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Quem procura, acha!

20 de novembro de 2008 – 23:20

E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração , de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.

Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.

Contos da Marolinha: o subprime do carro usado

20 de novembro de 2008 – 22:59

Quando o Ministério da Fazenda quis reduzir o prazo de financiamento de carros usados no início deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo. Disse ao ministro Guido Mantega que o cidadão que compra um carro usado em 84 meses não podia pagar o pato da crise e que ele não seria o presidente a melar o sonho de pessoas que compravam um carrinho pela primeira vez. A coisa não prosperou.

De lá para cá, o ambiente econômico piorou. E o governo tem uma grande preocupação no gerenciamento da crise: o chamado "subprime Pacheco".

O que é isso?

É como o mercado vem chamando os financiamentos de carros usados mais antigos realizados em prestações a perder de vista (60 meses, por exemplo). Pacheco une as primeiras sílabas de Passat, Chevette e Corcel, carros antigos que simbolizam o consumo de automóveis da nova classe média, justamente um público que melhorou de vida nos anos Lula. Nessa categoria de veículos estão incluídos Tempras, Santanas e Escorts.

Dados econômicos dos últimos dias emitiram sinais de alta da inadimplência no setor de automóveis. O Palácio do Planalto está preocupado com as condições para que os consumidores possam continuar a pagar os seus financiamentos. Lula gostaria de ajudar diretamente esse pessoal.

Auxiliares do presidente que fizeram sondagens no mercado constataram o risco do "subprime Pacheco". Como o bem perde valor ao longo do tempo, ele deixa de ser uma boa garantia para o crédito. A situação piora quanto mais velho for o carro.

Nas negociações entre bancos para compras de carteiras de crédito de veículos, o deságio e o expurgo mostram a falta de qualidade na concessão desses empréstimos. Na hora da bonança, o cadastro foi relegado ao segundo plano. Nesse sentido, há semelhança com o "subprime" americano, estopim da atual crise financeira internacional. Nos Estados Unidos, chama-se "subprime" os créditos de segunda linha e de alto risco.

Há uma diferença entre os EUA e o Brasil. Lá, o setor imobiliário responde por uma parcela da economia muito superior ao peso do mercado de veículos na economia tupiniquim. No entanto, é um problema da economia real e de uma faixa da população que está ligada diretamente à boa aprovação de Lula. Trata-se também de um sinal de que o pior da crise não passou. O prognóstico de gente importante no governo é o seguinte: 2009 será um ano bem difícil.

(Kennedy Alencar, da Folha On Line)

Recursos judiciais deram sobrevida a Cássio Cunha Lima

20 de novembro de 2008 – 22:51

Há mais de um ano, o governador Cássio Cunha Lima (PSDB), 45, administrou a Paraíba com a possibilidade de deixar o cargo a qualquer momento. O tucano foi cassado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) em 30 de julho de 2007, sob a acusação de abuso de poder quando concorria ao segundo mandato.

Dois dias depois, em agosto, obteve liminar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que suspendeu os efeitos da cassação até o julgamento de recurso.

A aparente estabilidade durou pouco mais de quatro meses. Em dezembro de 2007, o tucano voltou a ter o mandato cassado pelo TRE-PB, por abuso de poder. Mais uma vez, outra liminar do TSE suspendeu os efeitos da cassação.

Na primeira cassação, o governador foi acusado de distribuir cerca de 35 mil cheques à população em ano eleitoral, sem que houvesse lei que regulasse um programa de assistência social do Estado. Para a defesa, há legislação sobre o tema.

Na segunda decisão que o tirou do cargo, ação elaborada pelo Ministério Público Eleitoral dizia que Cunha Lima usou o jornal "A União", mantido pelo governo, para promoção pessoal e veiculação de propaganda. Os advogados do governador consideram que o periódico "mostrou ações do governo, assim como faz a "Voz do Brasil", no caso da Presidência".

Cunha Lima se filiou ao PSDB em 3 de outubro de 2001. Foi eleito pelo partido em 2002. E reeleito em 2006. Antes, foi deputado federal e prefeito de Campina Grande pelo PMDB.

(Da Folha On Line)

Pode ser que se repita no Recife a mesma trajetória de Cunha Lima. Não se sabe se com o mesmo final.

Impugnação de João da Costa é julgada pelo TRE

20 de novembro de 2008 – 22:43

Eleição, como muitos dizem, parece ser mesmo um porre cívico. Não tem nada mais emocionante para quem gosta de política do que uma eleição bem disputada, como foi caso da eleição para Prefeito do Recife deste ano. Apesar de cantada a bola que João da Costa seria o eleito, nenhum outro disputante abateu-se. A luta foi até o fim. E o candidato governista com maior apoio de partidos e de todos os níveis do Executivo ganhou a eleição. Mas foi por pouco. Costa ficou a 1,4 ponto percentual da soma dos demais candidatos para levar a eleição ao segundo turno.

Mas passada toda a emoção, poucos devem se lembrar que a vitória de João da Costa está subjudice, a espera do relatório da desembargadora eleitoral Margarida Cantarelli, que vai ser lido diante do pleno do Tribunal Regional Eleitoral na segunda-feira (24).

Não fazendo juízo de valor das provas, a descrença na Justiça é grande. Comentários das ruas anunciam que a ação não vai dar em nada, que a vitória eleitoral se sobrepõe ao que pensam os juízes. É um ataque a quem tem como missão julgar com base na legislação vigente e nas provas apuradas.

Dizer de cara que não vai dar em nada é um desrespeito à Democracia. É preferível aguardar até segunda-feira. Quando o caso estava na primeira instância do TRE também se pensava que ia dar em nada. E não foi o que aconteceu. Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, casado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o diga.

Cassação na Paraíba. E no Recife?

20 de novembro de 2008 – 22:25

Por unanimidade, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou nesta quinta-feira (20) a cassação dos mandatos do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice José Lacerda Neto (DEM). Ambos são acusados de utilizar programas sociais para a distribuição irregular de dinheiro, via cheques, em um processo denominado Caso Fac (Fundação de Ação Comunitária).

O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, disse que a decisão deverá ser cumprida a partir da publicação do acórdão e cassada também a decisão liminar –que mantém Cunha Lima e Lacerda Neto nos cargos.

Cunha Lima e Lacerda Neto podem ainda recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão. Nesta quinta-feira foi julgado o recurso ingressado pela defesa que tentou garantir a manutenção dos mandatos de ambos, sem risco de cassação. O recurso foi julgado ontem.

Inicialmente, o ministro-relator do processo, Eros Grau, recomendou pela rejeição das sete questões preliminares –levantadas pela defesa– considerando-as improcedentes. Depois, votou pela cassação dos mandatos de Cunha Lima e Lacerda Neto.

"Não há dúvidas por parte do governador a distribuição de cheques", afirmou o relator. "Há largo abuso do poder político com conteúdo econômico", disse. "Uma das testemunhas disse que recebeu um cheque e uma mensagem: "Esse é um presente do governador, lembre-se dele. Com os cumprimentos, Cássio Cunha Lima, governador", afirmou o ministro.

Segundo o ministro Joaquim Barbosa, alguns dados contidos no processo são "estarrecedores". Para ele, era fundamental cassar a liminar –que assegura a manutenção de Cunha Lima e Lacerda Neto atualmente nos cargos.
 
(Da Folha On Line)

Na segunda-feira (24), o Tribunal Regional Eleitoral aprecia o relatório da desembargadora Margarida Cantarelli sobre as denúncias contra o prefeito eleito do Recife, João da Costa. Ele foi acusado de ter usado a máquina administrativa da Prefeitura do Recife para favorecer sua candidatura por meio da publicação de uma revista sobre seu trabalho como secretário e pela divulgação de emails da sua chapa através de computadores da prefeitura.

O pobrismo é o outro lado da bundalização

14 de novembro de 2008 – 2:08

Lula e Marisa Letícia deram para o papa um presentinho que retrata retirantes nordestinos. É mesmo?

O pobrismo é o outro lado da bundalização no Brasil. Na versão erótico-exaltatória, temos a bunda e a ginga da mulata. Na versão vitimista-resistente-expiatória, o retirante.

Lula, claro, mais uma vez, como sempre, está exaltando a si mesmo. Como sabem, ele vive a lembrar essa condição.

Aí um tonto logo poderia dizer: “Alguma coisa contra o Nordeste?” Nada! Ao contrário.

Por que ele não deu para o papa um livro de Gilberto Freyre, de Joaquim Nabuco, de João Cabral de Melo Neto, de Graciliano Ramos, de… 
 
 (Do blog Reinaldo Azevedo)

O que se fala da sucessão de Dom José Cardoso

14 de novembro de 2008 – 0:37

Começou a circular no Recife especulações sobre o substituto de Dom José Cardoso Sobrinho na Arquidiocese de Olinda e Recife, aposentado por idade. Dois nomes estão em alta: o do arcebispo metropolitano da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, e o do bispo de Sobral (CE), Dom Fernando Saborido, que já foi bispo auxiliar de Olinda e Recife, bastante conhecido na paróquia.

Fala-se também na vinda do bispo de Maceió, Dom Antonio Muniz Fernandes, da ordem carmelita e formado pela Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma em teologia bíblica. Bispo desde 1998, é presidente da regional Nordeste II da Conferência Episcopal Brasileira e se encarrega da pastoral para os presos. Vai ter muito trabalho por aqui.

Abaixo, pode-se conhecer melhor Dom Aldo Pagotto, 59 anos, tido, por quem entende de Igreja, como o mais cotado para substituir Dom José.

Pagotto escreve ao papa Bento XVI

14 de novembro de 2008 – 0:24

Em setembro de 2006, Dom Aldo Pagotto escreveu uma carta ao papa Bento XVI, solidarizando-se com o pontífice sob ataque da mídia internacional por suas declarações a respeito dos muçulmanos. A carta revela a proximidade de Pagotto com o chefe da Igreja Católica.

A
Sua Santidade, Papa
BENTO XVI

Santidade,

Osculando as vossas veneráveis mãos, peço vênia para trazer-vos a minha incondicional solidariedade, e a de todo o Presbitério de nossa Arquidiocese, expressando a Comunhão na Caridade “cum Petro et sub Petro” em tudo e por tudo. Santo Padre: todos nós vos amamos muito e por onde fordes vos recepcionaremos e seguiremos como o doce Cristo na terra.

Durante vossa visita em terras germânicas, patenteou-se o sereno e entusiástico acolhimento de vossa augusta pessoa e dos vossos colóquios familiares. Nos recentes acontecimentos, vossos pronunciamentos foram identificados por sábios ensinamentos, verbalizados em ternas palavras, isentas de animosidades.

Lamentamos o fato de que interpretações peregrinas e fora de contexto tenham chegado ao ponto de distorcer as vossas afirmações. Sobretudo, lamentamos o fato de certas lideranças visionárias atribuírem uma provocação aleatória ao mérito de argumentos propostos por Vossa Santidade. Lamentamos ainda a mídia ter dada ampla divulgação a mal entendidos provocatórios.

Longe de entender um acirramento de ânimos, com evidente caráter político-ideológico, acreditamos em vossa reta intenção, reafirmada por ocasião do “Ângelus” do último domingo, 17 de setembro.
Estamos incontinentes, ao vosso lado, Santidade!

O mal entendido e os juízos precipitados estão sendo superados pela força do amor e da verdade de Cristo que nos liberta de todo o mal. Interpretações equivocadas cedem espaço à clarificação da vossa incontestável retidão de intenções, bem como do vosso esforço ecumênico pela paz pró-ativa.

Resta-nos agradecer a Deus e à sabedoria milenar da Igreja, da qual Sua Santidade é servidor com extrema humildade.

Continuai ó Santo Padre, a acreditar no bem que espalha por onde andardes, como arauto do Evangelho de Cristo, como seu porta voz magnânimo e compassivo.

Pedindo-vos a benção, com afeto e obediência filial, de vossa Santidade devotíssimo, o servo

In Iesu et Maria,

 

Entrevista de Dom Aldo Pagotto

14 de novembro de 2008 – 0:19

Para quem quer conhecer melhor o arcebispo metropolitano da Paraíba, Dom  Aldo Pagotto, cotado para substituir Dom José Cardoso Sobrinho na Arquidiocese de Olinda e Recife, vale a pena ler esta entrevista do religioso concedida ao portal Celino Neto, da Paraíba, em outubro passado.

Dom Aldo Di Cillo Pagotto é Arcebispo Metropolitano da Paraíba. Paulistano de nascimento, Dom Aldo é formado em Teologia e Filosofia pelo Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário em Caratinga – MG, com especialização em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Com um vastíssimo currículo de serviços prestados à vida religiosa, o Arcebispo concedeu entrevista exclusiva ao Portal Celino Neto onde fala sobre a política de Campina Grande, Celibato e Juventude.

CN - Todos querem saber onde o senhor nasceu, qual a sua origem familiar, quando começou o seu sacerdócio e como se deu a sua vinda para a Arquidiocese da Paraíba.

Dom Aldo Pagotto. Sou paulistano. Minha família é de origem italiana (nota-se pelos sobrenomes: di Cillo Pagotto). Desde os meus 20 anos entrei para o Seminário, por experiência, pois tinha tendências à Medicina, ao Direito e à Arquitetura. Ordenei-me padre aos 28 anos. Pertenço à Sociedade do Santíssimo Sacramento (SSS). Como a Congregação possui comunidades religiosas no Nordeste, vim pra Fortaleza em 1985. De 1988 a 1991 aprofundei estudos em Roma. Voltei para Fortaleza, fui transferido para Recife e em 1997 fui eleito bispo de Sobral, no Ceará. Em 2004, João Paulo II nomeou-me Arcebispo da Paraíba e aqui me encontro com muito amor e alegria.

CN - O senhor é um apreciador das artes e da cultura e toca piano muito bem. Fale um pouco desse lado da sua vida.

Dom Aldo Pagotto - De fato, aprecio as artes. Influenciado pela origem italiana, cujo ambiente familiar favorecia muito. Em São Paulo, tive oportunidades, no colégio e num contexto cultural mais amplo, de expandir essa dimensão tão agradável, sobretudo a música. Também ganhei alguns trocados pintando imagens (modéstia à parte) com gosto artístico.

CN - Nos últimos tempos, com o crescimento de outras igrejas, houve uma evasão de fiéis da Igreja Católica. Como o senhor analisa esse fenômeno no Brasil?

Dom Aldo Pagotto - Trata-se de uma série complexa de fatores, entre os quais, a mudança radical de sentimentos, pensamentos e atitudes éticas e morais. No centro dos atuais valores da sociedade de consumo está o lucro e o prazer, não mais o ser humano e sua dignidade. Os valores e crenças religiosas se voltam para a felicidade pessoal de cada indivíduo. O pluralismo de opções desvincula a pessoa das instituições. Cada qual faz a sua religião, sua fé, suas crenças e valores. Por outro lado, a Igreja tentou atualizar e adaptar a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Em muitos lugares houve resultados positivos. Em outros contextos, não. Sobretudo no contexto da chamada "teologia da libertação", que utiliza o viés marxista para interpretar a mensagem da Palavra de Deus. Assim, se parte da análise da realidade pelo viés sociológico e não mais do parâmetro da revelação cristã, numa perspectiva de fé. A chave de leitura é a sociologia de viés ideológico, a priori, esquerdista. Muita gente se afastou da Igreja, inclusive a minha família, por causa da mistura com da linguagem instrumentalizada, confundindo opção pelo pobre com partidarismo político de esquerda. É interessante notar que em alguns lugares a igreja fez opção pelo pobre, interpretada com gestos agressivos, como luta de classes, invasão de terras e assim por diante. Hoje há muitas pessoas de origem humilde que se identificaram com outras denominações religiosas, inclusive radicais e fundamentalistas.

CN - Religião é fé, convicção e escolha, um caminho que liga o homem a Deus. A nossa juventude está engajada neste contexto?

Dom Aldo Pagotto - A Igreja Católica perdeu a maioria da juventude. Crianças e adolescentes se encontram soltas. Poucas crianças fazem Catecismo para a 1ª. Comunhão e depois raramente perseveram. Idem, os adolescentes para a Crisma, pouquíssimos perseveram. Por quê? Sentimos a necessidade de adaptar a nossa linguagem e postura, apresentando ideais mais consistentes, integrando educação para a fé, para a dimensão humana e afetiva, e para a participação na construção da cidadania. Hoje há uma tentativa de recuperação, sem grandes resultados. O que se vê são eventos de massa, promovidos por bandas gospel. Alguns jovens buscam muita emoção, como uma distração qualquer. Não vejo a proposição de ideais consistentes. Não vejo compromisso com nada, nem com a concidadania. O mesmo a gente nota na UNE. A juventude das "diretas já", os "cara-pintada" se acabaram. Hoje a galera quer curtir. Cada jovem possui, sim, seu lado místico, espiritual, organizado e confeccionado a seu modo. Ao que parece nossa juventude não quer se ligar à instituição alguma. Note-se o mesmo fenômeno nos partidos políticos. Há muita emocionalidade e pouca racionalidade. Hoje vivemos no mundo da produção de imagens virtuais.

CN - Castidade e celibato. Diante de notórios casos de pedofilia envolvendo padres, a Igreja não pensa em reformular seu posicionamento diante desses dois temas seculares?

Dom Aldo Pagotto - Não é verdade que existem tantos casos de padres pedófilos. O que há é a exploração de alguns casos, dolorosos, reprováveis, inaceitáveis. Castidade não é castigo, nem repressão e sim educação, aceitação e controle afetivo-sexual. Celibato é dom, é carisma e não imposição forjada, simulada. O posicionamento da Igreja não vai mudar, segundo a série dos Papas que tratam explicitamente desses casos dolorosos, como do contexto da vida moderna. O que a Igreja deve fazer continuamente é a melhor formação, seleção e acompanhamento das vocações para a vida consagrada. A formação foi relaxada nos seminários, visivelmente decadente. Hoje há um esforço sério para a recuperação da formação sistemática, sólida, coerente, não apenas em relação à dimensão afetiva e sexual, mas teológica, espiritual, intelectual, pastoral, econômica e administrativa.

CN - Com a vida moderna e o avanço tecnológico, os apelos sexuais estão por toda parte, influenciando o comportamento e os costumes. Mais do que nunca, as tentações rondam todos os homens. Como o religioso lida com essa questão?

Dom Aldo Pagotto - Trata-se de preparar pessoas descomplexadas, livres, conscientes, responsáveis, O mesmo raciocínio se aplica à necessidade de boa formação de qualquer criança, adolescente, jovem ou adulto. Trata-se de uma formação inicial e permanente, dividida com a família, a escola, a igreja, as instituições. Não se trata de apenas lidar com as "tentações", pois as paixões humanas fazem parte da existência e servem para amadurecer o caráter. Um homem casado, uma mulher casada, uma pessoa cheia de vida jamais estará invulnerável. Sinceramente, encaro a castidade como educação permanente, para solteiros (as) e casados (as) consagrados ou de quaisquer opções. O que eu tenho dificuldade de aceitar é eliminar ou confundir a relação afetividade e sexualidade, pois são inalienáveis e inseparáveis em cada ser humano.

CN - A política brasileira registra certo avanço no que diz respeito às questões sociais. Entretanto, esses avanços ainda não correspondem plenamente aos anseios e necessidades do nosso povo. O que falta?

Dom Aldo Pagotto – A partir de projetos de Nação, de Estado e de Municípios, um planejamento que ultrapasse 4 anos, pois jamais se esgotaria em um governo de 4 anos ou de 8, com a recondução de um gestor público. Nos planejamentos estratégicos, os itens indispensáveis: o que fazer? Quem vai assumir? Com quais recursos humanos, técnicos e financeiros? Qual a metodologia de trabalho, as etapas de trabalhos, os prazos estipulados, a justa distribuição de oportunidades e rendas? E a avaliação e a prospecção dos projetos e planejamentos de programas? O que falta no Brasil é planejamento e distribuição de oportunidades e geração de ocupação e renda. Para isso, é preciso investir pesado na educação, incluindo, pois, a educação para o trabalho!

CN - Alinhamento ou conflitos – política e religião podem caminhar juntas?

Dom Aldo Pagotto - Ambas são realidades distintas e inseparáveis, pois um amor a Deus se desdobra no amor ao próximo. A política é uma das formas mais sublimes de exercer a caridade, o amor, efetivamente colocado na elaboração das estruturas sociais, favorecendo a inclusão com justiça social. Não se confunda religião com política partidária, nem se confunda fé com um candidato ou com um programa de partido. Veja pelas razões que expus acima, quando se confundiu "libertação" com "ideologia" assumida por um determinado partido, que hoje se fragmentou em várias facções. Para bom entendedor, pingo é letra.

CN - O senhor é sempre convocado para opinar sobre grandes e graves questões de interesse coletivo e nunca se omitiu. Já recebeu convite para ingressar na política?

Dom Aldo Pagotto - Sim, porém, não aqui na Paraíba. Também, nunca aceitaria, pois a minha missão é trabalhar pelo desenvolvimento espiritual e temporal, respeitando as realidades autônomas da Política (com P maiúsculo) e da fé cristã.

CN - Como Arcebispo da Paraíba, um Estado cheio de contrastes, qual é o seu maior desafio?

Dom Aldo Pagotto - Primeiro, o levantamento das potencialidades produtivas da Paraíba, terra amada e rica de potencial. Segundo, apresentação de um planejamento estratégico - aliás, em curso, contendo 20 itens, absorvidos e subdivididos pelos cinco eixos propulsores. Acionem o site do Governo Estadual e verão claramente ao que estou me referindo. Terceiro, eliminar uma rivalidade atrasada e atávica de dois grupos que se rivalizam e disputam a hegemonia, atrelando a mentalidade do povo a um cabo de guerra fratricida. A Paraíba é uma só, porém, integrada aos nossos irmãos circunvizinhos, especialmente os cearenses, potiguares e pernambucanos sobretudo. Notem as obras de transposição do Rio São Francisco, possibilitando o desenvolvimento integrado entre os nossos quatro Estados beneficiados. É um exemplo de outras potencialidades a serem exploradas e desempenhadas com ardor, sem partidarismo. Nossa camisa a ser vestida é o Estado da Paraíba e não outra camisa partidária.

CN - As eleições em Campina foram marcadas por ataques e denúncias entre os concorrentes. O que o senhor acha de tudo isso?

Dom Aldo Pagotto - A formiga sabe a folha que corta. O que disse anteriormente responde à questão particular de Campina Grande, considerada a co-capital paraibana. Que cada candidato mostre lados a serem enfrentados e não acusações que causam ojeriza, geram animosidades, desgastam o raciocínio lógico e baixam o nível da reflexão para o nível da emocionalidade adrenalínica.

CN - O portal Celino Neto é acessado predominantemente por jovens. Qual a mensagem que o senhor deixa para a comunidade campinense, especialmente para a juventude?

Dom Aldo Pagotto – Acredito que os jovens possam oferecer sugestões sobre duas realidades contrastantes. A primeira é o desafio para a superação do distanciamento de tantos jovens dos serviços voluntários. Há iniciativas que podem e devem ser assumidas desde que os jovens se agremiem e se disponham para assumir serviços voluntários, capacitando-se, treinando, se doando, se sacrificando a serviço do próximo. Segundo, os jovens podem e devem aproveitar sua disponibilidade, através de tantos meios de comunicação existentes, para enturmar, agregar, integrar forças a favor do bem, e não apenas usar Orkut e MSN, para curtir amizades que giram apenas em torno de si ou de pequenos grupos de interesse, quando estão ausentes os grandes ideais das políticas públicas que gerem inclusão social, os ideais da solidariedade, do desenvolvimento local e regional e assim por diante. Deus abençoe a todos!

A volta de quem não foi

13 de novembro de 2008 – 23:52

Em qualquer publicação fora da Internet já estaria dispensado, depois de passar alguns dias sem postar notas neste blog. Felizmente aqui sou o patrão e o trabalhador, o fim da luta de classes.

O blog unipessoal, por enquanto, tem a vantagem de deixar de escrevê-lo quando as ocupações do dia-a-dia tiram o ânimo noturno para teclar. Mas também é muito arriscado, quando os leitores, aqueles que se interessam pelo que escrevo, encontram um post velho e passam adiante. A dificuldade de voltar a interessá-los é grande. Mas vamos tentar.