas” comparados aos investimentos públicos e privados de mais de 50 bilhões de reais que estão sendo investidos no Complexo de Suape. Infelizmente estes anúncios oficiais são insuficientes, pois faltam medidas de caráter definitivo. São “oportunistas” e contam com o apoio de lideranças de agricultores e representantes de organizações da sociedade civil cooptados, que se calam frente à tragédia recorrente, tornando verdadeiros cúmplices do massacre destas populações invisíveis aos olhos da sociedade.

Mas o que tem haver a telenovela com a seca? Bem, ao meu ver é a mobilização social em torno de um tema que diz respeito à vida real das pessoas é que poderá apontar na direção da solução deste problema secular. Na telenovela como visto na semana passada, houve uma incrível mobilização das pessoas, se reunindo em família, entre amigos, em bares, restaurantes para assistirem pela “telinha”, o destino dos personagens do drama fictício. Mas porque não mobilizar para acabar em definitivo com este drama da vida real? Não somente doando alimentos, e roupas, que muitas vezes não chegam aos que necessitam, mas pressionando diretamente os governantes, os políticos. Discutindo, estimulando o debate sobre o drama da seca, nas rádios, televisões, blogs, jornais, nas entidades de classe, pelos artistas, jogadores de futebol, pelo povo. Uma certeza que existe é que para acabar definitivamente com o flagelo da seca só depende da mobilização popular

Mensalão do PT expõe ironia da História

12 de outubro de 2012 – 4:52

Por Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Vamos falar francamente: os jovens da esquerda revolucionária dos anos 60 e 70 nunca lutaram pela democracia. Não, pelo menos, por esta que temos hoje e que vem sendo aperfeiçoada desde 1985.

Todos que participaram dos partidos, movimentos, vanguardas e alas daquela época sabem perfeitamente que se lutava pela derrubada do capitalismo e pela implantação aqui de um regime tipo cubano.

E, se não quiserem ou não acreditarem em depoimentos pessoais, basta consultar os documentos produzidos por aqueles grupos.

Poderão, então, verificar, que a única grande divergência entre eles estava no processo. Para alguns, a revolução comunista viria pela guerrilha a partir do campo, no modelo cubano. Para outros, o capitalismo seria derrubado pela classe operária urbana que se formava no Brasil em consequência do próprio desenvolvimento capitalista.

Derrubar o regime dos militares brasileiros não era uma finalidade em si. Aliás, alguns grupos achavam que a instauração de uma “democracia burguesa” seria contraproducente, pois criaria uma ilusão nas classes oprimidas. Estas poderiam se conformar com a busca “apenas” de salários, benefícios, casa própria, carro etc., em vez de lutarem pelo socialismo.

Pois foi exatamente o que aconteceu. E, por uma dessas ironias da história, sob a condução e a liderança de Lula! Uma vez perguntaram a Lula, preso no Dops de São Paulo: você é comunista? E ele: sou torneiro-mecânico.

Uma frase que diz muito. De fato, o ex-presidente jamais pertenceu à esquerda revolucionária. Juntou-se com parte dela, deixou correr o discurso, mas seu comportamento dominante sempre foi o de líder sindical em busca de melhores condições para os trabalhadores da indústria.

Líder político nacional, ampliou seu objetivo para melhorar a vida de todas as camadas mais pobres, não com revolução, mas com crédito consignado, salário mínimo e bolsa família, bens de consumo e moradia, churrasco e viagens. Tudo pelas classes médias.

Mas por que estamos falando disso? Certamente, não é para uma cobrança tardia. É por causa do julgamento do mensalão, mais exatamente por causa das reações de José Dirceu, José Genoino e tantos outros membros do PT.

Os dois ex-dirigentes condenados deram notas escritas, cujo conteúdo tem dois pontos contraditórios.

De um lado, tentam passar uma ilusão, a de que lutavam pela democracia desde os anos 60.

De outro, desqualificam essa democracia ao dizer que a decisão do Supremo Tribunal Federal, poder central no regime democrático, foi um julgamento de exceção e de ódio ao PT, promovido por elites reacionárias que dominam a imprensa e a Justiça.

Eis o velho discurso: a democracia é burguesa, uma farsa que só favorece os ricos.

Ao mesmo tempo, dizem que a vida do povo, dos mais pobres, melhorou e muito sob o governo do PT. Ora, em qual ambiente o PT cresceu, o presidente Lula ganhou e governou? Nesta nossa democracia que, entre outras coisas, levou a este extraordinário momento: Lula e Dilma indicaram os juízes do STF que condenaram Genoíno e Dirceu.

O movimento estudantil dos anos 60 e 70 foi uma tragédia. Foram para a política os melhores rapazes e moças. E a política, por causa da ditadura local e da guerra fria global, e mais a ideologia esquerdista então dominante na intelectualidade e na academia, levou à luta armada.

Tratava-se de um tremendo engano político. Como acreditar que uma guerrilha dentro da floresta amazônica poderia terminar com a tomada do poder em Brasília?

Estava claro que a nova classe operária, como os trabalhadores da indústria automobilística, com seu líder Lula, sequer pensava em Cuba, mas sonhava com o padrão de vida dos colegas de Detroit. E os sindicalistas, com posições no governo.

E assim, jovens idealistas e com o sentimento de dever, perderam a vida, foram massacrados em torturas, banidos pelo mundo, famílias arrasadas. É um milagre que tantos deles tenham conseguido recolocar de pé a vida e estejam aí prestando serviços ao país.

Mas não serve para nada tentar esconder essa história. Em vez de tentar mudar o passado, melhor seria uma revisão, uma crítica serena, favorecida pelo tempo passado. Mesmo porque, sem essa crítica, ocorrem as recaídas que, estas sim, podem perturbar o ambiente político.

Felizmente, a democracia, modelo clássico, de Ulysses, Tancredo, Montoro, venceu, não sem uma ajuda dos jovens dos anos 60 e 70.

Pergunta errada na blitz policial da Lei Seca

24 de agosto de 2012 – 1:04

Uma blitz da Lei Seca me parou na noite de quarta (22) na av Rui Barbosa, Zona Norte. Pergunta inapropriada do agente de trânsito: você bebeu? Respondi, não. Então o agente pediu para soprar o bafômetro. Ora, se disse que não bebi, por que soprar o aparelho? A palavra do cidadão não vale nada. A orientação teria que ser afirmativa: sopre lá, por favor. Ou o agente acha que o bêbado vai dizer que não bebeu e por a boca no soprador. Só um mentecapto é capaz de pensar assim. Em resumo: soprei o dito cujo e deu negativo. Mas a burrice a empáfia do agente me irritaram muito.

Severino Queiroz:case raro da publicidade

25 de julho de 2012 – 1:07

No domingo, 22 de julho, faleceu Severino Queiroz, quando completaria 90 anos. Há 5 cinco anos fiz esta entrevista para a revista Algomais. Depois de publicar a matéria, entreguei as fitas de áudio a seu filho Queirozinho. Achei que era uma boa lembrança para a família do publicitário. Foi bem interessante conversar na época com esse self-made man. Espero ter passado essa impressão para os leitores. Agora coloco na rede. Leiam.

Antonio Magalhães

Jornalista

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O publicitário Severino Cavalcanti Queiroz, 84 anos, fundador da agência pernambucana Ampla, está completando em 2006 cinqüenta anos bem vividos no mercado local da publicidade e propaganda. A sua formação de vendedor nato foi fundamental para entrar no segmento nos anos 50, quando ainda não se faziam anúncios, mas reclames. Queiroz, que ainda atua na agência, é um case raro, como dizem os do ramo, da história do setor em Pernambuco.

Nesta entrevista à Algomais, seu Queiroz, como é conhecido, contou a sua trajetória de vendedor de loja a publicitário de sucesso. Valorizou a sua formação prática nos negócios que lhe permitiu uma brilhante carreira e condições para formar uma família, juntamente com dona Janete, com quatro filhos, nove netos e cinco bisnetos. Hoje, o filho caçula Queirozinho é o principal executivo da Ampla e a filha Ana Cristina cuida da diretoria financeira. Ainda mais dois familiares trabalham na agência, todos eles por mérito próprio, ressalta o publicitário.

O menino nascido em Chã Grande, agreste pernambucano, com vocação para vendas passou por muitas lojas até chegar ao magazine A Primavera, no emprego mais desejado pelos comerciários da época. Mas perseguiu o sonho de ter um negócio que pudesse continuar com a família depois da sua aposentadoria e foi atendido. E muito bem atendido, de acordo com o desempenho empresarial da Ampla.

Algomais / Foi importante na sua carreira a passagem pelo magazine A Primavera?

Severino Queiroz / Sem dúvida. A Primavera de Lourival Fernandes, no fim dos anos 40, era uma escola de vendas. Ganhava-se bem, trabalhava-se de paletó e gravata e tinha como freguesia a alta sociedade pernambucana. Lá, pude promover vendas até de produtos encalhados usando argumentos da publicidade. Era publicitário e não sabia.

Am / Pensou numa carreira exclusiva de vendedor do magazine?

SQ / Chefiava a seção de roupas masculinas e fazia um atendimento personalizado. Conhecia os clientes pelo nome, seus filhos, e era procurado por eles. O dono da loja gostava muito de mim, a ponto de me visitar em casa depois do meu casamento. Tudo corria bem na loja. Inclusive cheguei a ser convidado para ser gerente. Mas algo me afligia aos 30 anos: queria montar um negócio próprio, que tivesse continuidade mesmo depois de eu parar de trabalhar. Então resolvi sair da loja. Seu Lourival ficou louco por perder um bom vendedor.

Am / Já tinha algo em vista?

SQ / Nada certo. Apenas pensava num escritório de representações e vendas, a moda daqueles anos.. E fui à luta. Na esquina da loja Slopper, na rua da Palma com rua Nova,  um ponto de encontro de pessoas e de negócios, um ex-colega d’A Primavera me disse que havia uma vaga na firma de representações do italiano Giovani Gagliano, que trabalhava com máquinas de padarias. O italiano me perguntou se eu entendia do negócio. Disse que era um vendedor e se ele, quando começou, entendia de máquinas de padaria, que não queria ser empregado, mas ganhar comissão pelas vendas. O italiano se impressionou com a disposição e com a resposta. Passei muito tempo com Gagliano até quando ele quis me passar a perna na venda de um forno elétrico.

Am / Mesmo assim continuou no ramo de representações?

SQ / Sim. Mas numa firma maior que vendia de agulhas a navios. Numa dessas vendas, fui oferecer tintas gráficas a empresa de Mário Leão Ramos, uma pequena gráfica da rua da Matriz. Ele ficou satisfeito comigo e me deu a representação dos seus produtos gráficos, cartões, notas fiscais, envelopes personalizados, isso tudo. E me dei bem, principalmente por ter conseguido vender toda a papelaria do Hotel Boa Viagem que estava sendo inaugurado. Depois dei um suporte administrativo na gráfica. Era um gerente sem nomeação. O dono gostou muito do meu desempenho. Por conta disso terminei amigo de Mário Leão Ramos, que tinha uma agência de publicidade de pequeno porte.

AM / Então foi o começo do Queiroz publicitário?

SQ / Exato. Mário vendeu a gráfica para montar uma filial da sua agência, a Abaeté, no Rio de Janeiro. E pediu para eu ficar na agência, embora não entendesse nada de publicidade, que naquela época se chamava reclame. Não tinha nem mesmo os requisitos essenciais para a função de publicitário, ter voz de locutor, escrever anúncios ou desenhar, mas era um bom vendedor. E foi o bastante. Em 1956 existiam no Recife poucas agências de publicidade. A atividade era exercida quase totalmente por locutores de rádio, que escreviam, gravavam spots e vendiam diretamente o anúncio. A Abaeté era formada pelo redator Nélson Porto, pelo contínuo Reginaldo e por mim. Fiquei meio deslocado inicialmente, sem saber o que fazer. Até que decidi assumir o papel de contínuo para me sentir mais útil na agência. Levava os clichês de chumbo com os anúncios para os jornais e o acetato para os rádios. Nesse cargo, organizei a administração da agência, os arquivos, e fui conhecendo gente dos veículos e impondo meu nome com seriedade no setor. Até que Nélson Porto foi convidado para trabalhar em outra agência.

Am / Como ficou o aprendiz de publicitário?

SQ / Mário Leão veio do Rio para resolver a situação. Nélson Porto, além de redator era o responsável pela agência. Mário me procurou e disse que eu seria uma “espécie” de gerente a partir daquele momento. Disse-lhe que era muita coragem convidar um contínuo para gerente da Abaeté. Mas tinha uma exigência a fazer, se ele não me demitisse logo após eu externar a exigência. Mário, apesar de ser um temperamental de grande coração, disse que não faria isso e disparei a questão: quero mandar no senhor. Como? Indagou Mário. O senhor é um intelectual, mora no Rio, não tem tempo de gerenciar a Abaeté. Por isso ela continua do mesmo jeito há 10 anos. Vou transformá-la na empresa de publicidade mais importante do Nordeste. Ele bateu no meu ombro e disse: meu gerente. Fiz outra exigência, de contratar o redator para substituir Nélson Porto. E que Mário só teria que avaliar a contratação de Luiz Maranhão Filho.

Am / De contínuo a executivo da agência.

SQ / Comecei então a mandar na agência. Juntei as salas do edifício Sertão, na avenida Guararapes, numa troca com o advogado Gibraldo de Moura Coelho, para facilitar o trabalho da agência. Fiz uma reforma interna e um gabinete para mim, o gerente. Porque eu, pequeno, careca e chamado Severino, tinha que mostrar que tinha um local só para mim, que realmente mandava na agência, para dar boa impressão aos clientes. A partir daí contratei desenhista, mídia, secretária e um contínuo. A Abaeté se transformou assim na primeira agência do Estado a ter uma ação profissional, com gerente, diferente das outras que ainda eram bem improvisadas.

Am – A Abaeté virou um modelo?

SQ / Exato. A agência tornou-se também um sucesso, fazendo coisas novas e trazendo mais respeitabilidade para a empresa. Mário recebia relatórios mensais do desempenho da Abaeté que não o preocupavam. Muito pelo contrário, ele ia me dando mais autonomia. Uma vez ele veio ao Recife e teve que esperar na ante-sala para ser atendido por mim. Fiz uma combinação com o contínuo para que isso acontecesse e para que Mário percebesse que o negócio estava organizado e tinha um gerente de fato.

Am / Como foi sua convivência com o mercado?

SQ / Comecei a profissionalizá-lo. Fizemos uma associação de publicitários, enquanto a Abaeté começava a ser um modelo baseado nas grandes agências do Sul, inclusive pagando diretamente aos veículos para depois receber dos anunciantes, uma prática que não existia no Recife. Com a chegada da televisão, em 1960, o setor cresceu, a agência estava preparada para atender as novas demandas. Aí eu já era o seu Queiroz, publicitário. Fazíamos coisas inovadoras e a prática interna era diferenciada, com reuniões para discussão de campanhas e relatórios para os clientes.

Am / A Abaeté cresceu?

SQ / Muito. Trouxemos publicitários do Rio e foi a primeira agência a ter sede própria no Recife. Um andar com sete salas no edifício Zigmunt Katz, no centro. Eu participava das reuniões da agência filial no Rio e era cada vez mais respeitado. Diziam até que eu mandava em Mário. Na verdade, eu tenho uma dívida de gratidão com Mário. Quando falava isso, ele não gostava. Dizia que eu estava no cargo pelo meu talento. Mesmo assim eu afirmava que devia a carreira de publicitário a ele.

Am / Foram 20 anos na Abaeté?

SQ / Isso mesmo. De 1956 a 1976. Aos 54 anos de idade ainda queria montar meu próprio negócio, para que ele desse continuidade a meu trabalho, um sentimento igual aquele que me motivou a deixar A Primavera. Pensei numa representação comercial de novo, mas fui alertado por amigos que poderia abrir uma agência de publicidade. Não tirei clientes da Abaeté, mas três anunciantes que tinha levado para lá, a Pitu, Açúcar Estrela e a Icopervil, decidiram me acompanhar. Em 1º de fevereiro de 1976 surgiu a Ampla, num primeiro andar de uma casinha no Derby. A nova agência não tinha funcionários, os anúncios eram feitos por free lancers. Sete meses depois a casa tornou-se pequena e agência já estava estruturada como tal. Mudamos então para uma casa maior no Espinheiro, onde meu filho Queirozinho começou a trabalhar.

Am / Começava a passagem do negócio para o filho?

SQ / Ainda não. Queirozinho teve aprender o negócio acertando e errando, pois só se acerta quando erra. Diferente dos outros pais quando o filho erra, continuei estimulando meu filho. Não ofereci minha cadeira a ele. Queirozinho sentou-se nela depois por competência. Da mesma forma a minha outra filha Ana Cristina toma conta da diretoria financeira e meu enteado Jair Silva atua na agência, juntamente com um dos meus netos. Eles chegaram onde estão por competência no trabalho e não por serem meus parentes.

Am / E a sede própria foi a concretização do sonho?

SQ / Sim. A sede da Abaeté foi o primeiro desafio superado. Mas a inauguração, em 1992, da sede própria da Ampla concretizou o que eu tinha estabelecido como meta de vida e profissional. Dei o nome de Ana Queiroz, minha mãe, ao primeiro edifício construído no Recife para ser agência de publicidade. E hoje a agência é uma das melhores do Estado.

Am / Qual o seu papel hoje na Ampla?

SQ / Acompanho de perto os negócios da agência. Mas vou lá quando quero e participo do que quero dentro da empresa. Vou todos os dias, quero morrer na ativa.

Am – A Ampla tem coisas atípicas. Como espalhar moedas pelo chão que despertam a curiosidade de quem passa por lá?

SQ / É um velho hábito que já mereceu pelo menos três reportagens na imprensa. Jogo dinheiro no chão da agência, de casa e até na rua. Isso me levou a situações curiosas como uma mulher correndo atrás de mim para entregar o dinheiro caído ou os contínuos recolhendo o dinheiro na agência para fazer um lanche. Não me importo. É uma superstição que me traz mais dinheiro.

Am / Então o dinheiro não é importante?

SQ / É sim. Mas não é a única coisa que se deve buscar. Pauto minha vida da seguinte forma: primeiro em importância deve ser o trabalho de cada um. Não é o emprego, mas sim a atividade que se exerce. Porque com o trabalho, a pessoa sustenta a família, torna-se digno e respeitado; em segundo lugar vem a família, que dá estabilidade ao sujeito para que ele trabalhe bem; em terceiro, os amigos, porque ninguém faz nada sem os amigos; e, por fim, o dinheiro, que é conseqüência dos itens anteriores.

Am / Cinqüenta anos como publicitário, o que mudou neste ramo?

SQ / A publicidade se profissionalizou nesse período. Hoje é uma profissão. Os jovens têm que cursar uma faculdade. É um dos cursos mais disputados, o que dá idéia do futuro do setor.

Am / Algum arrependimento?

SQ / Nenhum. Escolheria mil vezes a publicidade para fazer uma carreira.

Advogado diz que Governo do Estado custa a pagar precatórios

15 de julho de 2012 – 20:58

O Estado de Pernambuco deve em precatórios judiciais – pagamentos determinados pela Justiça de causas perdidas pelo Executivo – em torno de R$ 420 milhões. Anualmente, o governo estadual deposita R$ 30 milhões para honrar alguns pagamentos. Isso é insuficiente, segundo o advogado especialista em Direito Público Irapuan Emerenciano. E a dívida vai se acumulando. A seção local da OAB montou uma comissão especial, presidida por Emerenciano, para atender quem é credor do Estado.

P - Quando o Governo vai pagar o que deve?

R - O Governo de Pernambuco poderá pagar o precatório em até 15 anos. No entanto, a dívida ano a ano vai crescendo a um ponto em que se tornará impagável, como ocorre com São Paulo e Espírito Santo. Esse prazo, porém, está sendo questionado na Justiça. É preciso reduzi-lo.

P - Muitos morrem antes de receber?

R - Sim, muitíssimos. Tem o caso de um grupo de auditores do Estado que iniciou uma ação em 1995 e ainda não recebeu o que o Estado lhe deve. Do grupo de 15, já faleceram 10. Outros estão bem idosos ou com doenças graves. É um crime contra a cidadania.

P - O que é acontece se o cidadão dever ao Governo?

R- Neste caso, mesmo que o cidadão não tenha condições de pagar à Fazenda Pública, Estado ou União, ele é inscrito na relação restritiva de crédito, seus bens penhorados, arrestado seu patrimônio e até pode ser preso, tornando-o, na maioria das vezes, um criminoso com difícil recuperação social e econômica. A diferença de tratamento se chama desequilíbrio processual ou calote oficial. O cidadão tem prazo para pagar suas dívidas, o Executivo, não.

(Antonio Magalhães - Coluna INSTITUCIONAL -  Revista Negócios PE nº 24/Junho?2012)

Pernambuco precisa de uma nova cidade

14 de novembro de 2011 – 20:05

Gustavo Maia Gomes, economista e escritor

Assim como acontece no entorno dos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), o Litoral Norte pernambucano vive a expectativa otimista de uma revolução econômica. A montadora de automóveis Fiat está prestes a ali se instalar; a construção de um porto e um aeroporto é uma possibilidade real; vários outros empreendimentos, alguns, grandes, outros, enormes, também foram anunciados. Com a Fiat, virão dezenas de fornecedoras; com o complexo logístico, será atraído um número ainda maior de empresas. Mais renda, empregos, oportunidades.

Por um lado, parabéns; por outro, uma nota de cautela. Há trinta anos, situação semelhante se produziu no mesmo lugar. A grande esperança, então, era o turismo. Mas a realidade jamais confirmou as promessas. Ao contrário, o Litoral Norte foi ficando para trás. Em tudo, não somente no turismo. Será possível que uma nova decepção esteja a caminho? Se assim for, como evitá-la?

ABORTO TURÍSTICO

Até o início dos anos 1980, o prometido Eldorado do turismo pernambucano era a ilha de Itamaracá e outras praias da região, como Janga, Pau Amarelo, Conceição e Maria Farinha, em Paulista; Pontas de Pedra, em Goiana; Casa Caiada, em Olinda. Cada um desses lugares parecia destinado a abrigar, em pouco tempo, segundas residências da classe média de maior poder aquisitivo, assim como pousadas e hotéis de luxo, além de restaurantes de alto padrão e casas de diversão variadas. Um hotel sofisticado, para a época, (o Quatro Rodas) chegou a se instalar em Casa Caiada.

Mas erros graves foram cometidos, a partir de então. As poucas verbas do primeiro Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste) que vieram para Pernambuco foram aplicadas, todas, no Litoral Sul. Além disso, houve a localização de duas cadeias em Itamaracá, um forte fator de desincentivo aos que procuravam aquela praia. Corria, inclusive, a lenda de que, à noite, os presídios liberavam os internos – ocasiões que eles aproveitavam para roubar os turistas. Mesmo durante o dia, os assaltos se sucediam, com as consequências negativas que se poderiam esperar.

Esse problema com os presídios, contudo, era só de Itamaracá e o aborto turístico ocorreu, na verdade, também em Goiana, Olinda e Paulista. A principal explicação para isso parece ter sido a irresponsabilidade das prefeituras, que permitiram a mais anárquica ocupação das áreas sob sua administração. Naquela época, era comum alguém comprar um terreno “à beira-mar” – em Rio Doce (Olinda), em Itamaracá e noutros lugares –, e ser surpreendido, alguns meses adiante, com a construção de uma casa em frente à sua. Às vezes, lhe impossibilitando até mesmo o acesso à praia.

CAOS URBANO

Nessas condições, em pouco tempo, as condições de habitabilidade e de simples acolhimento aos visitantes se deterioraram profundamente. A maioria dos turistas procurou outros locais; os que ficaram tinham baixo poder aquisitivo, como os beneficiários de invasões ou os comerciantes instalados em barracos irregulares. Pode até ter sido democrático, no curto prazo; com a passagem do tempo, mostrou-se desastroso. Pois a irresponsabilidade dos prefeitos contribuiu para o colapso econômico no Litoral Norte. E ninguém, seja pobre ou rico, se beneficia da decadência.

Como as atividades turísticas exercem óbvio efeito sobre a renda local, sua retração afetou todo o setor serviços e, por extensão, explica uma parte não desprezível da queda brusca na participação do Litoral Norte no PIB pernambucano. Um dado impactante, a esse respeito: em 1985, as “despesas com salários nas atividades do comércio total” (uma medida relacionada com a atividade turística) no Litoral Norte correspondiam a 51,2% da mesma variável no entorno de Suape (Jaboatão, Cabo e Ipojuca); em 1996, essa relação havia caído para 16,1%. (Fonte: IBGE). Não por coincidência, poucos anos depois de inaugurado, o hotel Quatro Rodas fechou.

São erros que podem voltar a ser cometidos agora. Pois, com os investimentos anunciados para o Litoral Norte, haverá um enorme afluxo de pessoas procurando residir na região. Se o poder público reagir com a mesma incompetência anterior, a atual revolução das expectativas se transformará em um pesadelo urbano irreversível que inviabilizará, até mesmo, a expansão econômica posterior.

DESAFIOS, OPORTUNIDADES

Mas desafios são, também, oportunidades. O atual governo de Pernambuco bem pode vir a ser considerado, no futuro, o melhor que o Estado teve em sua História. Em parte, isso dependerá de como ele tirar proveito dos ventos favoráveis que hoje sopram. No caso específico do Litoral Norte, o governo deveria erigir, do zero, nas vastas regiões inabitadas que ainda existem ali, uma nova cidade. Planejada. Bonita. Inteligente. Sustentável. Não será necessário gastar um centavo, agora. Basta criar o marco legal que torne possível a essa aglomeração de gente – que surgirá, com ou sem governo – crescer de uma forma ordenada. Tenho até um nome para a nova cidade: Duarte Coelho.

Se, com o primeiro capitão donatário, Pernambuco foi o centro da economia colonial, no século 16; com a cidade que receberá seu nome, o Estado poderá ter a mais exemplar aglomeração urbana do Brasil, no século 21. É pegar ou largar.

Forças Armadas não incomodam ninguém

7 de setembro de 2011 – 23:28

Os militares estão mesmo por baixo. Para fazerem se notar no 7 de setembro tiveram que interditar a avenida Mário Melo, causando um grande transtorno do trânsito. Isso por que a Prefeitura do Recife deixou. Havia outras  áreas para instalarem o palanque central. Mas voltando aos militares, proporcionaram um desfile mixuruca: soldados barrigudos, armas velhas, blindados do tempo do ronca. Essas são nossas Forças Armadas.

Os militares perderam o Poder que não deviam ter tomado. Perderam os ministérios. Vivem perseguidos pelos fantasmas dos porões. E têm a infelicidade de ser comandados pelo megalonanico Celso Amorim, que não vai fazer nada por eles. São Forças Armadas brancaleonicas. São forças obsoletas que não incomodam mais ninguém.

Rosental fala do futuro do jornalismo na Web

5 de setembro de 2011 – 0:23

Trecho da entrevista do jornalista e professor da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alves, ao Diário de Pernambuco (05.09.11). Rosental, que veio ao Recife para o seminário da Intercom, fala sobre o Webjornalismo, a prática profissional do futuro.

E qual seria o jornalismo do futuro?

Sou um otimista. O contador de histórias sempre teve um lugar de destaque em qualquer sociedade, desde o tempo das cavernas. O jornalismo vai se adaptar ao novo ecossistema da media que esta emergindo. Terá novas formas, novos estilos, mas os princípios éticos e profissionais serão os mesmos. Qualquer sociedade livre e democrática necessita um jornalismo profissional e independente, capaz de atuar não só como um cão-de-guarda, fiscalizando os poderosos, mas também capaz de ser a instância verificadora das informações que se espalham com enorme velocidade através das redes digitais. Os modelos de negócios serão diferentes, as formas de contar histórias também. Mas não há nada nesta evolução tecnológica que me faça pensar que o jornalismo não tenha um futuro promissor.

E qual a sua opinião em relação às faculdades de jornalismo? É contra a formação universitária?

Nunca me posicionei contra a faculdade de jornalismo. Como poderia fazê-lo, se sou professor de jornalismo? Eu teria primeiro que pedir demissão. Ao contrário, a faculdade de jornalismo e o estudo do jornalismo nunca foram tão importantes como agora, devido aos movimentos sísmicos que estamos vivenciando no ambiente comunicacional. Aqui no Texas, eu tenho defendido há anos que todos os mais de 50 mil alunos do nosso campus deveriam ter pelo menos um semestre de jornalismo, independentemente da carreira que estejam seguindo. Com a cacofonia que se estabelece neste novo ecossistema midiático, é importante que as pessoas saibam, por exemplo, distinguir entre o que e jornalismo e o que parece ser jornalismo mas não é. Também acho que as faculdades de jornalismo ou departamentos de jornalismo em faculdades de comunicação precisam ser respeitadas como centros de pesquisa científica relevantes e merecedores de apoio. O estudo do jornalismo é muito importante para a sociedade.

E a questão do diploma? No Brasil, desde 2009, para se exercer jornalismo não se precisa desta formação específica numa universidade…

Sou a favor do diploma, mas contra a exigência do diploma para quem uma pessoa exerça o jornalismo. Jornalismo é um dos cursos mais populares aqui nos Estados Unidos, apesar de que nunca tenha havido a exigência do diploma. A última vez que vi um estudo a respeito, 85% dos novos jornalistas nos Estados Unidos vinha de faculdades de jornalismo. Mas não por exigência de uma lei. Quem tem um diploma em jornalismo tem melhores condições de exercer o jornalismo. Mas nem todas as carreiras universitárias têm ou precisam ter uma reserva de mercado para seus formandos. Exercer o jornalismo é uma forma de expressar-se, de contar histórias, de dar a sua versão dos fatos para quem quiser escutá-la. Há uma consagrada base jurídica internacional sobre o direito a expressar-se. Colocar qualquer empecilho legal no exercício desse direito, mesmo com as mais nobres intenções, é uma violação do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas e do artigo 13 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos.

Conversas no Facebook - João Paulo quer censurar Imprensa (2)

3 de setembro de 2011 – 17:15

Felipe Vieira (jornalista) -A resposta é incrivelmente longa, mas necessária. É facultado a todos o inalienável de direito de não lê-la, bem como chamar o missivista de chato e prolixo, pois ele já está acostumado a isso.

Se formos raciocinar pela versão caricatural da história, fica parecendo que meu argumento é coisa de doido. Mas não é não. É inclusive bem fácil de entender, mas precisa (“ih lá vai ele de novo escrever cinco mil palavras”) de uma pequena (?) digressão. O imaginário popular não é formado única e exclusivamente pelas informações que circulam pela Imprensa, livros, discos, peças de teatro e cátedras. Esses refletem, ora a conjuntura da época, ora do passado. O que havia na ditadura militar era um cerco muitíssimo mal ajambrado ao fluxo de informações que vinham desses lugares. Chico Buarque, Carlos Heitor Cony, Ziraldo, Jaguar, Olavo de Carvalho (sim, era jornalista e comunista filiado ao Partidão), todos já contaram como era fácil burlar os velhacos do Dops e da Polícia Federal que ficavam nas redações. Não estou dizendo aqui que tudo passava, é claro, mas que uma geração talentosíssima como essa pintou e bordou com os censores, é coisa que eles mesmos dizem.

Quando entrei na faculdade meu saudoso pai me deu um livro: “Jornalistas e Revolucionários”, de Bernardo Kucinski. Li na época e não entendi muito bem. Voltei a ele alguns anos atrás e digeri melhor. A tese central do livro é que os 150 jornais alternativos que surgiram no País nos primeiros 15 anos da ditadura foram o principal motor da redemocratização e escoadouro de ideias “indesejáveis”. É uma pesquisa minuciosa, com nomes das publicações, período de atividades, jornalistas responsáveis, etc. Sem o fluxo de informações que rodou pelos “nanicos”, muita coisa do regime teria passado em branco. E Luiz Garcia, ex-editor d’O Globo, admite que, já naquela época, a grande maioria dos jornalistas era de esquerda e que com isso era mais fácil burlar a censura, mesmo nos jornalões.

Naquela época, como dão testemunho pessoas próximas a mim, malgrado o regime autoritário, existia o conflito de ideias e a boa convivência entre elas. Trabalhei com uma figuraça que foi líder estudantil da ARENA (dá pra imaginar líder estudantil de direita hoje? Nem direita se imagina, quanto mais líder…) e que me contou que eles disputavam DA’s e DCEs com a turma do Partidão…e que depois todos tomavam cachaça juntos. O pai de um grande amigo meu, militante de esquerda, tocava violão nos saraus com Zé Múcio, fina flor do PDS. Minha tia-avó, católica-ultra-conservadora, comandava um grupo de mulheres católicas que, a pedido de mães e mulheres de presos políticos, fizeram a primeira manifestação em favor da libertação destes, em frente ao QG do então Quarto Exército. Outro camarada com quem trabalhei, sendo ligado à direita (Moura Cavalcanti, etc), contou-me que jamais deixou de ajudar o irmão, militante comunista que foi preso e torturado levando “camaradas” a “aparelhos” no interior de Pernambuco. Prova inconteste de que, dentro da precariedade do arranjo institucional, era possível e até aceitável divergir. E que as divergências não comprometiam relacionamentos. Em suma, se existia uma censura institucionalizada, havia respiradouros e um clima de relativa abertura e tolerância. Entenda: é algo muito maior que milicos revirando matérias de jornais, torturando nas celas ou dando ordens nos gabientes. É o espírito da época que era, acredite, mais propício à tolerância.

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Felipe Vieira O tempo passou e a “democracia” veio. Com ela a total e ilimitada liberdade para se publicar livros, lançar discos, escrever colunas, etc, etc. E qual é o acontecimento político mais marcante e decisivo desde o final da ditadura (que desde 1974 começou a distensionar-se)? É a ascensão da esquerda e a derrocada da direita no cenário político. E como isso foi possível? Porque lá atrás, nos anos 60, enquanto os milicos caçavam guerrilheiros no Araguaia e, tacanhamente, acreditavam que a esquerda brasileira era predominantemente marxista-leninista, os mais espertos já estavam lendo Gramsci e, lenta e seguramente, se encastelando e dominando os meios difusores de ideias. O cara tem que ler Gramsci para ver com os próprios olhos a tremenda cara de pau do sujeito, que é o ideólogo-mor da esquerda brasileira pós-68 (como pouquíssima gente lê essas coisas, não sabe mesmo). A teoria dele é de uma engenhosidade formidável: não adiantava uma elite revolucionária tomar o poder para construir o socialismo. A construção do “homem socialista” tinha que vir de baixo, através de um troço que ele chamava de “revolução cultural”. O que é isso? É a tomada, pelos “intelectuais orgânicos” (termo dele) dos espaços onde circulam e se difundem ideiasq e que, por definição, formam a mentalidade das futuras gerações. Gramsci ensinava que era preciso “ocupar espaços” (mais um termo dele) e “depurar” o ambiente de todo e qualquer conhecimento anti-esquerdista, para que no futuro a esquerda fosse o único destino possível. Deu errado nas democracias mais fortes, como em sua própria Itália. Mas no Brasil…

Olhem o Brasil de hoje. Vejam as redações de jornal, o meio artístico, o mercado editorial, o movimento estudantil, o movimento sindical, a divisão ideológica dos partidos políticos e, principalmente, o tosco “debate nacional” e me digam se o baixinho de Turim não era um gênio e se seus pupilos não foram vitoriosos. Se hoje não existe uma direita no Brasil, não é por simples “incompetência” como alardeiam. Que brasileiro na faixa dos 50 anos leu Hayek? Von Mises? Russell Kirk? Tocqueville? Revel? Roger Scruton? Raymond Aron? Carlos Rangel? Vá lá, Winston Churchill e Mario Vargas Llosa (esse último depois de deixar de ser comunista) pra ficar mais fácil. Nada. Frequento por tabela a Academia e sei que lá isso passa longe. Detalhe: não é assim no mundo civilizado, onde todos os autores que citei são objetos de estudo até hoje.

Em 40 anos a cosmovisão do brasileiro letrado mudou radicalmente, numa óbvia guinada à esquerda e rombudo desconhecimento de quaisquer leituras que não sejam desse universo. O que acontece hoje é que o sujeito, a despeito do ambiente supostamente democrático que desfruta, NÃO PODE TER CERTAS OPINIÕES sem que desabe sobre ele uma torrente de xingamentos e desconfianças, sem que os amigos e parentes comentem que ele mudou, que tá estranho, etc. Acabou-se a divergência. Só o consenso interessa. Luis Fernando Veríssimo, o Velhinho de Taubaté do PT, observou com incrível exatidão que no Brasil de hoje não de discute, não se diverge. Se o cara tem um pensamento que não se enquadra no “espírito do tempo” ele é simplesmente jogado para fora do “debate”. É, para usar mais um termo de Gramsci, uma “aberração”. Zuenir Ventura e Fernando Gabeira, dois homens sobre os quais não pode pairar qualquer desconfiança de serem “reacionários”, foram intelectualmente honestos o bastante para expressar que a democracia brasileira precisa urgentemente de um contraponto ao “progressismo” dominante.

Como era um craque no imaginário mas um perna-de-pau em economia, Gramsci só errou quando apostou que o homem socialista construiria o socialismo. Não construiu nem vai construir. Mas no Brasil sua obra de mutilação intelectual foi altamente bem-sucedida. Desprovido de alimento intelectual variado e da pluraridade de visões nos debates, o brasileiro médio letrado virou um “homem-massa”, como dizia José Ortega Y Gasset. O espírito da época de hoje é diferente: estimula hostilidades, conflitos, rupturas, desconfianças, intolerância.

Dito tudo isso, onde é que entra a censura nos tempos atuais? Ora, quer censura maior que a de um amigo ou parente que se sente ofendido apenas porque você pensa diferentemente dele? Quer censura maior do que não poder expressar um preceito de sua religião que não ofende nem incita ofensas a terceiros? Quer censura maior do que não poder contar uma piada sem que olhem para você com cara de reprovação? Quer censura maior do que chegar numa sala de aula de uma universidade, citar determinado autor que contribuiria, com outro ponto de vista, para uma discussão e ser chamado de lunático? Quer censura maior que não poder dizer que lê determinado autor por ele ser, para a esmagadora maioria do rebanho, “reacionário”? Quer censura maior que ser chamado de “chato” e “prolixo” porque você quer, com a melhor das intenções, apenas argumentar em favor em um ponto de vista que nem de longe defende racismo, preconceito ou genocídio? Quer censura maior do que ser rotulado de intolerante mesmo quando você demonstra por A + B que privilégios para determinados grupos só geram mais discriminação? Quer censura maior do que um eleitor com tendências mais liberais, libertárias ou até mesmo conservadoras não ter um partido político que o represente? Quer censura maior que ser repreendido pela escola dos filhos quando se vai contestar algumas absurdidades que existem em livros didáticos? Quer censura maior do que ter seu projeto de filme recusado na Petrobras porque ele não é “indutor de justiça social e direitos humanos”? Quer censura maior do que não ver em livrarias e bibliotecas toda uma bibliografa considerada “indesejável” pelo consenso dominante? Quer censura maior do que ser olhado com escárnio porque você trabalhou com algum político que nunca roubou nem matou ninguém, mas que simplesmente é filiado ao “partido errado”, e ao mesmo tempo ver essas mesmas pessoas colaborarem alegremente para toda uma sorte de sacanagens do “partido certo”?

Não é porque não vivemos numa ditadura stricto sensu que temos liberdade total de pensamento e expressão, além de acesso irrestro à informação. Pensem nisso.

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Antonio Magalhães -  Perfeito, Felipe. Muito boa a argumentação. Pensar na manada é fácil. Quero ver enfrentar as divergências num ambiente democrático. Colocarei esse complemento no meu blog www.antoniomagalhaes.com.br. Já publiquei a discussão inicial.