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Pernambuco precisa de uma nova cidade

14 de novembro de 2011 – 20:05

Gustavo Maia Gomes, economista e escritor

Assim como acontece no entorno dos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), o Litoral Norte pernambucano vive a expectativa otimista de uma revolução econômica. A montadora de automóveis Fiat está prestes a ali se instalar; a construção de um porto e um aeroporto é uma possibilidade real; vários outros empreendimentos, alguns, grandes, outros, enormes, também foram anunciados. Com a Fiat, virão dezenas de fornecedoras; com o complexo logístico, será atraído um número ainda maior de empresas. Mais renda, empregos, oportunidades.

Por um lado, parabéns; por outro, uma nota de cautela. Há trinta anos, situação semelhante se produziu no mesmo lugar. A grande esperança, então, era o turismo. Mas a realidade jamais confirmou as promessas. Ao contrário, o Litoral Norte foi ficando para trás. Em tudo, não somente no turismo. Será possível que uma nova decepção esteja a caminho? Se assim for, como evitá-la?

ABORTO TURÍSTICO

Até o início dos anos 1980, o prometido Eldorado do turismo pernambucano era a ilha de Itamaracá e outras praias da região, como Janga, Pau Amarelo, Conceição e Maria Farinha, em Paulista; Pontas de Pedra, em Goiana; Casa Caiada, em Olinda. Cada um desses lugares parecia destinado a abrigar, em pouco tempo, segundas residências da classe média de maior poder aquisitivo, assim como pousadas e hotéis de luxo, além de restaurantes de alto padrão e casas de diversão variadas. Um hotel sofisticado, para a época, (o Quatro Rodas) chegou a se instalar em Casa Caiada.

Mas erros graves foram cometidos, a partir de então. As poucas verbas do primeiro Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste) que vieram para Pernambuco foram aplicadas, todas, no Litoral Sul. Além disso, houve a localização de duas cadeias em Itamaracá, um forte fator de desincentivo aos que procuravam aquela praia. Corria, inclusive, a lenda de que, à noite, os presídios liberavam os internos – ocasiões que eles aproveitavam para roubar os turistas. Mesmo durante o dia, os assaltos se sucediam, com as consequências negativas que se poderiam esperar.

Esse problema com os presídios, contudo, era só de Itamaracá e o aborto turístico ocorreu, na verdade, também em Goiana, Olinda e Paulista. A principal explicação para isso parece ter sido a irresponsabilidade das prefeituras, que permitiram a mais anárquica ocupação das áreas sob sua administração. Naquela época, era comum alguém comprar um terreno “à beira-mar” – em Rio Doce (Olinda), em Itamaracá e noutros lugares –, e ser surpreendido, alguns meses adiante, com a construção de uma casa em frente à sua. Às vezes, lhe impossibilitando até mesmo o acesso à praia.

CAOS URBANO

Nessas condições, em pouco tempo, as condições de habitabilidade e de simples acolhimento aos visitantes se deterioraram profundamente. A maioria dos turistas procurou outros locais; os que ficaram tinham baixo poder aquisitivo, como os beneficiários de invasões ou os comerciantes instalados em barracos irregulares. Pode até ter sido democrático, no curto prazo; com a passagem do tempo, mostrou-se desastroso. Pois a irresponsabilidade dos prefeitos contribuiu para o colapso econômico no Litoral Norte. E ninguém, seja pobre ou rico, se beneficia da decadência.

Como as atividades turísticas exercem óbvio efeito sobre a renda local, sua retração afetou todo o setor serviços e, por extensão, explica uma parte não desprezível da queda brusca na participação do Litoral Norte no PIB pernambucano. Um dado impactante, a esse respeito: em 1985, as “despesas com salários nas atividades do comércio total” (uma medida relacionada com a atividade turística) no Litoral Norte correspondiam a 51,2% da mesma variável no entorno de Suape (Jaboatão, Cabo e Ipojuca); em 1996, essa relação havia caído para 16,1%. (Fonte: IBGE). Não por coincidência, poucos anos depois de inaugurado, o hotel Quatro Rodas fechou.

São erros que podem voltar a ser cometidos agora. Pois, com os investimentos anunciados para o Litoral Norte, haverá um enorme afluxo de pessoas procurando residir na região. Se o poder público reagir com a mesma incompetência anterior, a atual revolução das expectativas se transformará em um pesadelo urbano irreversível que inviabilizará, até mesmo, a expansão econômica posterior.

DESAFIOS, OPORTUNIDADES

Mas desafios são, também, oportunidades. O atual governo de Pernambuco bem pode vir a ser considerado, no futuro, o melhor que o Estado teve em sua História. Em parte, isso dependerá de como ele tirar proveito dos ventos favoráveis que hoje sopram. No caso específico do Litoral Norte, o governo deveria erigir, do zero, nas vastas regiões inabitadas que ainda existem ali, uma nova cidade. Planejada. Bonita. Inteligente. Sustentável. Não será necessário gastar um centavo, agora. Basta criar o marco legal que torne possível a essa aglomeração de gente – que surgirá, com ou sem governo – crescer de uma forma ordenada. Tenho até um nome para a nova cidade: Duarte Coelho.

Se, com o primeiro capitão donatário, Pernambuco foi o centro da economia colonial, no século 16; com a cidade que receberá seu nome, o Estado poderá ter a mais exemplar aglomeração urbana do Brasil, no século 21. É pegar ou largar.

Forças Armadas não incomodam ninguém

7 de setembro de 2011 – 23:28

Os militares estão mesmo por baixo. Para fazerem se notar no 7 de setembro tiveram que interditar a avenida Mário Melo, causando um grande transtorno do trânsito. Isso por que a Prefeitura do Recife deixou. Havia outras  áreas para instalarem o palanque central. Mas voltando aos militares, proporcionaram um desfile mixuruca: soldados barrigudos, armas velhas, blindados do tempo do ronca. Essas são nossas Forças Armadas.

Os militares perderam o Poder que não deviam ter tomado. Perderam os ministérios. Vivem perseguidos pelos fantasmas dos porões. E têm a infelicidade de ser comandados pelo megalonanico Celso Amorim, que não vai fazer nada por eles. São Forças Armadas brancaleonicas. São forças obsoletas que não incomodam mais ninguém.

Rosental fala do futuro do jornalismo na Web

5 de setembro de 2011 – 0:23

Trecho da entrevista do jornalista e professor da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alves, ao Diário de Pernambuco (05.09.11). Rosental, que veio ao Recife para o seminário da Intercom, fala sobre o Webjornalismo, a prática profissional do futuro.

E qual seria o jornalismo do futuro?

Sou um otimista. O contador de histórias sempre teve um lugar de destaque em qualquer sociedade, desde o tempo das cavernas. O jornalismo vai se adaptar ao novo ecossistema da media que esta emergindo. Terá novas formas, novos estilos, mas os princípios éticos e profissionais serão os mesmos. Qualquer sociedade livre e democrática necessita um jornalismo profissional e independente, capaz de atuar não só como um cão-de-guarda, fiscalizando os poderosos, mas também capaz de ser a instância verificadora das informações que se espalham com enorme velocidade através das redes digitais. Os modelos de negócios serão diferentes, as formas de contar histórias também. Mas não há nada nesta evolução tecnológica que me faça pensar que o jornalismo não tenha um futuro promissor.

E qual a sua opinião em relação às faculdades de jornalismo? É contra a formação universitária?

Nunca me posicionei contra a faculdade de jornalismo. Como poderia fazê-lo, se sou professor de jornalismo? Eu teria primeiro que pedir demissão. Ao contrário, a faculdade de jornalismo e o estudo do jornalismo nunca foram tão importantes como agora, devido aos movimentos sísmicos que estamos vivenciando no ambiente comunicacional. Aqui no Texas, eu tenho defendido há anos que todos os mais de 50 mil alunos do nosso campus deveriam ter pelo menos um semestre de jornalismo, independentemente da carreira que estejam seguindo. Com a cacofonia que se estabelece neste novo ecossistema midiático, é importante que as pessoas saibam, por exemplo, distinguir entre o que e jornalismo e o que parece ser jornalismo mas não é. Também acho que as faculdades de jornalismo ou departamentos de jornalismo em faculdades de comunicação precisam ser respeitadas como centros de pesquisa científica relevantes e merecedores de apoio. O estudo do jornalismo é muito importante para a sociedade.

E a questão do diploma? No Brasil, desde 2009, para se exercer jornalismo não se precisa desta formação específica numa universidade…

Sou a favor do diploma, mas contra a exigência do diploma para quem uma pessoa exerça o jornalismo. Jornalismo é um dos cursos mais populares aqui nos Estados Unidos, apesar de que nunca tenha havido a exigência do diploma. A última vez que vi um estudo a respeito, 85% dos novos jornalistas nos Estados Unidos vinha de faculdades de jornalismo. Mas não por exigência de uma lei. Quem tem um diploma em jornalismo tem melhores condições de exercer o jornalismo. Mas nem todas as carreiras universitárias têm ou precisam ter uma reserva de mercado para seus formandos. Exercer o jornalismo é uma forma de expressar-se, de contar histórias, de dar a sua versão dos fatos para quem quiser escutá-la. Há uma consagrada base jurídica internacional sobre o direito a expressar-se. Colocar qualquer empecilho legal no exercício desse direito, mesmo com as mais nobres intenções, é uma violação do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas e do artigo 13 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos.

Conversas no Facebook - João Paulo quer censurar Imprensa (2)

3 de setembro de 2011 – 17:15

Felipe Vieira (jornalista) -A resposta é incrivelmente longa, mas necessária. É facultado a todos o inalienável de direito de não lê-la, bem como chamar o missivista de chato e prolixo, pois ele já está acostumado a isso.

Se formos raciocinar pela versão caricatural da história, fica parecendo que meu argumento é coisa de doido. Mas não é não. É inclusive bem fácil de entender, mas precisa (“ih lá vai ele de novo escrever cinco mil palavras”) de uma pequena (?) digressão. O imaginário popular não é formado única e exclusivamente pelas informações que circulam pela Imprensa, livros, discos, peças de teatro e cátedras. Esses refletem, ora a conjuntura da época, ora do passado. O que havia na ditadura militar era um cerco muitíssimo mal ajambrado ao fluxo de informações que vinham desses lugares. Chico Buarque, Carlos Heitor Cony, Ziraldo, Jaguar, Olavo de Carvalho (sim, era jornalista e comunista filiado ao Partidão), todos já contaram como era fácil burlar os velhacos do Dops e da Polícia Federal que ficavam nas redações. Não estou dizendo aqui que tudo passava, é claro, mas que uma geração talentosíssima como essa pintou e bordou com os censores, é coisa que eles mesmos dizem.

Quando entrei na faculdade meu saudoso pai me deu um livro: “Jornalistas e Revolucionários”, de Bernardo Kucinski. Li na época e não entendi muito bem. Voltei a ele alguns anos atrás e digeri melhor. A tese central do livro é que os 150 jornais alternativos que surgiram no País nos primeiros 15 anos da ditadura foram o principal motor da redemocratização e escoadouro de ideias “indesejáveis”. É uma pesquisa minuciosa, com nomes das publicações, período de atividades, jornalistas responsáveis, etc. Sem o fluxo de informações que rodou pelos “nanicos”, muita coisa do regime teria passado em branco. E Luiz Garcia, ex-editor d’O Globo, admite que, já naquela época, a grande maioria dos jornalistas era de esquerda e que com isso era mais fácil burlar a censura, mesmo nos jornalões.

Naquela época, como dão testemunho pessoas próximas a mim, malgrado o regime autoritário, existia o conflito de ideias e a boa convivência entre elas. Trabalhei com uma figuraça que foi líder estudantil da ARENA (dá pra imaginar líder estudantil de direita hoje? Nem direita se imagina, quanto mais líder…) e que me contou que eles disputavam DA’s e DCEs com a turma do Partidão…e que depois todos tomavam cachaça juntos. O pai de um grande amigo meu, militante de esquerda, tocava violão nos saraus com Zé Múcio, fina flor do PDS. Minha tia-avó, católica-ultra-conservadora, comandava um grupo de mulheres católicas que, a pedido de mães e mulheres de presos políticos, fizeram a primeira manifestação em favor da libertação destes, em frente ao QG do então Quarto Exército. Outro camarada com quem trabalhei, sendo ligado à direita (Moura Cavalcanti, etc), contou-me que jamais deixou de ajudar o irmão, militante comunista que foi preso e torturado levando “camaradas” a “aparelhos” no interior de Pernambuco. Prova inconteste de que, dentro da precariedade do arranjo institucional, era possível e até aceitável divergir. E que as divergências não comprometiam relacionamentos. Em suma, se existia uma censura institucionalizada, havia respiradouros e um clima de relativa abertura e tolerância. Entenda: é algo muito maior que milicos revirando matérias de jornais, torturando nas celas ou dando ordens nos gabientes. É o espírito da época que era, acredite, mais propício à tolerância.

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Felipe Vieira O tempo passou e a “democracia” veio. Com ela a total e ilimitada liberdade para se publicar livros, lançar discos, escrever colunas, etc, etc. E qual é o acontecimento político mais marcante e decisivo desde o final da ditadura (que desde 1974 começou a distensionar-se)? É a ascensão da esquerda e a derrocada da direita no cenário político. E como isso foi possível? Porque lá atrás, nos anos 60, enquanto os milicos caçavam guerrilheiros no Araguaia e, tacanhamente, acreditavam que a esquerda brasileira era predominantemente marxista-leninista, os mais espertos já estavam lendo Gramsci e, lenta e seguramente, se encastelando e dominando os meios difusores de ideias. O cara tem que ler Gramsci para ver com os próprios olhos a tremenda cara de pau do sujeito, que é o ideólogo-mor da esquerda brasileira pós-68 (como pouquíssima gente lê essas coisas, não sabe mesmo). A teoria dele é de uma engenhosidade formidável: não adiantava uma elite revolucionária tomar o poder para construir o socialismo. A construção do “homem socialista” tinha que vir de baixo, através de um troço que ele chamava de “revolução cultural”. O que é isso? É a tomada, pelos “intelectuais orgânicos” (termo dele) dos espaços onde circulam e se difundem ideiasq e que, por definição, formam a mentalidade das futuras gerações. Gramsci ensinava que era preciso “ocupar espaços” (mais um termo dele) e “depurar” o ambiente de todo e qualquer conhecimento anti-esquerdista, para que no futuro a esquerda fosse o único destino possível. Deu errado nas democracias mais fortes, como em sua própria Itália. Mas no Brasil…

Olhem o Brasil de hoje. Vejam as redações de jornal, o meio artístico, o mercado editorial, o movimento estudantil, o movimento sindical, a divisão ideológica dos partidos políticos e, principalmente, o tosco “debate nacional” e me digam se o baixinho de Turim não era um gênio e se seus pupilos não foram vitoriosos. Se hoje não existe uma direita no Brasil, não é por simples “incompetência” como alardeiam. Que brasileiro na faixa dos 50 anos leu Hayek? Von Mises? Russell Kirk? Tocqueville? Revel? Roger Scruton? Raymond Aron? Carlos Rangel? Vá lá, Winston Churchill e Mario Vargas Llosa (esse último depois de deixar de ser comunista) pra ficar mais fácil. Nada. Frequento por tabela a Academia e sei que lá isso passa longe. Detalhe: não é assim no mundo civilizado, onde todos os autores que citei são objetos de estudo até hoje.

Em 40 anos a cosmovisão do brasileiro letrado mudou radicalmente, numa óbvia guinada à esquerda e rombudo desconhecimento de quaisquer leituras que não sejam desse universo. O que acontece hoje é que o sujeito, a despeito do ambiente supostamente democrático que desfruta, NÃO PODE TER CERTAS OPINIÕES sem que desabe sobre ele uma torrente de xingamentos e desconfianças, sem que os amigos e parentes comentem que ele mudou, que tá estranho, etc. Acabou-se a divergência. Só o consenso interessa. Luis Fernando Veríssimo, o Velhinho de Taubaté do PT, observou com incrível exatidão que no Brasil de hoje não de discute, não se diverge. Se o cara tem um pensamento que não se enquadra no “espírito do tempo” ele é simplesmente jogado para fora do “debate”. É, para usar mais um termo de Gramsci, uma “aberração”. Zuenir Ventura e Fernando Gabeira, dois homens sobre os quais não pode pairar qualquer desconfiança de serem “reacionários”, foram intelectualmente honestos o bastante para expressar que a democracia brasileira precisa urgentemente de um contraponto ao “progressismo” dominante.

Como era um craque no imaginário mas um perna-de-pau em economia, Gramsci só errou quando apostou que o homem socialista construiria o socialismo. Não construiu nem vai construir. Mas no Brasil sua obra de mutilação intelectual foi altamente bem-sucedida. Desprovido de alimento intelectual variado e da pluraridade de visões nos debates, o brasileiro médio letrado virou um “homem-massa”, como dizia José Ortega Y Gasset. O espírito da época de hoje é diferente: estimula hostilidades, conflitos, rupturas, desconfianças, intolerância.

Dito tudo isso, onde é que entra a censura nos tempos atuais? Ora, quer censura maior que a de um amigo ou parente que se sente ofendido apenas porque você pensa diferentemente dele? Quer censura maior do que não poder expressar um preceito de sua religião que não ofende nem incita ofensas a terceiros? Quer censura maior do que não poder contar uma piada sem que olhem para você com cara de reprovação? Quer censura maior do que chegar numa sala de aula de uma universidade, citar determinado autor que contribuiria, com outro ponto de vista, para uma discussão e ser chamado de lunático? Quer censura maior que não poder dizer que lê determinado autor por ele ser, para a esmagadora maioria do rebanho, “reacionário”? Quer censura maior que ser chamado de “chato” e “prolixo” porque você quer, com a melhor das intenções, apenas argumentar em favor em um ponto de vista que nem de longe defende racismo, preconceito ou genocídio? Quer censura maior do que ser rotulado de intolerante mesmo quando você demonstra por A + B que privilégios para determinados grupos só geram mais discriminação? Quer censura maior do que um eleitor com tendências mais liberais, libertárias ou até mesmo conservadoras não ter um partido político que o represente? Quer censura maior que ser repreendido pela escola dos filhos quando se vai contestar algumas absurdidades que existem em livros didáticos? Quer censura maior do que ter seu projeto de filme recusado na Petrobras porque ele não é “indutor de justiça social e direitos humanos”? Quer censura maior do que não ver em livrarias e bibliotecas toda uma bibliografa considerada “indesejável” pelo consenso dominante? Quer censura maior do que ser olhado com escárnio porque você trabalhou com algum político que nunca roubou nem matou ninguém, mas que simplesmente é filiado ao “partido errado”, e ao mesmo tempo ver essas mesmas pessoas colaborarem alegremente para toda uma sorte de sacanagens do “partido certo”?

Não é porque não vivemos numa ditadura stricto sensu que temos liberdade total de pensamento e expressão, além de acesso irrestro à informação. Pensem nisso.

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Antonio Magalhães -  Perfeito, Felipe. Muito boa a argumentação. Pensar na manada é fácil. Quero ver enfrentar as divergências num ambiente democrático. Colocarei esse complemento no meu blog www.antoniomagalhaes.com.br. Já publiquei a discussão inicial.

Conversas no Facebook - João Paulo quer censurar Imprensa

3 de setembro de 2011 – 0:31

‎Antonio Magalhães - “É bom para a Democracia haver um marco regulatório da mídia. Não pode ter nenhuma atividade que não tenha um conselho”, defendeu o deputado João Paulo (PE), ex-prefeito de Recife, no encontro do PT. O democrata que cuida das pessoas quer agora submeter a imprensa.

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Renato Lima de Oliveira, Rodrigo Barros, Ricardo Aprigio Fonseca e outras 2 pessoas curtiram isso.

Fernando Monteiro Isso é miopia de quem observa o mundo pelo famoso “olho cego”. Levita não, João. Senta a bunda no chão, e abre os dois olhos de cima (são los verdadeiros…)

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Susana Simões Leal Pois é…é bom para a “democracia” que temos nesse país que o povo não saiba dessa lama podre onde ela se encontra… ou melhor, onde todos nos encontramos.

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Ana Maria C. Leão ‎Antonio Magalhaes, cada vez que vejo algum comentário a respeito do cerceamento da mídia responsável, fico em ânsias! Crescemos numa realidade em que “ouvir” era perigoso e “falar”, risco de vida… Até o final dos anos 70 ou início dos 80, até fazia parte de um contexto maior… Mas, em 2011? Estamos fazendo um remake “De volta para o passado”? Acho injustificável essa posição!

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Carlos Estênio Brasilino Como o ilustre deputado João Paulo votou no caso da Jaqueline Roriz, alguém sabe dizer?

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Fábio Araújo Depende muito de qual for o formato do conselho. Inúmeras outras profissões têm conselhos e não me parece que eles exerçam nenhum cerceamento. OAB, Cremepe, Crea, CRO, Creci, CRF, Coren…. A lista é interminável. Só jornalismo não pode ter? Repito: depende muito de qual for a proposta.

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Antonio Magalhaes Para controlar o quê? Se vc pode ou não exercer a profissão, hoje desregulamentada pelo STF? Qual o teor de veracidade (?) das reportagens? Etc. Só o PT fala desse conselho. Afinal por que não diz logo que quer estabelecer a censura? A retaliação de zebedeu com a revista Veja.

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Ana Maria C. Leão ‎Antonio Magalhaes, pior é q vc está certo, em minha concepção. A desregulamentação trata a formação profissional do jornalista como algo trivial. Acompanhando a rotina de minha filha (7o período, UNICAP), observo o desenvolvimento de compe…

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há 13 horas · Curtir (desfazer) ·  1 pessoa

Susana Simões Leal Magau, acho que você levanta uma questão crucial…”controlar o que”?? Os jornalistas e a mídia??? quem precisa dela num mundo interconectado…rsrsrrs… esqueceram de Asange? É simplemente ridículo!!

há 12 horas · Curtir (desfazer) ·  1 pessoa

Talis Andrade Um Estatuto, sim. A imprensa precisa não de um conselho. De vários. Um em cada redação, eleito por jornalistas sem cargos de chefia. No conselho proposto por João Paulo, a liberdade de imprensa é propriedade dos empresários. A liberdade de imprensa tem que ser do jornalista.

há 11 horas · Curtir ·  1 pessoa

Talis Andrade Um Estatuto igual ao da Constituição de Portugal, para um exemplo. Um Estatuto que determine que a mensagem represente o pensamento de toda a redação de um jornal impresso ou televisivo ou de uma radioemissora… E não o interesse de um empresário.

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Talis Andrade Empresário da comunicação não devia ter outros negócios… como está previsto na Constituição do Equador.

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Talis Andrade A vida do jornalista no Brasil é precária. Perdeu a regulamentação do trabalho. Perdeu a regulamentação da profissão.

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Talis Andrade A Constituição do Brasil esqueceu, propositadamente, os jornalistas. Liberdade de expressão não é liberdade de imprensa.

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Fábio Araújo Não existe o mínimo risco de voltar a censura no Brasil.

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Talis Andrade A liberdade de expressão, de opinião é um direito de todos os cidadãos. A liberdade de imprensa é dos jornalistas.

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Talis Andrade Jornalista não é pago para defender os interesses do patrão.

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Ana Maria C. Leão Concordo, Talis. E, perdoe-me por discordar Fábio, mas creio que a censura está voltando, sim - com outra aparência, outro discurso.

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Felipe Vieira Obviamente não tem sentido algum falar em censura tomando como base a ditadura e seus bedéis das redações. Mas esse tipo de mordaça tinha a vantagem de você poder burlá-la o tempo todo (vide Chico Buarque, Pasquim, Bondinho, etc), até porqu…

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há 10 horas · Curtir ·  1 pessoa

Ana Maria C. Leão Felipe, vc articulou com clareza minhas percepções. Ótimo seu comentário sobre os bedeis de redação… Definitivamente, os tempos são outros e outros serão os instrumentos e os meios… Hj as coisas estão menos claras, mas não menos sérias.

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Antonio Magalhaes Muitas falas. É uma boa discussão. Primeiro Talis: a defesa do seu conselho, como no Equador, não pode ser um exemplo. O presidente Correa persegue jornalistas dentro do espírito autoritário de Chavez. Fábio, o fim da ditadura militar permi…

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há 10 horas · Curtir ·  1 pessoa

Antonio Magalhaes Desculpe-me: a fala sobre o MST é para Felipe Vieira. Um abraço, Felipe.

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Talis Andrade Um bom debate faz o jornalismo. E sou confrade de Antonio Magalhaes desde os tempos acadêmicos. É um jornalista que honra a profissão. Este respeito me leva a concordar ou discordar de suas opiniões. Que fique registrado que o STF cassou a regulamentação da profissão de jornalista. Isso mostrou a cara de uma justiça absolutista. Hoje, qualquer juiz pode multar ou mandar prender um jornalista. Isso vem acontecendo.

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Antonio Magalhaes Ter referências dadas por você, Talis, é um privilégio. Ex-professor e ex-chefe sempre cordial e instigador. Na verdade, as coisas só ficam claras com mais discussões sobre o jornalismo, sem que qualquer parte queira submeter o outro.

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Talis Andrade Outra ameaça é a Lei Azeredo, que vai promover o apagão de blogues e imeios. É uma lei que acaba com o direito de expressão. De opinião. Nada mais ditatorial.

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Antonio Magalhaes Exato. É uma mentalidade corrente. A liberdade de expressão assusta os poderosos do momento, vide os governos autoritários.

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Felipe Vieira A Lei Azeredo é o fim dos tempos. Pensei que esse negócio tinha caído…

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Ana Maria C. Leão Bom, como a não jornalista do grupo e mera observadora dos fatos, acredito que as questões levantadas por vcs são, de fato, pertinentes. Não sabia a respeito da Lei Azeredo. Apenas reforça meu olhar de que é censura sim, apenas travestida numa outra roupagem. Estou adorando as falas de vcs! Abs!

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Fábio Araújo Faltou dizerem que, hoje, quem censura a Imprensa é pura e simplesmente a própria Imprensa. Autocensura. Agora, que nós jornalistas não venhamos ficar de “mi-mi-mi” quando nossas matérias geram reclamações, críticas duras e ações judiciais….

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Fábio Araújo E tem mais: é incomparavelmente mais fácil driblar o patrulhamento politicamente correto do que a censura dos militares. Sem comparação.

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Fábio Araújo ‎Ivan Moraes Filho, essa discussão é pra tu!!!!

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Felipe Vieira O MST reclamaria, sim. A Justiça é que não tiraria

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Felipe Vieira Com relação à censura, preciso de exemplos.

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Fábio Araújo Não radicalize, rapá. Como saber se a Justiça tiraria ou não?

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Fábio Araújo Por favor, Felipe. Quer mesmo comparar a censura dos governos militares com as queixas de ONGs e movimentos de minorias? Não dá, né?

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Fábio Araújo By Ivan Moraes Filho, para enriquecer o debate: “Meu querido, por algum motivo, não consigo pitacar naquele papo. Acho que tem que ser amigo de quem começou. Enfim, a premissa inicial tem erros importantes: 1) conselho de comunicação não é …

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Fábio Araújo Novamente Ivanzinho sugere um texto: http://www.intervozes.org.br/noticias/conselhos-fortalecem-a-democracia/

Conselhos fortalecem a democracia — Intervozes

www.intervozes.org.br

Confira o artigo de integrantes do Intervozes publicado no dia 30 de outubro na …

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há 8 horas · Curtir ·

Fábio Araújo Mais outro: http://www.bodega.blog.br/dusoto/pernambuco-tambem-quer-conselho-de-comunicacao/

Pernambuco também quer conselho de comunicação

www.bodega.blog.br

Por: Fórum Pernambucano de Comunicação O Fórum Pernambucano de Comunicação vem a…

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há 8 horas · Curtir ·

Fábio Araújo Colocar os links não significa que eu concorde. É pra melhorar o debate com outra perspectiva.

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Antonio Magalhaes O forum de PE representa quem? Ele próprio?Ouve quem? Certamente nenhuma opinião contrária. Caso de censura: o Estadão está censurado pela Justiça que não deixa publicar matéria sobre o filho de Sarney. O MST é fora da lei porque não está r…

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há 7 horas · Curtir

Fábio Araújo Nesse ponto concordo com você, Tonico. Não acho que ONGs devam falar em nome da “sociedade civil”.

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Papo de usina nuclear adiado

4 de abril de 2011 – 0:09

Os governadores da Bahia, Jacques Wagner (PT), e de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), arrefereceram o entusiasmo com a instalação de usinas nucleares em seus Estados. Riscaram o tema da pauta.

(Coluna Cláudio Humberto/JC)

Eletricidade nuclear e as tarifas

27 de março de 2011 – 0:14

Heitor Scalambrini Costa

Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco

Os impactos do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a eletricidade nuclear.

Os custos de uma usina nuclear crescem proporcionalmente com o nível de confiabilidade e segurança exigidos. Quanto menores forem os investimentos na confiabilidade e segurança do suprimento energético, maior será a exposição aos riscos das catástrofes naturais, das falhas humanas e das falhas mecânicas e elétricas que podem ocorrer na instalação. Após este acidente no Japão, especialistas confirmam a necessidade de novos esforços tecnológicos para aumentar a segurança das instalações.

No Brasil, verifica-se que as condições de financiamento de Angra 3 são controversas, já que a Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% - muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa projetada de R$ 138,14/MWh anunciada pelo governo federal para essa usina. A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção de Angra 3. Os subsídios governamentais ocultos no projeto dessa usina nuclear são perversos, porque serão disfarçados nas contas de luz. Se isso se verificar quem vai pagar a conta seremos nós os usuários, que já pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.

Ainda no caso de Angra 3, a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW desta usina subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW.

A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, foi negociada a uma tarifa de R$ 79/MWh, a hidrelétrica de Jirau, o preço foi de R$ 91/MWh (ambas no Rio Madeira), a hidrelétrica de Belo Monte (Rio Xingu), o preço foi de R$ 78,00/MWh, e o resultado do primeiro leilão de energia eólica no Brasil deixaram o MWh em torno de R$ 148. Bem mais reduzido que o apontado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), que usou um preço mais alto da energia eólica para justificar a suposta viabilidade econômica da opção nuclear.

O custo das usinas nucleares que se pretende construir até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões cada uma. Valor este que poderá ser acrescido de 20 a 40% até o final da obra, como tem se verificado comumente, no caso de grandes obras em realização/realizadas no Brasil. As tarifas previstas para a eletricidade nuclear gerada nestas novas instalações são incertas, de cálculos não transparentes, mas que certamente afetará de maneira crescente a tarifa da energia elétrica no país.

A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país e na nossa região, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.

Expandir reatores nucleares não é uma solução, mas fonte de problemas

20 de março de 2011 – 17:12

O grave desastre nuclear de Fukushima reabriu o debate sobre o futuro da energia nuclear no mundo, que parecia passar por um “renascimento” após 20 anos de estagnação.

No período de 1970 a 1980, cerca de 30 novos reatores eram postos em funcionamento por ano.

Após os acidentes de Three Mile Island, nos EUA (1979), e Tchernobil (1986), apenas três por ano em média eram inaugurados.

Os motivos para tal são bem conhecidos: elevação dos custos dos reatores nucleares, sobretudo devido às medidas de segurança introduzidas e à redução do custo do gás, que compete com energia nuclear para produção de eletricidade.

O “renascimento” se deve ao fato de que aumentaram as preocupações com gases de efeito estufa.

Além disso, as lembranças da catástrofe de Tchernobil foram esquecidas, e a indústria nuclear passou a imagem de que reatores eram imunes a acidentes.

O desastre de Fukushima sepultou estas ilusões: reatores são perigosos, e os riscos decorrentes são imediatos e bem diferentes dos riscos do aquecimento global, que só vão ocorrer no futuro e os quais ainda temos tempo para prevenir.

Reabrir o debate sobre o futuro da energia nuclear significa que novas medidas de seguranças serão introduzidas, que poderiam talvez protegê-los de acidentes.

É verdade que o problema do Japão foi causado por um terremoto e um tsunami que não ocorrem em outros lugares do mundo e muito menos no Brasil.

Contudo, nada impede que outro tipo de acidente venha a ocorrer como foi o caso de Three Mile Island, onde o derretimento do núcleo foi causado por defeitos mecânicos sem terremotos ou tsunamis.

Este reator era do mesmo tipo que os existentes em Angra. Segurança absoluta não existe.

Mais segurança significa maiores custos, que podem inviabilizar energia nuclear por razões econômicas.

Por essas razões, alguns países re-examinarão o interesse em prosseguir instalando reatores e optarão por outras soluções para produzir a energia elétrica de que necessitam.

Este é o caso da Alemanha, onde a premiê Angela Merkel já suspendeu a prorrogação da vida de alguns reatores e irá estimular a produção de energia renovável para substituir a energia que eles produziriam.

Provavelmente a China seguirá o mesmo caminho.

O Brasil tem várias opções melhores que energia nuclear: hidroelétrica, biomassa no Sudeste e energia eólica no Norte e Nordeste. Expandir a construção de reatores nucleares não é solução, mas fonte de problemas.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (Folha de S.Paulo)

População deve decidir se quer ou não usina nuclear em Pernambuco

17 de março de 2011 – 3:43

O deputado Daniel Coelho, do PV de Pernambuco, voltou a insistir, nesta quarta, para que a Assembleia promova uma audiência pública sobre energia nuclear. O parlamentar alertou que é necessário discutir possíveis danos à população e ao meio ambiente, como o que vêm acontecendo no Japão, após o terremoto que abalou o País.

Coelho lembrou que o deputado Rodrigo Novaes, do PTC, já apresentou requerimento solicitando um debate no âmbito da Frente Parlamentar de Interiorização do Desenvolvimento do Estado, sobre o impacto socioeconômico da implantação da Central Nuclear de Pernambuco em Itacuruba, no Sertão.

(Site da Alepe)

Argumentos contra as usinas nucleares no Nordeste

13 de março de 2011 – 23:13

Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco, físico, com doutorado em Energética em Marselha, França.

Os atuais padrões de produção e consumo de energia estão apoiados nas fontes fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), o que gera emissões de poluentes locais, gases de efeito estufa e põem em risco o suprimento a longo prazo do planeta, por serem finitas. É preciso mudar esses padrões, incentivar a economia de energia e estimular o uso das energias renováveis (solar, eólica e biomassa). Nesse sentido, o Brasil apresenta uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo.

Não existe uma fonte de energia que só tenha vantagens. Não há energia sem controvérsia, mas a nuclear, pelo poder destruidor que tem qualquer vazamento de radiação, não deve ser utilizada para produzir eletricidade, ao menos em nosso país, onde existem tantas outras opções.

Fica evidenciado que, desde 2005, a indústria nuclear intensificou seu agressivo lobby em diversos países da região, com forte influência nos setores legislativos e da política energética, tentando impor a implantação de usinas, sob o falso argumento de que a energia nuclear é uma fonte “limpa”, segura e contribui para combater o aquecimento global.

Com a retomada discutível e equivocada do Programa Nuclear Brasileiro, reiniciando as obras de construção de Angra 3, e os planos do Ministério de Minas e Energia de instalar no Nordeste usinas nucleares – a região do Brasil com maior potencial eólico e solar -, nada mais atual que discutir as razões contrárias a instalação de usinas nucleares no território nacional.

A opção nuclear para geração de energia elétrica no Brasil e no Nordeste, em particular, não permite resolver os atuais problemas energéticos, e contribuirá para com outros problemas sem solução à vista.

A seguir são apresentadas, sucintamente, as razões para rejeitar as usinas nucleares, vistas sob os seguintes aspectos:

- segurança energética,

- econômico,

- ambiental,

- social,

- riscos,

- proliferação e militarização nuclear,

- sustentabilidade energética,

- democracia.


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