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Perfil de Rogê, o novo presidente da TV Pernambuco

7 de março de 2010 – 22:41

Em julho de 2007, Rogê deu essa entrevista a revista Algomais. Com a sua nomeação para presidente da TV Pernambuco, televisão do Governo do Estado, vale a pena conhecer um pouco da sua vida.

Antonio Magalhães

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A sopa do Chacrinha da esquerda

 Drogas | A favor da descriminalização da maconha, mas contra o crack, a droga que é o combustível da violência urbana

 Por Antonio Magalhães

 A cena é diária como seu programa na TV Universitária. O apresentador Roger de Renor, o Rogê, 47 anos, chega esbaforido, suado, depois de pedaladas de Boa Viagem à rua da Aurora, troca a camiseta no estúdio, ainda suado veste por cima um blaser de cor indefinida e entra no ar às 12 horas com seu Sopa Diário, a sopa vista pela ótica da mosca. Um cenário exótico abriga a mesa de entrevista, um carretel gigante de fios de telecomunicação. Os temas puxam para o popular, a visão do povo pela ótica da esquerda. As conversas giram sobre tudo que interessa a galera que lhe dá audiência, política, sexo, drogas e música. No palco ao lado recebe bandas e músicos conhecidos. E também desconhecidos, iniciantes, marginais, populares, todos que tenham talento.

 Filho de um oficial da Aeronáutica, nascido em Piedade, morador da vila militar, Rogê não assimilou a disciplina militar. É um anárquico. Começou como capoeirista, foi divulgador de disco, dono de bar, apresentador de rádio e agora está na TV, atuações formais. Numa delas, como dono da Soparia, bar que fez sucesso nos anos 90, no Pina, foi processado pela Ordem dos Músicos de Pernambuco porque deixava os músicos tocarem sem contrato. Talvez sem essa irreverência não houvesse o movimento Mangue Beat, que teve seu palco inicial nesse local.Só agora está chegando a um acordo judicial com a Ordem. 

 No vídeo se multiplica: é sério, irritado, engraçado, debochado, em momentos diferentes, e tem língua solta para gírias e palavrões hoje pueris, uma mistura da linguagem dos anos 70 com o palavreado jovem atual. “A minha importância na cultura pernambucana é por estar no lugar certo, na hora certa. Estou aqui na TV mais como articulador. Esse papo de abrir espaço fica para o Dr Smith (da série dos anos 60 Perdidos no Espaço)”, diz Rogê.

 Ele pode não gostar, mas alguns o chamam de Chacrinha da esquerda. Ao contrário do velho apresentador dos anos 70 já falecido, que lançava bacalhau para o público, Rogê lança mensagens culturais e torpedos políticos. Vale a pena saber o que ele pensa na entrevista abaixo.

Algomais | Como você se define? É um produtor cultural, um artista ou um articulador cultural?

Roger de Renor | Acho que eu sou mais um comunicador popular do que um produtor cultural. Na comunicação você está sempre produzindo e o tipo de coisa que faço está sempre ligado à cultura, então eu levo o nome de produtor. Na área que trabalho, prefiro dizer que estou apresentador de TV, como eu poderia estar no radio FM, numa emissora comunitária, até mesmo numa perna de pau com um megafone, atrás de um balcão de bar ou nas mesas da praça. Eu trabalho com comunicação.

Am | Você teve um programa no rádio chamado a Sopa da Cidade?

RR | Foi na Rádio Cidade por três anos. Trabalhava de uma forma mais irresponsável, no limite permitido à comunicação das FMs. Até então a FM funcionava assim: pouco papo e muita música. Está comprovado hoje que as pessoas querem ouvir muito papo, música e opinião. Então fui aos extremos do rádio ao vivo local. O diferencial era esse, enquanto as outras emissoras não tinham opinião, lá eu tinha liberdade total de dizer o que queria. Até para falar gírias locais, como tu num sabe, oxê, peraí, meu irmão. Convencionou-se que apresentador de FM tem que dizer ô, louco! Dei um sotaque regional à FM.

Am | Por que a fixação na sopa?

RR | Depois de trabalhar como divulgador de disco, resolvi botar um bar, a Soparia, que durou quase 10 anos, lá no Pina. O bar ficou marcado pela diversidade cultural. Só não dava grana. Fiz uma consulta ao Sebrae para saber por que a Soparia não lucrava. Os consultores me disseram que mesmo que vendesse diariamente todo o estoque de bebidas não ia render nada. Era financeiramente inviável. Pensei depois que devíamos ter feito a consulta como veículo de comunicação. Porque, na verdade, o que eu fazia lá era isso que faço hoje: comunicação. A Soparia, como uma metáfora, virou uma marca, fui para o radio com a Sopa da Cidade e para a TV como o Sopa Diário.

Am | A Soparia teve o mérito de divulgar bandas do movimento Mangue Beat, como o Maracatu Nação Zumbi & Chico Science e a Mundo Livre?

RR | A Soparia foi mesmo um local de encontro dessa galera. Era um espaço aberto. Tinha música ao vivo com nome dos artistas ou das bandas. Dentro da Soparia tivemos as primeiras reuniões para o Abril Pro Rock. Foi um bom momento, enquanto eu saia do trabalho de divulgador de disco para abrir o bar, Fred Zero Quatro deixava o estágio de jornalismo para se dedicar à banda Mundo Livre.

Am | Como foi sua amizade com o Chico Science?

RR | Chico ia muito ao bar. Numas dessas conversas, ele identificou as minhas fantasias de carnaval como originais de uma estética Mangue, por ser uma coisa psicodélica com elementos regionais. No disco Afrociberlia tem uma foto da minha fantasia de girassol que uso até hoje. Foi mais uma identificação estética do que praticamente uma amizade diária E tem a história do Gálaxie Landau também. Eu comprei um .Na volta de uma excursão pelos Estados Unidos Chico viu meu carro e comprou igual. Mas ajeitou o dele para ficar parecendo com os carrões americanos do Brooklin. Com sonzão, luz negra. Era mais a identificação estética. Com a música que ele fez para o bar, “Cadê Rogê”, a Nação Zumbi me deu mais força do que eu dei para Chico.

Am | Depois da Soparia você abriu o bar Pina de Copacabana, na rua da Moeda?

RR | A Soparia perdeu o controle. Eram muito bares, muita gente, ambulante, policiais e traficantes. Eu não conhecia mais ninguém, não conseguia mais controlar tudo aquilo. Meus amigos não iam mais lá, já não me divertia como antes. Afinal de contas não queria que aquilo virasse um trabalho. Fui para a rua da Moeda para formar um novo público.

Am | Quanto tempo passou lá?

RR| No Pina de Copacabana fiquei dois anos e meio mas já era previsto que seria uma temporada curta. Por ser mais perto do centro do Recife também houve o descontrole da rua. Saí na hora certa, com o público lotando o bar.

Am | O Recife sobrevive culturalmente sem o apoio da prefeitura?

RR | Não. Nos últimos anos corremos atrás da Prefeitura do Recife, do Governo do Estado e da Chesf. A Chesf suspendeu os patrocínios e deixou todo mundo aperreado. A gente também depende dos sistemas de incentivo à cultura, o SIC (municipal) e o Funcultura (estadual). Muitos dos projetos aprovados, inclusive o Sopa Diário, têm que depender desse incentivo. Não há opção, no momento, para o setor cultural. A função dos fundos de cultura é financiar os projetos mais ousados até que eles possam andar com suas pernas.

Am | O patrocínio oficial não tira a independência cultural?

RR | Quando o patrocínio é direto existe a possibilidade de intervenção. Mas com fundos de cultura é diferente. Eles servem para que possamos sobreviver às mudanças de governo. Mas o que precisamos mesmo é mudar a mentalidade empresarial da cidade: muitos empresários não entram no fundo de cultura com medo de fiscalização da Fazenda.

Am | Ariano Suassuna criou o Movimento Armorial para dar ares eruditos à cultura popular. Já você valoriza a cultura popular com tecnologia. Você vê uma grande diferença entre o seu ponto de vista e o do Movimento Armorial?

RR | Não. Muda apenas a forma como se faz o trabalho. Estamos voltados, nós e o Armorial, para dar destaque ao que se faz nas comunidades, onde se faz cultura e há uma concentração de pobreza. Só que vejo para a cultura popular as possibilidades tecnológicas de mixar, de reprocessar, com outras culturas. Já Ariano trabalha a cultura popular de forma mais purista. Prefiro o remix disso tudo. Gosto de ouvir tanto o mestre Salustiano como ele toca e como o que fez mixado pelo DJ Dolores e já transformado. Acho que termina todo mundo lutando no mesmo front.

Am | A pirataria já faz hoje parte do mundo cultural?

RR | Exato. Sou contra a pirataria comercial que tem um dono e que cada carrocinha de CD pirata funciona como um elo de uma cadeia empresarial. Defendo o compartilhamento da informação, da sua distribuição gratuita na Internet, sem o atravessador e com autorização do próprio autor..

Am | Sua atuação é forte nas comunidades pobres com focos de violência. Pode-se combater isso com a arte?

RR | Quando vejo a moçada pela rua, lembro-me do ditado de minha avó: cabeça vazia morada do diabo. É preciso ocupar essa galera de rua. Ela vive o tempo inteiro bombardeada pela mídia para comprar o novo tênis, o novo celular, para ficar bonita e para comer a gostosa da propaganda da cerveja. O pessoal vai para a rua querendo isso e não vai encontrar. Vai encontrar vinho barato, pedra de crack para fumar. Vai encontrar a polícia para receber lapada. A gente precisa ocupar essa galera e ocupar mesmo, não só com eventos, mas no seu lugar para que ela não precise sair do seu bairro para ir ao centro.
 
Am | As políticas públicas são eficientes?

RR | Temos que ir além da atual política. Temos que fazer um corpo-a corpo, pois a gente está numa guerra. Se ninguém fizer nada não se vai ter tempo de fechar o vidro do carro para a moçada. Cada um tem que fazer a sua parte, inclusive todos os veículos de comunicação.
 
Am | E a música seria uma dessas ações?

RR | A trilha sonora é o fator principal para um final feliz. Para o Recife a música é o principal viés.

Am | Como você vê o crescimento do consumo de drogas em Pernambuco?

RR | Eu vejo com muito pesar e uma dor enorme. Acompanho esse pessoal desde a Soparia. Saí de lá principalmente porque o comércio de droga girava em torno do bar.  A droga atrai violência, atrai gente equivocada, público equivocado, polícia e traficantes equivocados, consumidor equivocado. A droga é um grande equívoco. Sou a favor da descriminalização da maconha, mas sou a favor também de uma política de combate ao uso de crack, que tem contribuído para a violência. Os meninos de rua não cheiram mais cola fumam crack. A droga mudou.

Am | O consumo de crack acontece também na classe média?

RR | Vejo os jovens de classe média sendo internados para tratamento, mas também vejo taxistas, guardadores de carros, ambulantes, morrendo magros, secos, chupados por causa da porra dessa droga. É preciso também encarar o problema da droga de forma menos hipócrita. E menos velada do que a gente trata no Recife. Parece uma coisa que rico pode e temos que fazer silêncio. Quando o caso fica grave ele vai para clinica de desintoxicação. Já o pobre é safado, viciado, e quando fica fodido vai preso ou vai morrer no hospital público.

Am | Você é um homem das mil faces. Pinta o cabelo, deixa a barba crescer, corta um ou outro várias vezes, depois volta ao natural. Por que as mudanças?

RR | Não sei se é por ansiedade ou é uma forma de brincar. Faço do rosto uma piada, uma nova fantasia. Na verdade me fantasio o ano todo e no carnaval apareço com minha verdadeira cara. As pessoas podiam colaborar mais para o mundo ficar mais alegre. Já que não posso mudar o cenário do programa todo o mês, mudo o rosto. Fica mais barato.

Am | O bom humor é só no programa ou você se considera uma pessoa bem humorada?

RR | O meu bom humor é proporcional ao meu mau humor. Eu tenho cara de bem humorado, espirituoso nas brincadeiras, mas ao mesmo tempo fica difícil manter isso quando se trabalha com comunicação, com um programa diário. Às vezes fico pensando como posso manter o equilíbrio com tanta informação ou se deveria buscar a poesia da informação para não ficar rancoroso com o dia-a-dia, uma realidade tão cruel no Recife, uma cidade tão linda e antagônica. Então eu aproveito o meu bom humor para viver bem o dia-a-dia.

Am | E como alivia essa tensão?

RR | Moro no edifício Califórnia, em Boa Viagem, e venho de bicicleta para a TV Universitária para pensar melhor. É muito perto vir para cá, apesar de todo risco. Geralmente venho pela avenida José Estelita ou Sul e volto por um dos passeios mais lindos do Recife, pelos arrecifes. Atravesso de barco com a bicicleta por R$ 1,50, sigo pela beira da praia em Brasília Teimosa e chego logo em casa.

Madeira do Rosarinho propõe ilegalidade

22 de fevereiro de 2010 – 1:20

Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar,
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original.
Não vem pra fazer barulho,
Vem só dizer, e com satisfação:
‘queiram ou não queiram os juízes,
O nosso bloco é de fato o campeão!’

E se aqui estamos cantando essa canção,
Viemos defender a nossa tradição,
E dizer bem alto que a injustiça dói,
Nós somos madeira de lei que cupim não rói.

A música mais tocada nos palanques oficiais do Carnaval de Pernambuco não deixou de ser um oba-oba ao governador Eduardo Campos, que na campanha de 2006 usou Madeiiii…ra do Rosarinho como seu hino. Mas talvez os governistas não tenham atentado para a proposta de ilegalidade na música composta por Capiba.

O bloco Madeira vem à cidade sua fama mostrar e traz com seu pessoal o estandarte ou a bandeira do partido. Afirma que vem em paz e para dizer que a palavra dos juízes não vale nada. Quer porque quer ser consagrado campeão. Passa por cima das regras por conta de uma tradição - qual tradição? A de sempre ganhar? Onde está o caráter democrático na disputa?

Não se pode carnavalizar uma disputa política ou eleitoral mas estimular qualquer violação das regras - a Constituição ou as leis eleitorais -, mesmo musicalmente, porque a injustiça dói - em quem? - não é um bom exemplo.

Madeira do Rosarinho poderia ter feito sucesso no período da ditadura militar - quando as leis eram arbitrárias -, a exemplo do hino de Geraldo Vandré (Prá dizer que não falei de Flores, Caminhando e Cantando), mas numa Democracia não cabe a expressão “queiram ou não queiram os juízes o nosso bloco é de fato campeão”.    

Decreto de Lula passa por cima da Constituição

8 de janeiro de 2010 – 1:57

Vocês pensam que já expus aqui todo o show de horrores do tal decreto que supostamente trata do Programa Nacional de Direitos Humanos? Pois falta ainda explicitar muita coisa. O texto também avança sobre os meios de comunicação. O PT abre, assim, mais uma frente de perseguição à imprensa. Todas aquelas propostas da tal Confecom (Conferência de Comunicação), que resultariam em censura se fossem aplicadas, estão consolidadas também no tal decreto.

Sob a desculpa de defender os direitos humanos — e o totalitarismo sempre tem justificativas humanitárias para se exercer —, institui-se uma verdadeira polícia política para vigiar e punir a “mídia”.  (…)

É o PT se revelando. A partir de agora, ninguém mais poderá alegar inocência. As ditaduras jamais se instauram alegando maus propósitos, é evidente. Até as mais odientas, que servem de modelo de horror, como o nazismo e o stalinismo, vislumbravam um homem ideal, livre. Todas elas sempre falam em nome da PRESERVAÇÃO DE UM BEM e da RESTAURAÇÃO DA VERDADE. E, por óbvio, elegem seus inimigos.

Ora, a quem caberá definir o que e quem “viola” ou não os direitos humanos? Está claro no decreto: são as ditas entidades da sociedade civil, que estão, como todos sabemos, a serviço dos petistas. Como o partido acredita que não se distingue do estado e da sociedade, ele se oferece para ocupar as funções que cabem a ambos. Se a tese prosperasse, viveríamos sob uma censura partidária disfarçada de senso comum e de bom senso.

Eis por que costumo dizer que os nossos “bolivarianos” são bem mais espertos do que os bolivarianos dos outros. Enquanto Hugo Chávez, o delinqüente de Caracas, atua em nome pessoal, chamando para si a responsabilidade dos atos discricionários que ele pretende revolucionários, os petistas preferem apelar ao chamam a “sociedade organizada”, de modo que a vontade do partido se confundam com a vontade coletiva.

Alguns bobinhos poderiam perguntar: “Mas que mal há em punir emissoras de TV, por exemplo, que não respeitem os direitos humanos”? A questão rigorosamente não é esta. O Brasil tem uma Constituição com os princípios gerais que regem o respeito ao “outro” e às diferenças. O que precisa ficar claro é que estão tentando criar uma legislação paralela, pautada pela militância partidária, para monitorar, censurar e punir aqueles atores que essa militância acusa de agredir os direitos humanos. (…)

O governo Lula e o PT explicitaram o jogo. Juste-se o decreto às propostas da tal Confecom, e não há dúvida sobre as pretensões dessa gente: ditadura do partido único, ainda que obedecendo às chamadas “regras de mercado” — eles podem ser autoritários, muitos são totalitários, mas ninguém ali é burro.

O caminho para a realização de seus propósitos pode ser, por que não?, o Congresso Nacional. Caso Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil (pasta que responde pela forma final dos decretos) e candidata do PT à Presidência, vença a disputa, terá início a fase de implantação da “ditadura mitigada”. Seria a chamada “Ditadura Sem-Vergonha”.

(Blog Reinaldo Azevedo/Trechos do post)

A última na Algomais: entrevista com Enilto do Egito

15 de dezembro de 2009 – 23:30

Na minha última participação na equipe da revista Algomais, que ajudei a criar e a dar os primeiros passos, apresento nesta edição de dezembro de 2009, nº45, a entrevista com o médico pernambucano Enilto do Egito. Ele levanta uma questão importantíssima: a contrapartida que o médico formado em universidade pública tem a dar à sociedade. A Faculdade de Medicina de Pernambuco é gratuita e agora a Ciências Médicas, da UPE, também. É um bom momento para discutir essa contrapartida do formando. 

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O bom trato do coração pernambucano

Compensação | Os médicos formados em universidades públicas deveriam dar pelo menos dois anos de serviço generalista no Interior

Antonio Magalhães

O cardiologista Enilto Sérgio Tabosa do Egito, 59 anos, casado, cinco filhos, pode tanto ser encontrado num consultório do mais importante hospital especializado de São Paulo como na mais desbragada festa de Carnaval do Recife envergando uma fantasia, possivelmente a de Maurício de Nassau, o guru da confraria dos pernambucanos na capital paulista.

O Dr. Enilto do Egito fez a travessia bem sucedida de Timbaúba, na Mata Norte de Pernambuco, onde foi criado, embora nascido na Fazenda Balanço em Macaparana, para o maior centro médico do País, São Paulo. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas, da UPE, em 1974, ele foi naquele mesmo ano para Residência no Hospital da Beneficência Portuguesa com Dr. Adib Jatene e de lá, com o mesmo Jatene, para a chefia da emergência do Hospital do Coração. Lá, construiu uma carreira vitoriosa.

Hoje, Enilto do Egito é referência médica nacional e, principalmente, entre os pernambucanos que vão procurá-lo em São Paulo para tratar dos males do coração. A metafórica coronária saudosa de outros pernambucanos que vivem em São Paulo, como ele, trata com doses exageradas de cultura pernambucana na Confraria Maurício de Nassau, onde é presidente. Um bom remédio para o coração, costuma dizer, é o bom relacionamento com as pessoas.

E ele pratica. Enilto do Egito veio comemorar os 35 anos de formatura com os colegas num resort de Pernambuco. Os velhos amigos. Lá, concedeu esta entrevista a Algomais. Durante a conversa, o médico emocionou-se profundamente duas vezes, travou a fala quando se referiu ao reencontro dos companheiros da primeira viagem a São Paulo e quando enfatizou o orgulho de exercer a profissão. Enfim, um homem ajustado e de bem com a vida.
 
Algomais | Como foi sua trajetória de Timbaúba para São Paulo?

Enilto do Egito | Aos 22 anos candidatei-me a vice-prefeito na chapa de oposição aos Ferreira Lima, uma oligarquia que dominava a cidade há 50 anos. Perdemos por 300 votos, quando na maioria das eleições eles ganhavam com uma diferença de até 10 mil votos. Depois da derrota fui fazer a residência médica em São Paulo e, como o mais velho, proibi meus irmãos de se meterem em política. No mesmo ano de formado, 1974, fui trabalhar com Dr. Adib Jatene, que já fazia pontes de safena. São Paulo só tinha dois centros de cirurgia cardíaca, o do Dr. Adib e o do Dr. Zerbini, o maior especialista da época em transplantes de coração. Fiz um grande relacionamento com Dr. Adib, o que me permitiu fazer uma ponte com os colegas cardiologistas do Recife, tirando dúvidas e resolvendo as broncas que aconteciam por aqui. O que não aconteceria hoje: o Recife é o segundo centro médico do País e um importante centro da América Latina.

AM | Como foi sua adaptação em São Paulo?

EE | Foi um choque ver uma cidade tão grande. Mas morava na residência médica e quase não saia de lá. Era solteiro e não tinha tempo de passear. Só um ano depois, quando fui a show de Luiz Gonzaga, reencontrei velhos companheiros de viagem num velho fusca do Recife a São Paulo. Estavam lá Luciano Siqueira e Wilson Pimentel que não os via desde a chegada. Fiquei emocionado.

AM | A adaptação foi lenta?

EE | A minha atividade me absorvia muito. Não tinha lazer. Quando estava terminando a residência médica foi inaugurado o Hospital do Coração, o HCOR, e fui chamado por Dr. Adib para chefiar a emergência desse hospital. A partir daí, em 1976, fomos subindo juntos. Como o nordestino leva sua cidade dentro dele dentro, continuei ligado a minha terra, participando quando podia de atividades em Timbaúba e mantendo contato com colegas médicos daqui. O Hospital do Coração foi o começo de tudo.

AM | São Paulo concentra 60% de todos os residentes médicos do Brasil. Não é uma grande concentração?

EE | Esse é o grande problema da área médica no Brasil. Nosso país tem hoje 300 mil médicos. Só São Paulo deve abrigar pelo menos 150 mil, a metade deles. É um problema que as autoridades estão se voltando. Para fixar o médico fora dos grandes centros não é só dar um bom salário. Tem que oferecer também condições de trabalho. Ninguém quer ser médico em Altamira, no Pará, onde não há equipamentos fundamentais para um diagnóstico. As autoridades pensam em criar residências médicas no Norte e no Nordeste para fixar os profissionais. Se eles vão para São Paulo, se dão bem, são grandes as chances deles não voltarem aos seus estados. No Recife se sente menos isso, por conta do Polo Médico, mas no Interior há muita carência de médico especialista porque não se cria uma boa estrutura para o ato médico. Muita gente sai para trabalhar por lá e volta para a capital.

AM | Quer dizer então que a Medicina está cada vez mais dependente dos equipamentos de alta tecnologia?

EE | Não tenha dúvida. A figura do médico com um estetoscópio é cada vez mais antiquada. Claro que a clinica médica continua soberana. O contato pessoal do médico com o paciente é muito importante. Mas ele tem que ficar atento, pois precisa de um diagnóstico. Hoje se cobra muito dos médicos o apoio tecnológico. E a tecnologia é cara: um aparelho de ressonância magnética, por exemplo, custa dois, três milhões de Reais que têm que se pagar. Há aí o problema crônico das cidades periféricas: sem a tecnologia não há possibilidade de fixar o médico no Interior.

AM | A saúde pública então fica jogada às traças por falta de verbas para equipamentos de alta tecnologia?

EE | Vou frequentemente a Macaparana, a São Vicente Ferrer, a Timbaúba, e vejo as dificuldades da área de saúde. Normalmente para se fixar no Interior, o médico vai se transformar em político, fazendeiro, ou marido da filha do líder político local. Essa é maneira mais fácil que os colegas encontram para viver fora dos grandes centros. Vale mais o amor à camisa, a sua relação com a cidade, para um profissional trabalhar, por exemplo, em São Vicente Ferrer com poucas condições de infraestrutura na área.

AM | A formação dos médicos é deficiente?

EE | Veja bem, a Faculdade de Medicina ensina o indivíduo a aprender. Hoje para completar a formação são necessários 11 anos de estudo e prática – seis na faculdade, dois na residência médica e três anos de especialização. É uma formação complexa. O funil hoje não o vestibular de Medicina, mas a Residência: são quatro mil vagas para 10 mil médicos que se formam por ano no Brasil.

AM | O Brasil tem suficientes Faculdades de Medicina?

EE | Demais até. São Paulo tem um médico para 500 habitantes, quando o ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, é em torno de um médico para mil habitantes. Pernambuco é um dos estados que mais segurou a criação de novos cursos. Teve durante muito tempo duas faculdades de Medicina e agora chegou uma terceira. Já o Amapá tem quatro faculdades, vai ver que duas são do (senador) Sarney. São faculdades sem condições de formar médicos e que não contam sequer com um hospital. Uma faculdade de Medicina não é uma Escola Superior de Direito, onde o cara estuda no livro. Ela tem que ter a prática e para isso precisa de um hospital. Dr. Adib Jatene que comanda hoje o Conselho Nacional de Residência Médica tem brigado muito contra isso e vai fechar muita faculdade por aí.
AM | Então a maior queixa não é pela falta de médicos, mas pela centralização deles em determinada região?

EE | Certamente. Há uma revoada para os grandes centros. Em São Paulo não cabe mais. Todo ano vão centenas de médicos nordestinos e nortistas fazerem a Residência em São Paulo. O estado que gastou na formação dos profissionais vai vê-los trabalhando para outro estado.

AM | Os formandos das faculdades públicas não deviam ter compromisso com o estado que possibilitou sua formação?

EE | É o caminho certo. Não há outra saída. Deveriam dar pelo menos dois anos de serviço generalista no Interior. E essa opção está se definindo.

AM | Recife é o hoje um centro médico de excelência. E como era antes?

EE | Quando saí do Recife existiam duas faculdades – a Ciências Médica e a Federal. Mas tinham grande médicos, como Luís Tavares. que trouxe muita tecnologia para cá. Mas não tinham pessoas, por exemplo, formadas para cirurgias cardíacas. Era uma coisa muito nova. As cirurgias de ponte de safena completaram 50 anos agora. Eu estou em São Paulo há 35 anos. Embora hoje o Recife tenha uma estrutura muito boa, não dá mais para voltar. Tenho outras atividades extracurriculares. Sou diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia e muita coisa me prende em São Paulo.

AM | Para o jovem médico o Recife é bom centro formador?

EE | Sem dúvida. Ele pode tranquilamente escolher o Recife para praticar sua atividade. Ir para São Paulo só para estágios específicos, assim como se vai para Inglaterra ou Estados Unidos. E não, como já foi no passado, o único centro avançado para exercer a profissão.

AM | Mas sua experiência paulista foi bem positiva?

EE | De fato. Conheci no Hospital do Coração minha mulher, que é pernambucana e médica. Foi uma adaptação bem mais fácil porque tive logo o reconhecimento profissional e a sobrevivência garantida pelo emprego no hospital. O médico que tem que lutar pela sobrevivência tem mais dificuldades que podem prejudicar seu desempenho. Por outro lado, para suprir a carência afetiva ou saudade da nossa terra criamos há mais de 20 anos a Confraria Maurício de Nassau, que congrega pernambucanos.
 
AM | Têm muitos pernambucanos como você na Confraria Maurício de Nassau de São Paulo?

EE | Têm muitos médicos. E já houve mais. Alguns estão voltando. Quando o Banorte existia tinha mais gente de vários setores profissionais que participava da confraria. Depois que foi vendido ficou um grupo grande de médicos. Aí demos uma diminuída porque tinha virado um congresso. Não era mais uma confraria.

AM | O que é a confraria?

EE | É um ponto de encontro para conversas, discussões sobre a cultura pernambucana, apresentações de artistas, com jantares mensais, onde se é possível saber o que a nossa gente está fazendo em São Paulo. Fazemos festa de Carnaval, São João, mantemos nossas tradições e hábitos. Temos até um boneco de Maurício de Nassau feito pelo bonequeiro de Olinda Sílvio Botelho. Nas comemorações dos 350 anos da vinda de Nassau ao Recife quiseram trazê-lo, mas ninguém queria se responsabilizar por ele. Não deixei.

AM | Quer dizer que o pernambucano se mantém igual fora de casa?

EE | Não perde nem o sotaque. Eu cheguei em 74 e aonde chego o cabra sabe de onde sou pelo sotaque. Ser de Pernambuco sempre foi um estimulo para nós. Cobram de você uma posição mais ética. E assim deve ser: você traz o Estado, tem uma obrigação. É uma coisa muito interessante.

AM | Os pernambucanos lhe procuram muito em São Paulo?

EE | Tenho grandes amigos. Cada paciente termina um amigo. Tem dias que atendo até seis, sete pernambucanos. Cuido do coração e dou referências de outras especialidades. Inclusive para parte social do Hospital do Coração que atende os carentes de qualquer parte do País.

AM | Como está o coração do brasileiro?

EE | O coração do brasileiro se compara aos corações do Primeiro Mundo ocidental. A quantidade de mortes aqui é igual a dos Estados Unidos. Perdemos 350 mil, 400 mil pacientes por ano por doenças cardíacas. Na fase mais produtiva e na meia idade. Por isso que se gasta tanto em Cardiologia porque pega o indivíduo na fase ascendente. Uma das causas que mais contribuem é o estresse. O que reduz o estresse é o que estou fazendo em Pernambuco, recarregando as baterias, revendo os amigos, como a confraria faz.

AM | O fim do sedentarismo e mais exercícios ajudam também?

EE | Do ponto de vista médico são corretos. Em Timbaúba a gente comia fígado, sarapatel, mas andava muito. Meu avô andava seis quilômetros para fazer qualquer coisa. As pessoas se exercitavam muito. Hoje não se mexe nem na alavanca para baixar o vidro do carro. É tudo botão, controle remoto. As pessoas estão cada vez mais sedentárias. A comida é fast food, pizza, hábitos alimentares errados.

AM | Hoje as cirurgias cardíacas não preocupam?

EE | Atualmente a mortalidade em cirurgia cardíaca é menos de um por cento. É uma rotina com poucos acidentes porque temos um check list. O cirurgião já sabe o que vai fazer com toda segurança. O stent, uma molinha que é colocada por um cateter dentro da coronária esmaga a placa de gordura como se fosse um minúsculo bob de cabelo. A grande noticia é que o hoje o stent é usado em 70% dos pacientes que eu abriria seu peito há 20 anos. Além do mais, a parte clinica melhorou muito. Quatro remédios que salvam vidas hoje: a Estatina contra o colesterol, a Aspirina, que afina o sangue, os inibidores de enzimas que protegem as artérias, e o beta bloqueador. Eles mudaram a história da mortalidade nessa área. Hoje, com remédio, o fim do cigarro, exercícios regulares, boa comida e bons relacionamentos, a história de um possível futuro enfartado é outra.

AM | Mas você tem maltratado seu coração torcendo pelo Santa Cruz? Inclusive por ser conselheiro do time?

EE | Time de futebol você não escolhe. É escolhido por ele. Você troca de mulher, mas não de time. Parece masoquismo. Mas sou tricolor desde criança e vejo com muita tristeza esse momento do Santa. É um time fora de série, não tem mais série para ele jogar, diz a piada. Mas isso passa isso e ele vai se erguer novamente para nos dar muito orgulho. Mesmo do jeito que está o Santa não me faz mal. Pelo contrário, só me dá alegria.

AM | Qual o conselho você daria para um jovem estudante de Medicina?

EE | Essa é uma profissão de sacrifício. É uma maneira de ajudar o próximo. Caso não pense assim, está na profissão errada. Vá ser comerciante, qualquer coisa. Por aí se diz que não tem médico pobre. É uma verdade desde que não seja preguiçoso. Porque, embora existam 300 mil médicos, há um mercado que necessita de profissionais. Alguns hoje cumprem uma tripla jornada de trabalho. Há espaço para os novos. Sinto muito orgulho de ser médico. Vivo o sonho que sonhei, ajudando as pessoas. Ser médico é ter que trabalhar e estudar muito. E também se inteirar com o que existe em volta, melhorar como ser humano para ser mais útil a si próprio e aos pacientes. Aconselho sempre que se mirem nos seus professores.

Sudene lembrada na Assembléia Legislativa

15 de dezembro de 2009 – 23:18

Os benefícios para o Nordeste ao longo de 50 anos de fundação da Sudene, registrados nesta terça,15, foram analisados pelos deputados José Alves, do PRP, Izaías Régis, do PTB, e Elina Carneiro, do PSB.

Alves classificou como falhas pontuais os motivos responsáveis pela extinção da autarquia, em 2001, e afirmou que não houve envolvimento de servidores no caso. O deputado ainda defendeu uma mobilização no Nordeste para oferecer melhores condições de funcionamento ao órgão, recriado em 2007.

Já na avaliação de Izaías Régis, a Sudene foi fundamental para a modernização da região nordestina. O parlamentar também lembrou a história do município de Garanhuns com o órgão, por meio da realização, em 1959, do Seminário para o Desenvolvimento do Nordeste. O deputado também informou que a autarquia foi recriada pelo presidente Lula.

De acordo com Elina Carneiro, a Sudene promoveu melhorias no Nordeste nas áreas industrial, de infraestrutura turística, entre outros setores. A deputada criticou a desvinculação do órgão da Presidência da República, e também defendeu uma mobilização envolvendo o superintendente da autarquia, Paulo Fontana, e o Governo Federal, para encontrar uma solução à questão dos vetos e dos recursos a serem aplicados. 
 
 (Do site da Assembléia Legislativa de Pernambuco)

Nem choro, nem vela nos 50 anos da Sudene

15 de dezembro de 2009 – 23:12

Neste 15 de dezembro, a SUDENE, Superintendência do Nordeste, completou 50 anos. Foi feita, por JK; desfeita, por FHC; e mal refeita, por Lula. E agora é um fantasma nordestino que se arrasta sem verbas, projetos e influência. Muito a lamentar.

A sua criação em 1959 foi um momento histórico para o Nordeste, quando o presidente Juscelino Kubitstchek fez exortações pelo desenvolvimento harmônico do País. Foi um período de mobilização regional que transformou a autarquia, ligada diretamente à Presidência da República, numa verdadeira alavanca do crescimento do Nordeste.

Esvaziada no regime militar, extinta por FHC por conta de denúncias de corrupção e recriada no segundo mandato de Lula - depois de prometer recriá-la no primeiro -, a SUDENE tem agora pouca serventia para o momento econômico da região.

Aos 50 anos, a autarquia está na UTI com poucos sinais vitais. Jamais voltará a ser o que era.

Aquecimento global é manipulação de dados

14 de dezembro de 2009 – 0:37

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

Molion também falou neste domingo, 13, para o Canal Livre da TV Bandeirantes, TV Clube no Recife. O trecho da entrevista à UOL sintetiza bem o que ele falou na TV. E colabora para por fim a esta histeria do aquecimento global.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?

Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?

Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?

Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?

Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?

Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?

Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?

Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?

Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de  Kyoto?

Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?

Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?

Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

PDVSA está lisa. Refinaria vai ser da Petrobrás

5 de dezembro de 2009 – 1:38

Saiu de forma tão discreta na imprensa local que vale destacar: a Petroleo de Venezuela SA (PDVSA) está lisa. Pediu para ser incluída no contrato de financiamento da Petrobrás junto ao BNDES, no valor R$ 9,8 bilhões, para a refinaria Abreu e Lima, em Suape. A PDVSA terá que apresentar garantias de 40% do valor, a sua parte no negócio.

Com o liseu venezuelano e a fama de mau pagador de Hugo Chávez, logo os cobradores do BNDES - se Lula não perdoar a dívida - estarão à porta do Palácio Miraflores, em Caracas. A Petrobrás vai terminar assumindo tudo, pelo menos é o que pensa o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa: ” desde o início já havíamos dito que a refinaria é prioridade e que iríamos fazer os investimentos mesmo sem a PDVSA”.

Diga não à usina nuclear em Pernambuco

5 de dezembro de 2009 – 1:25

A possibilidade de instalação de usina nuclear em Pernambuco, vetada pela Constituição Estadual (art.216), voltou a debate no blog de Jamildo. O executivo da estatal nuclear encontrou ilegalidade no artigo constitucional, talvez por sua sabedoria jurídica, e disse que esse instrumento legal não seria problema para construir a usina no Estado. Ele não perguntou nem a sociedade e nem consultou o Legislativo Estadual. Diz que quer fazer e vai fazer.

O executivo da estatal banaliza também a questão do lixo nuclear e as possibilidades de acidentes, vide Chernobyl, na Rússia, e Three Miles Island, nos Estados Unidos, vítimas de acidentes nucleares de grande monta.

Os pernambucanos querem discutir em audiências públicas o risco de uma usinas nuclear no nosso território. A Constituição pernambucana foi aprovada há 20 anos. O governador da época era Miguel Arraes, avô Eduardo Campos. O atual governador não pode trair o desejo do avô e líder político.

CPI revela favorecimento da Aneel a Neoenergia, dona da Celpe

5 de dezembro de 2009 – 1:12

O relatório final da CPI da Tarifa de Energia Elétrica da Câmara Federal, que teve umas das audiências públicas no Recife, traz coisas impressionantes sobre a relação incestuosa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com as distribuidoras de energia. Sob o comando do deputado pernambucano Eduardo da Fonte (PP), a CPI trouxe acusações pesadas, com fortes indícios de que diretores e outros funcionários do comando da agência usavam os cargos para favorecer empresas que deveriam fiscalizar, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo (30/11/09).

A imprensa local omitiu tais acusações. E não há muito interesse que o tema prospere. Além de boa anunciante, a Celpe (Companhia Energética de Pernambuco), é uma das grandes contribuintes do ICMS do Estado.

Segundo o Estadão, na parte referente a Pernambuco, o ex-diretor-geral da Aneel, José Maria Abdo, e outros dois colegas são citados como suspeitos do suposto favorecimento a empresa da Neoenergia. Eles autorizaram a empresa repassar quase R$ 300 milhões à tarifa cobrada dos consumidores em Pernambuco. Pouco depois, quando Abdo e os colegas deixaram a Aneel, montaram uma consultoria e foram trabalhar para a Neoenergia.

O Partido dos Trabalhadores (PT) também não fala grosso com a Neoenergia. O Fundo de Pensão do Banco do Brasil, Previ, controlado por petistas, é um grande acionista da Neoenergia.